Luta contra as drogas: ONU pede ação coletiva para efetivar compromissos globais


Terça-feira, 27 de junho de 2017 às 13h30


Para marcar o Dia Internacional contra o Abuso de Drogas e o Tráfico Ilícito – nesta segunda-feira (26) –, as Nações Unidas pediram a todos os países que honrem seus compromissos para combater as drogas. A ONU pediu também a adoção de medidas de enfrentamento que sejam consistentes com os direitos humanos e que promovam igualdade, paz, segurança e desenvolvimento sustentável.

ONU Brasil

Para marcar o Dia Internacional contra o Abuso de Drogas e o Tráfico Ilícito, nesta segunda-feira (26), as Nações Unidas pediram a todos os países que honrem seus compromissos para combater as drogas. A ONU pediu também a adoção de medidas de enfrentamento que sejam consistentes com os direitos humanos e que promovam igualdade, paz, segurança e desenvolvimento sustentável.

“Apesar dos riscos e desafios inerentes ao combate a esse problema global, eu espero e acredito que estamos no caminho certo. Juntos, podemos implementar uma abordagem coordenada, equilibrada e abrangente que levará a soluções sustentáveis”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres.

 

Usuário de drogas adolescente nas ruas escuras da Capital Federal. Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Senado

 

Em sua mensagem para a data, o chefe das Nações Unidas lembrou sobre a realização de uma sessão especial da Assembleia Geral que tratou do tema em 2016 – a UNGASS, na sigla em inglês –, quando governos concordaram com uma série de passos mais eficazes e humanos, e que não deixassem ninguém para trás.

“Eu sei por experiência pessoal como uma abordagem baseada em prevenção e tratamento pode render resultados positivos”, afirmou Guterres, referindo-se às medidas adotadas por ele enquanto primeiro-ministro de Portugal. Os passos incluem a descriminalização da posse de drogas para uso pessoal – uma flexibilidade apoiada pelas três convenções que tratam do controle de drogas.

Guterres também citou como medida positiva o maior financiamento para prevenção, tratamento e programas de reintegração à sociedade. Tais passos – sustenta o chefe da ONU – ajudaram o seu país a alcançar uma das mais baixas taxas de mortes por uso de drogas na Europa, bem como reduziram a prevalência de HIV entre usuários de drogas injetáveis.

“Estou orgulhoso desses resultados e espero que a experiência contribua para a discussão e encoraje os Estados-membros [da ONU] a continuar explorando soluções abrangentes e baseadas em evidências”, acrescentou o secretário-geral.

Ele observou que o processo de acompanhamento da sessão especial de 2016 inclui um quadro institucional de compartilhamento das melhores práticas. “Essa seria a melhor maneira possível de implementar as recomendações da UNGASS e obter um impacto positivo na vida de milhões de pessoas em todo o mundo”, disse.

O diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Yury Fedotov, também lembrou os compromissos feitos na sessão especial da Assembleia Geral, destacando os desafios que o abuso do uso de drogas e o tráfico ilícito representam para o desenvolvimento sustentável.

“Antigamente considerados elementos marginais nas etapas de desenvolvimento, as drogas e o crime são agora vistos como uma obstrução perturbadora para a realização da Agenda 2030 de desenvolvimento sustentável, particularmente o Objetivo três, sobre saúde, e o 16, sobre sociedades pacíficas”, afirmou Fedotov. Ele ressaltou a importância do comprometimento feito pelos Estados-membros das Nações Unidas ano passado.

O tema para a edição de 2017 do dia é “Ouça primeiro! Ouvir crianças e jovens é o primeiro passo para ajudá-los a crescer saudáveis e seguros”. A iniciativa quer aumentar a prevenção do uso de drogas com base em evidências científicas, tornando estas ações um investimento efetivo no bem-estar desse segmento da sociedade, bem como de suas famílias e comunidades.

Relatório global

Na semana passada, o UNODC lançou seu relatório global sobre o tema. Segundo o documento, cerca de 250 milhões de pessoas usavam drogas em 2015 no mundo. Desse total, cerca de 29,5 milhões — ou 0,6% da população adulta global — usavam drogas de forma problemática e apresentam transtornos relacionados ao consumo, incluindo a dependência.

Os opioides (ópio, morfina, heroína e derivados sintéticos) apresentam os maiores riscos de danos à saúde, representando 70% do impacto negativo associado ao consumo de drogas no mundo. Confira detalhes do Relatório Mundial sobre Drogas desse ano clicando aqui.

“Darkweb” tem sido usada para a venda de drogas para fins recreativos, tais como cannabis, ecstasy (foto), cocaína, alucinógenos e novas substâncias psicoativas (NPS). Foto: EBC

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