Mudança da CEAGESP vai muito além de encontrar um endereço novo


Quarta-feira, 24 de junho de 2015, às 19h15


Para Mário Maurici, escolha do local para instalação do entreposto da capital deve levar em conta uma série de fatores logísticos e de gestão.

A assinatura do termo de cooperação entre os ministérios da Agricultura e do Planejamento e a Prefeitura de São Paulo, ocorrido nesta terça-feira (23/6), em Brasília, representa um compromisso real com o futuro da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP). Essa é a opinião do presidente da empresa, Mário Maurici, que esteve presente ao ato.

 

Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo na zona Oeste da cidade: um gigante que alimenta outro. Atualmente, o maior entreposto da América Latina provoca impacto urbanístico, segundo levantamentos. Foto: CEAGESP / Divulgação

Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo na zona Oeste da cidade: um gigante que alimenta outro. Atualmente, o maior entreposto da América Latina provoca impacto urbanístico, segundo levantamentos. Foto: CEAGESP / Divulgação

 

“Trata-se de uma demonstração mais política e de entendimento entre os agentes públicos envolvidos, no sentido de mostrar à sociedade que o governo federal tem a intenção de operar, de fato, a transferência de endereço do entreposto da capital paulista”, afirma.

Inaugurado em 1969, o Entreposto Terminal São Paulo (ETSP), situado na Vila Leopoldina, na zona Oeste de São Paulo, é a maior central de abastecimento de frutas, legumes, verduras, flores, pescados e diversos (alho, batata, cebola, coco seco e ovos) da América Latina.

No espaço de 700 mil metros quadrados, os permissionários comercializam os mais variados produtos, que vêm de 1.500 municípios de 22 estados brasileiros e também de outros 19 países. Pelo local, circulam diariamente cerca de 50 mil pessoas e 12 mil veículos, (a prefeitura estima em 14 mi) além de 11 mil toneladas de alimentos frescos (frutas, legumes e verduras).

Desafios

“A ministra Kátia Abreu, da Agricultura nos deu uma tarefa difícil. Ela traçou um horizonte de dois anos para implantação do novo mercado. Há situações que independem da nossa governabilidade, como o processo de licenciamento ambiental e a participação da iniciativa privada. O projeto de transferência está orçado entre R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões. A CEAGESP não tem esse recurso. Quando se fala de gestão compartilhada, a dúvida é se há empresários dispostos a colocar dinheiro para construir um novo mercado ou se eles querem que o Governo Federal faça o investimento e lhes entregue a administração. É preciso discutir bem o assunto”, explica.

Segundo Mário Maurici, não há dúvidas quanto à necessidade da mudança do ETSP para um outro endereço: “Há hoje uma dificuldade em virtude do que representa a operação de um equipamento público desse porte, que é um dos maiores do mundo, dentro da mancha urbana. Da maneira como ele se encontra atualmente, acaba criando uma trava para o desenvolvimento urbanístico da cidade. Por isso, temos de transferir e, ao mesmo tempo, transformar o entreposto para uma situação onde a logística seja mais tranquila, ágil e fácil para o abastecimento, com reflexos evidentes na qualidade e no custo dos alimentos para o consumidor paulistano.”

Mercado do futuro

Na avaliação do presidente da CEAGESP, é preciso aprofundar os estudos em relação ao local ideal. Para tanto, as análises devem levar em conta as logísticas de recebimento e de distribuição dos produtos. “Vamos ter que fazer essa nova construção imaginando os próximos 50 anos. Daí que não podemos errar em hipótese alguma. A área escolhida, que seguramente não pode ser inferior a 1 milhão de metros quadrados, irá depender do conceito arquitetônico que teremos. Nos países ocidentais, a maioria dos mercados são construções horizontais. Mas na Ásia eles são verticalizados. Ou seja, é preciso analisar o que é mais caro: se o custo do terreno ou da obra”, aponta.

Mário Maurici chama a atenção ainda para dois outros fatores que, necessariamente, devem ser considerados nessa discussão. “Como iremos atender o público que frequenta o espaço atual, caso a decisão seja ir para uma área mais distante? Há hoje uma população fixa de 15 mil pessoas entre funcionários, comerciantes e carregadores. Sem falar na infraestrutura como farmácias, restaurantes e posto de gasolina. Tudo isso precisa ser bem pesado na escolha do lugar em que o entreposto vai operar. Não podemos permitir que o novo mercado seja um fator de desenvolvimento desordenado do seu entorno, até para se evitar os problemas que existem hoje no endereço atual”, diz.

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