Lula preso: melancólico dia do líder brasileiro e não há nada para comemorar


Domingo, 8 de abril de 2018 às 12h44


Até onde Lula é Lula? Onde escapa o mito e surge o homem simples que nasceu em meio à pobreza do Nordeste brasileiro?

Gerson Soares

A ascensão de Lula se deve à falta de líderes da elite brasileira que há muito cometem crimes muito maiores e mais significativos do que os que ele cometeu. Não que isso o isente de culpa, muito pelo contrário, deveria ter sido um exemplo para a Nação e se tornou por fim, neste início de final de jornada, uma pobre figura decadente. Provido ainda de forças para reagir não encontrará lideranças à sua altura fora do cárcere que o possam seguir. Tornar-se-á um emblemático político na história de um país sem líderes que realmente se interessassem jamais pelos problemas que assolam uma população na sua grande maioria perdida, sem rumo.

 

08/04/2018 – São Bernardo do Campo, SP: O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no braço do povo depois da missa e discursos em frente ao Sindicato dos Metalurgicos no ABC. Foto e legenda: Ricardo Stuckert / Fotos Públicas

 

As doenças, a falta de saneamento básico, as cadeias lotadas de pobres, são um pequeno retrato dos brasileiros, um povo nitidamente dividido entre uma minoria abastada e uma grande maioria de empobrecidos. Dividido entre a liderança popular e igualitária de Lula que distribuiu dinheiro aos pobres em sua esperança de tornar-se uma espécie de Robin Hood brasileiro, literalmente roubando dos ricos ou aceitando sua doutrina de favorecimentos e conluios que até hoje transformaram o Brasil em uma terra de tristeza.

Não há alegria e nada há para comemorar com a prisão de Lula, apenas cumpriu-se a lei. E nada há que isente essa mesma lei da máxima que a persegue num país aonde só os pobres vão para a cadeia, mesmo que tenham ficado muito ricos. Se não fizer parte da nata que comanda e suas descendências ancestrais, seus poderes donatários, pouco adianta a um pobre como Lula chegar à presidência do Brasil, continuará sendo visto como um popular, uma pessoa do povo que não tem valor comercial, não há benefícios concretos em tê-lo às mesas mais requintadas, aos eventos mais seletivos, sem que seu estigma de pobreza seja lembrado.

Lula volta agora no tempo, ao marco zero, ao dia em que foi preso em 1980, quando os ideais da fundação do Partido dos Trabalhadores estavam latentes em suas veias e com essa energia saiu da prisão depois de desafiar a lei e a ordem imposta pela ditadura militar. Mas o velho brigador, apesar de ter forças, perde as rédeas da carruagem que ele mesmo criou e conduziu por 38 anos. Sobra-lhe a dignidade e um lapso de tempo para refletir sobre o que poderia ter feito pelo Brasil com toda a liderança que conseguiu obter para si.

Deixou escapar Lula, não teve vontade para continuar o ideal que o moveu aos primeiros passos, sucumbindo aos favores da velha política que tanto combateu, entregando-se às suas efêmeras benesses. Assim, sucumbe a determinação do homem que pouco poderá fazer para mudar sua situação de presidiário. Assim, vai se apagando sua imagem politicamente, sua sombra logo deixará de perseguir aqueles que o cercaram de abraços e apertos de mão efusivos, enquanto as rédeas do poder em suas mãos estavam. Mas antes de tudo, Lula volta às suas origens quando se lhe reduz todo o alcance a um pequeno espaço no prédio que ele mesmo inaugurou em Curitiba, sujeito a vontade alheia, sujeito às intempéries da Justiça brasileira. Se o Poder Judiciário agiu com firmeza aplicando-se sobremaneira a ele, deixam de serem aplicadas as leis nas incontáveis injustiças que assolam o Brasil.

Apesar de tudo, o ex-presidente deixará exemplos. Esse pode ser um bom sinal, se o seu partido souber aproveitar a parte boa do líder que agora está inserido numa cela, desperdício de liderança levado a um fim melancólico pela ganância pelo poder.

A política brasileira está prestes a mudar. O fato do chocante registro e estafante cobertura midiática a respeito da caótica prisão de Lula, o encarceramento do primeiro ex-presidente e homem que lidera as pesquisas do pleito de outubro de 2018, que em outra situação novamente ocuparia o Palácio do Planalto, deveria causar um grande impacto. Mas resta a dúvida se a sucessão de prisioneiros políticos poderá criar uma nova mentalidade político-partidária no País, diante da péssima qualidade das lideranças que assomam nas mais altas esferas e nos mais baixos quarteirões da política brasileira.

Praça dos Três Poderes em Brasília. Foto: José Cruz / Agência Brasil. Bússola. Foto: Oliver Gruener / Getty Images / Sobrefoto: aloart

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