Memória de SP: Usina de Itupararanga – a chegada do Grupo Light ao interior


1911 – Rio Sorocaba visto a montante, no início das obras da Usina de Itupararanga. À frente, homens trabalham na entrada do canal de desvio. Foto: Arquivo FES-SP

1911 – Rio Sorocaba visto a montante, no início das obras da Usina de Itupararanga. À frente, homens trabalham na entrada do canal de desvio. Foto: Arquivo FES-SP

 


Quarta-feira, 10 de junho de 2015, às 05h45


Fundação Energia e Saneamento

Inaugurada no dia 26 de maio de 1914, a Usina Hidrelétrica de Itupararanga é um dos marcos do início da atuação da empresa anglo-canadense Light no interior do Estado. Instalada no rio Sorocaba, na Serra de São Francisco, em Votorantim, a usina centenária ainda opera com os geradores e turbinas originais e a sua represa – hoje a maior reserva de água de Sorocaba – é responsável pelo abastecimento de seis cidades da região.

São Paulo Electric Co. Ltda

Itupararanga começou a ser construída em 1911 pela São Paulo Electric Company, associada da Light. Para a construção da nova usina, a companhia obteve terrenos adjacentes ao Salto de Itupararanga, uma queda d’água de 80 metros de altura. A construção da hidrelétrica mobilizou, logo de início, aproximadamente dois mil operários, e a chefia dos trabalhos coube ao engenheiro inglês Frank Robotton. A primeira unidade geradora foi acionada no dia 26 de maio de 1914 – sendo as unidades dois e três inauguradas nos dias 10 de junho e 22 de agosto do mesmo ano, respectivamente.

 

Vista geral da Usina de Itupararanga. Ao centro, as linhas adutoras e as moradias dos trabalhadores. S.d. Foto: Arquivo FES-SP

Vista geral da Usina de Itupararanga. Ao centro, as linhas adutoras e as moradias dos trabalhadores. S.d. Foto: Arquivo FES-SP

 

À época, Itupararanga tinha como prioridade gerar energia para ser enviada à cidade de São Paulo, de forma a auxiliar a produção da Usina de Parnaíba, que não possuía mais capacidade de atender ao crescente consumo de eletricidade da Capital.

Em 1914, o Estado passava por uma seca rigorosa e o início das atividades de Itupararanga aliviou a pressão sobre Parnaíba e a termelétrica Paula Souza, instalada na Capital em 1912 para complementar a demanda por energia. Inicialmente com a capacidade de 30.000 kW, a hidrelétrica de Itupararanga foi ampliada e sua potência máxima chegou a 56.000 kW em 1925.

 

Vista parcial da barragem já inaugurada, destacando o reservatório principal. 1916. Foto: Guilherme Gaensly / Arquivo FES-SP

Vista parcial da barragem já inaugurada, destacando o reservatório principal. 1916. Foto: Guilherme Gaensly / Arquivo FES-SP

 

Hoje centenária, a Usina de Itupararanga deixou de abastecer as cidades da região para atender apenas às necessidades do Grupo Votorantim, ao qual pertence. No entanto, segue inalterada a sua importância como reservatório para o abastecimento público, assegurada com a criação, em 1998, da Área de Proteção Ambiental (APA) de Itupararanga. A APA abrange a bacia hidrográfica formadora do manancial, rico em biodiversidade, e que se tornou um ponto de lazer e pesca.

“Com a sua produção de energia elétrica, as usinas do Itupararanga são o mais importante conjunto hidroelétrico da América do Sul e ocupam o sétimo lugar entre as suas congêneres de todo o mundo”

O Estado de S. Paulo, 17 de dezembro de 1913

1911 – Início das obras da Usina de Itupararanga, com a escavação de rochas do futuro canal. Foto: Arquivo FES-SP

 

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1913 – Vista da construção da barragem principal da Usina de Itupararanga. Foto: Arquivo FES-SP

17/4/1914 – Turbina número 1 da Usina de Itupararanga, um mês antes da inauguração. Foto: Arquivo FES-SP

1916 – Ponte metálica sobre o rio Sorocaba. Em 1915, após a construção da Usina, a São Paulo Electric implantou o serviço de bondes elétricos em Sorocaba. Foto: Guilherme Gaensly / Arquivo FES-SP

Hotéis italianos no Largo do Brás. Na capital, além do Brás, os bairros do Bixiga e Mooca eram redutos da colônia italiana em São Paulo. 26/8/1900.  Guilherme Gaensly

Hotéis italianos no Largo do Brás. Na capital, além do Brás, os bairros do Bixiga
e Mooca eram redutos da colônia italiana em São Paulo. 26/8/1900.
Guilherme Gaensly

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