Legado da Copa é sempre mencionado por autoridades

Segunda-feira, 14 de julho de 2014 às 11h14 – Atualizado às 15h12

Gerson Soares

“A Copa do Mundo da Fifa no Brasil apresentou uma mensagem muito especial – uma mensagem de união, conectando as pessoas, uma mensagem de paz e antidiscriminação”, disse Blatter antes do jogo entre Argentina e Alemanha. “A Copa do Mundo em 2014 foi de muito sucesso e certamente veremos um legado neste país”, divulgou a Agência Brasil.

A preocupação em deixar um legado foi uma constante nas falas da presidente Dilma Roussef, do ministro Aldo Rebelo e do presidente da Fifa Joseph Blatter. A maneira como isso foi dito durante os últimos sete anos, ficou parecendo que só a Copa da Fifa poderia executar tal benefício no Brasil. A verdade é que para garantir o legado – que deveria ser devidamente relacionado para que todos pudessem ter acesso –, os gastos foram gerados e a conta será paga pelos brasileiros. Quanto ao famigerado legado, só o tempo poderá mostrar, o que se espera é que venha mesmo.

 

Estádio Mané Garrincha. Foto: Portal da Copa

Estádio Mané Garrincha. Foto: Portal da Copa

 

Quanto aos exemplos de abnegação, esforço, equipe, sacrifício, disciplina, autoestima, honestidade e educação, entre outras qualidades que a prática esportiva proporciona, vieram da equipe alemã, tão bem demonstrados em campo e fora dele. Outro exemplo foi dado pela Delegação da Argélia que doou o prêmio de 9 milhões de euros pela sua colocação na Copa aos palestinos da faixa de Gaza. Estes são feitos que os atletas nos legam, pois aprendem humildade suando e conhecendo suas limitações e habilidades. Estas atitudes, como a da delegação alemã que doou uma ambulância aos índios Pataxós, na verdade já seria um bom legado a quaisquer povos, boas lembranças da Copa e motivo de inspiração aos jovens, às crianças de todo o mundo, não só aos brasileiros.

No entanto, as máximas autoridades e organizadores da Copa do Mundo no Brasil subvertem-nos, diante de mais alguns episódios deprimentes de irregularidades e maus costumes – não que os brasileiros não estejam habituados – como a venda ilegal de ingressos e prisões de envolvidos pelos agentes da Polícia Federal, casos de corrupção na CBF, cujo presidente atual é José Maria Marin que assumiu após a renúncia do ex-presidente da entidade Ricardo Teixeira. A isenção de impostos à Fifa com mudanças na legislação brasileira exclusivamente para beneficiar a entidade, construção faraônica de estádios e as obras terminadas às pressas como a Arena Corinthians, construído principalmente pela preferência animada do declarado corintiano ex-presidente Lula.

 

O arquiteto Eduardo Castro Mello, arquiteto responsável pela arquitetura do Estádio Mané Garrincha, em Brasília. Foto: Luiz Roberto Magalhães/Portal da Copa

O arquiteto Eduardo Castro Mello, arquiteto responsável pela arquitetura do Estádio Mané Garrincha, em Brasília. Foto: Luiz Roberto Magalhães/Portal da Copa

 

Quanto ao Estádio Mané Garrincha, por exemplo, erguido em Brasília que nem sequer tem um time na primeira divisão do futebol brasileiro, um dos responsáveis pela administração disse que “a agenda já está cheia para shows e eventos”. Para o arquiteto Eduardo Castro Mello, cuja empresa foi responsável pelos projetos do Mané Garrincha, Arena Pantanal e reforma do Maracanã, “agora, o Brasil não deve nada em termos de estádios ao que existe nos países desenvolvidos da Europa ou nos Estados Unidos”, disse em entrevista ao Portal da Copa, site do governo para a Copa do Mundo, no final do mês passado.

Pode ser verdade, mas fica devendo em outras áreas essenciais à vida e ao bem estar coletivos. Questionado sobre a utilização dos estádios depois do torneio, o arquiteto acredita que a iniciativa privada deva geri-los. “Acho que esse é um setor que tem que estar na mão da iniciativa privada e que o governo não deve tomar para si essa incumbência. Acredito que a iniciativa privada tem pessoal muito especializado e que pode gerir todos esses estádios com um resultado financeiro excelente. Então, acho que o caminho natural para todos eles é estar com um grupo que possa ter uma agenda de três anos já lotada, com diversos eventos, e sei que já existe uma demanda muito grande, principalmente falando de Brasília. Essa é uma cidade que qualquer espetáculo que se faça sempre terá um ótimo público presente. Brasília só não tinha um local adequado. Agora tem”, afirmou ao Portal da Copa.

Vamos aguardar os benefícios e o legado “em nome do interesse público e nacional”, como gostam de afirmar a presidente Dilma e o ministro Aldo Rebelo.

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Autor: alotatuape

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