Mário Quintana, amenidades


Mario Quintana. Foto: Facebook

Mario Quintana. Foto: Facebook

Quarta-feira, 15 de outubro de 2014 às 09h36 - Atualizado às 12h01


“Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho”.
Mario Quintana
(Prosa e Versa 1978),
escritor, jornalista poeta e tradutor brasileiro.

 

 

Gerson Soares

Mario de Miranda Quintana nasceu na cidade de Alegrete em 30 de julho de 1906, no extremo Oeste do Rio Grande do Sul, palco de guerras fronteiriças contra argentinos, uruguaios e indígenas, onde até hoje é comemorada anualmente a Revolução Farroupilha. Sua mãe era professora de francês e seu pai farmacêutico e ele tinha mais três irmãos.

Monumento a Carlos Drummond de Andrade e a Mario Quintana, de autoria de Francisco Stockinger, na Praça da Alfândega, Porto Alegre, Brasil – 2007. Foto: Ricardo André Frantz / Wikipedia

O mais irritante de nos transformarem um dia em estátua é que a gente não pode coçar-se

Mario Quintana

O poeta no alto do Hotel Majestic. Foto: CCMQ / Divulgação

Fachada da Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre, Brasil – 2007. Foto: Ricardo André Frantz / Wikipedia. Obs. do fotógrafo: Não há recuo suficiente para uma captura total numa só foto, por isso a curvatura, artificial, decorrente do uso do software AutoStitch para compor esta fotomontagem com oito imagens parciais.

Faleceu em Porto Alegre em 1994, considerado um solitário não se casou nem teve filhos, vivendo grande parte da sua vida em hotéis. Entre 1968 e 1980, residiu no Hotel Majestic, no centro histórico de Porto Alegre. Sobre sua saída do hotel, há uma coincidência com os problemas financeiros do jornal Correio do Povo, onde Quintana trabalhava. Segundo consta, o poeta teria sido despejado por falta de pagamento. Apesar das buscas não conseguimos encontrar um esclarecimento compatível com a informação, pairando a dúvida. Quintana também exerceu a profissão de jornalista no jornal O Estado do Rio Grande.

Outro fato curioso, é que na ocasião o comentarista esportivo e ex-jogador da seleção Paulo Roberto Falcão cedeu a Quintana um dos quartos do Hotel Royal, de sua propriedade. A uma amiga que achou pequeno o quarto, Quintana disse: “Eu moro em mim mesmo. Não faz mal que o quarto seja pequeno. É bom, assim tenho menos lugares para perder as minhas coisas”.

Essa mesma amiga, contratada para registrar em fotografia os oitenta anos de Quintana, conseguiu um apartamento no Porto Alegre Residence, um apart-hotel no centro da cidade, onde o poeta viveu até sua morte. Ao conhecer o espaço, ele se encantou: “Tem até cozinha!”.

O quarto do poeta no antigo Majestic, de onde teria sido despejado, foi ironicamente transformado em 1983, na Casa de Cultura Mario Quintana e reconstruído com todos os detalhes, sob orientação da sobrinha-neta Elena Quintana – sua secretária de 1979 até o falecimento dele em 1994.

Apesar de sua intensa carreira literária, o poeta tentou por três vezes uma vaga na Academia Brasileira de Letras, mas em nenhuma das ocasiões foi eleito. Ao ser convidado a candidatar-se uma quarta vez, e mesmo com a promessa de unanimidade em torno de seu nome, o poeta recusou.

“Só atrapalha a criatividade. O camarada lá vive sob pressões para dar voto, discurso para celebridades. É pena que a casa fundada por Machado de Assis esteja hoje tão politizada. Só dá ministro.”
— Mario Quintana

“Se Mário Quintana estivesse na ABL, não mudaria sua vida ou sua obra. Mas não estando lá, é um prejuízo para a própria Academia.”
— Luís Fernando Veríssimo

“Não ter sido um dos imortais da Academia Brasileira de Letras é algo que até mesmo revolta a maioria dos fãs do grande escritor, a meu ver, títulos são apenas títulos, e acredito que o maior de todos os reconhecimentos ele recebeu: o carinho e o amor do povo brasileiro por sua poesia e pelo grande poeta e ser humano que ele foi...”
— Cícero Sandroni

“Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro – o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu...”
Mario Quinana - Texto escrito pelo poeta para a revista Isto É, de 14-11-1984.

“O mais irritante de nos transformarem um dia em estátua é que a gente não pode coçar-se”.
Quintana para Carlos André Moreira. Jornal Zero Hora, Porto Alegre/RS - Caderno Donna, em 30-07-2006.

Com informações da Wikipedia


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Autor: alotatuape

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