MTST voltará a protestar contra Plano Diretor de São Paulo, diz coordenador

Quarta-feira, 18 de junho de 2014 às 16h40

 

Mariana Tokarnia – Agência Brasil / 17.06.2014 – 23h59 | Atualizado em 18.06.2014 – 08h58
Edição: Carolina Pimentel

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) deve voltar a protestar nesta quarta-feira (18) contra a condução da revisão do Plano Diretor da cidade de São Paulo, informou o coordenador nacional do movimento, Guilherme Boulos, em entrevista ao programa Espaço Público, da TV Brasil, na noite de hoje (17). A expectativa do MTST é reunir 15 mil pessoas na manifestação, que ocorrerá na Avenida Paulista. Boulos disse que apesar do acordo com o governo federal, o movimento não deixará as ruas.

Guilherme Boulos. Foto: Agência Brasil

Guilherme Boulos. Foto: Agência Brasil

“Para o MTST, estar nas ruas e fazer mobilização não é um ponto negociável. Não fechamos nenhum acordo nesse sentido”, disse. “O que nos comprometemos foi a não fazer mobilizações que inviabilizem a Copa do Mundo. E não iremos inviabilizar. Foram R$ 2 bilhões em segurança para impedir que a Copa seja inviabilizada”. A intenção da manifestação, explica ele, é denunciar o lobby do setor imobiliário no plano diretor.

O Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo é o principal instrumento de planejamento urbano. Os instrumentos estão sendo revistos “para organizar melhor os espaços da cidade”, como informa o site da prefeitura. O plano vigente é o de 2002.

Boulos explica que não apenas São Paulo, mas o país precisa reverter a lógica urbana. A política urbana não pode ser apenas habitacional é preciso oferecer infraestrutura – escolas, transporte, saúde, bibliotecas – aos moradores, segundo ele. “É preciso uma política que não seja excludente. É disso que se trata quebrar os muros sociais. Temos os bairros centrais que são providos de infraestrutura e os periféricos, onde os trabalhadores são jogados, os serviços são precários e a estrutura é precária”.

Nesse sentido, o coordenador do MTST critica o Programa Minha Casa, Minha Vida, um dos principais do governo federal. “O programa faz moradias ruins e mal localizadas”, disse e acrescenta que os grandes beneficiados são as empreiteiras, que recebem a mesma quantia do governo independente do local e da qualidade do que constroem. Apesar disso, reconhece que o programa “foi a grande política habitacional depois de 30 anos, desde a década de 80”.

Boulos também diz que o problema habitacional do Brasil poderia ser resolvido com desapropriações, que não são feitas por falta de legislação e porque esbarram em interesses econômicos de grandes grupos imobiliários. De acordo com ele, o déficit habitacional do Brasil chega a 7 milhões de unidades habitacionais. Na outra ponta, o número de unidades ociosas é 6,1 milhões. “A maioria dos prédios não está condenada. Está vazia por especulações. Esperando investimentos para que possa ser vendida a valores mais altos”.

Perguntado sobre o que é não ter acesso a moradia, responde: “É a desestruturação da vida como um todo. Pense nisso, uma família, pai, mãe, filhos, morando no mesmo cômodo, que estutura familiar se construiu? As pessoas não têm as condições básicas de subsistência e sobrevivência”. O coordenador acrescenta que a conquista da moradia digna “é um passo para que as pessoas vivam dignamente”.

alotatuape

Autor: alotatuape

Share This Post On

Enviar um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*