Nelson Mandela (re)nasce, mais uma vez, neste dia

Nelson Mandela, em Joanesburgo, Gauteng, em 13 mai 2008. Primeiro presidente da África do Sul. Foto: South Africa The Good News

Mandela entre os anos de 1937 e 1939. Usando o terno que o rei Bambata mandou-lhe fazer para ingressar na Universidade Fort Hare. Foto: Wikipedia

Mandela queima um passe obrigatório, em 1960. Foto: Wikipedia

Sexta-feira, 18 de julho de 2014 às 7h48 – Atualizado às 17h59


Gerson Soares

Hoje comemora-se mundialmente o Nelson Mandela Day. O nome completo do ex-presidente da África do Sul, que hoje completaria 96 anos é Nelson Rolihlahla Mandela – o Madiba.

Muito se falou, está sendo falado e ainda será dito sobre o seu exemplo, mas podemos começar pelo significado de seus nomes que parecem ter sido um prenúncio do destino e do lugar onde nasceu. Filho de Nkosi Mphakanyiswa Gadla Mandela com Nosekeni Fanny, sua terceira esposa, Nelson tinha mais 12 irmãos e seus pais eram analfabetos. Seu clã, o dos Madiba, pertence ao povo Thembu e fazem parte da nação Xhosa, que ocupa um território no interior do Transkei, entre a cidade do Cabo e Natal, que tornou-se uma reserva nativa, após as guerras contra os conquistadores ingleses.

Na linguagem Xhosa, Mandela sempre é lembrado como Madiba, cujo significado remete a um chamamento de carinho e respeito ao seu clã – nome herdado de um chefe guerreiro dos Thembu que viveu no século XVIII. Chamavam-no de Tata que significa pai, com ênfase de ser o precursor da democracia na África do Sul ou de Khulu (abreviatura de Bawonkhulu) que quer dizer avô, o grande e supremo. Como outros meninos de seu clã, foi iniciado no tradicional rito de passagem onde eles deixam a infância para a vida adulta, durante a cerimônia de circuncisão aos 16 anos, quando recebeu o nome de Dalibhunga – criador ou fundador do conselho ou convocador do diálogo. Mandela registrou no seu diário a impressão daquela experiência: “Em uma semana a ferida cicatrizou, mas sem anestesia a incisão era como se chumbo derretido estivesse correndo nas minhas veias”.

Nkosi, seu pai, era um chefe local e conselheiro do regente e o nome Dalibhunga, lembra que Mandela estava sendo preparado pela família para suceder o patriarca. Sobre sua aldeia natal ele escreveu, na autobiografia, que “era um lugar distante, um pequeno distrito afastado do mundo dos grandes eventos, onde a vida corria da mesma forma como há centenas de anos.” O nome de nascimento dado pelo pai é Rolihlahla, que significa “puxar o galho de uma árvore”, mas coloquialmente significa “encrenqueiro”.

Rei Bambata com um guerreiro, que chefiou uma rebelião em 1906 – um dos heróis que povoaram a infância de Mandela. Foto: Autor desconhecido. Texto: Stuart, J. (1913), Historia da Rebelião Zulu, 1906. Londres: Macmillan and Co. pp. 581, página 189.

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Autor: alotatuape

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