Novas tecnologias ajudam atletas e torcida no Rio 2016


Sexta-feira, 24 de junho de 2016, às 13h26


Sistemas inéditos de arbitragem fazem estreia em Jogos Olímpicos, como o sistema de desafio no vôlei e no vôlei de praia.

Por Fernanda Ezabella do Rio 2016

Enquanto atletas do mundo todo se preparam para derrubar recordes nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, uma revolução tecnológica acontece nos bastidores para ajudar em suas performances ou na experiência visual dos espectadores. Entre as novidades estão contadores subaquáticos, alvos eletrônicos, sistemas de GPS em canoas e até realidade virtual.

 

Evento-Teste de canoagem de velocidade, que aconteceu em setembro na Lagoa e já contou com GPS. Foto: Alex Ferro/Rio 2016

Evento-Teste de canoagem de velocidade, que aconteceu em setembro na Lagoa e já contou com GPS. Foto: Alex Ferro/Rio 2016

 

Voleibol e Vôlei de Praia

O sistema de challenge (desafio), quando um time contesta a decisão do árbitro, estreia no Rio 2016 com cerca de 10 câmeras instaladas em quadra e na rede para tirar dúvidas da arbitragem e também do público. O objetivo é analisar bola dentro ou fora da quadra, toque no bloqueio, invasão de quadra, saque e invasão da linha de três. As cenas da jogada em questão são exibidas no telão para os espectadores.

“O sistema deu um upgrade na arbitragem”, diz Cristiana Figueira, gerente de competição do voleibol no Comitê Rio 2016, que destaca também a dose extra de emoção dos torcedores. “O público fica desesperado esperando. Tem vaia, tem aplauso...”.

Nas mesmas modalidades, o que antes era escrito à mão agora é digital, com a ajuda de tablets. A súmula eletrônica do jogo reúne informações como pontuação, cartão amarelo e pedidos de tempo, tudo disponibilizado automaticamente na internet.

Natação

Um contador eletrônico é instalado debaixo d’água na raia de cada nadador para registrar o número de voltas nas provas longas de 800m nado livre e 1.500m nado livre. O equipamento da Omega também exibe as parciais de cada volta. O atleta pode optar pelo desligamento no momento da prova. “Desobriga o atleta a pensar sobre onde ele está para poder focar mais na performance”, diz Eduardo Gayotto, gerente de competição de natação.

O sistema foi usado pela primeira vez no Campeonato Mundial de Kazan, em 2015, e testado no Troféu Maria Lenk, evento-teste do Rio 2016. O contador, que tem cerca de 30cm por 20cm, fica próximo da virada dos dois lados da piscina, a cerca de 10 metros da borda. “Assim que ele vira já vê quantos metros percorreu”, afirma Gayotto.

 

Os contadores debaixo d’água. Foto: Rio 2016

Os contadores debaixo d’água. Foto: Rio 2016

 

Canoagem de Velocidade e Remo

Um aparelho de GPS colado nas embarcações das duas modalidades mostra em tempo real a posição do atleta, sua velocidade e seu deslocamento. Os dados são transmitidos para o telão, e o público pode acompanhar o desempenho dos barcos, principalmente a aceleração e a velocidade em relação aos seus adversários. O sistema da Omega já foi usado com sucesso durante evento-teste.

“O atleta não recebe nenhuma informação, nem sobre o que está acontecendo com ele ou com seus adversários”, explica Sebastián Cuattrin, gerente de competição de canoagem do Rio 2016. “Para o espectador, muda a dinâmica completamente porque no telão é possível enxergar a diferença entre a tática de um atleta e outro, principalmente nos momentos de troca de velocidade.”

Tiro com Arco

A pontuação deixa de depender apenas do olhar do árbitro e ganha um sistema eletrônico que dará o resultado imediato na mesa técnica dos árbitros. O alvo de 1,22m continua sendo o mesmo de papel, mas aplicado sobre uma estrutura calibrada eletronicamente chamada Falco Eye. A tecnologia não aparece para o espectador, mas agiliza a competição. “Na hora que a flecha atinge o alvo, aparece de imediato o resultado na tela com extrema precisão, o que ajuda na rapidez dos resultados e para tirar quaisquer dúvidas”, diz Luiz Eduardo Almeida, gerente de competição da modalidade.

 

Evento-teste de tiro com arco. Foto: Rio 2016/Mathilde Molla

Evento-teste de tiro com arco. Foto: Rio 2016/Mathilde Molla

 

Na “flecha da morte”, quando os atletas empatam e têm mais uma única tentativa de tiro, caso os dois acertem a mesma faixa de pontuação, o espectador vê na tela a medição imediata da distância das flechas ao centro. Através de um gráfico, sabe-se imediatamente o vencedor da disputa. O público também poderá acompanhar o batimento cardíaco do atleta ao vivo.

Tiro Esportivo

O alvo eletrônico, um grande avanço tecnológico adotado desde Pequim 2008, evoluiu e agora faz a leitura e o cálculo do local do impacto do projétil por meio de um feixe de laser, em substituição ao modelo anterior por onda sonora. “Agora temos uma precisão milimétrica na apuração do resultado”, diz Ericson Andreatta, gerente de competição.

Outra inovação é na segurança, com um registro em tempo real do controle de estoque das armas. “Todas as armas são identificadas com etiquetas de rádio frequência. Ao saírem da reserva de armamento, são automaticamente identificadas, fotografadas e filmadas para garantir que estão sendo transportadas por seu dono”, explica.

Home Test-match part II.

 

Pentatlo Moderno

Durante o aquecimento para o tiro, os atletas podem ajustar a mira por meio de um aplicativo que indica a posição exata onde o tiro a laser atingiu o alvo. A informação é transmitida por meio de wifi para o celular ou tablet do atleta e do treinador.

Levantamento de Peso

Uma nova câmera traz ângulos inovadores, instalada num trilho em L de 10 metros que segue os movimentos do atleta desde o momento em que ele pisa na plataforma. “Vamos conseguir ter tomadas do movimento bastante completas. Normalmente, você tem ou uma tomada de lado ou uma tomada de frente. Agora, temos todos os ângulos”, diz Eduardo Villanova, gerente de operações técnicas da modalidade.

 

Evento-teste de levantamento de peso na Arena Carioca 1. Foto: Rio 2016/Gabriel Nascimento

Evento-teste de levantamento de peso na Arena Carioca 1. Foto: Rio 2016/Gabriel Nascimento

 

Realidade virtual

A realidade virtual (VR, na sigla em inglês) é uma das maiores novidades destes Jogos. A Olympic Broadcasting Services (OBS), responsável pela geração e transmissão de imagens do Rio 2016, captará pela primeira vez imagens de alta definição em VR nas cerimônias de abertura e encerramento, além de mais um evento por dia. As imagens em 360 graus podem ser acessadas com ou sem óculos especiais.

Já a Samsung lançou um vídeo em 360 graus batizado “Vanuatu Dreams”, que pode ser visto com os recém-lançados óculos de realidade virtual da marca. O vídeo deve ser baixado no aplicativo Milk VR, disponível apenas para celulares da linha Galaxy. Durante três minutos, o usuário acompanha um treino da dupla de vôlei de praia Miller Pata e Linline Matauatu, de Vanuatu, ilha da Oceania que compete nos Jogos Rio 2016.

 

Miller Pata e Linline Matauatu, de Vanuatu, em vídeo 360 graus. Foto: Divulgação

Miller Pata e Linline Matauatu, de Vanuatu, em vídeo 360 graus. Foto: Divulgação

 

Anel de pagamento

A Visa lança, em parceria com o Bradesco, uma pulseira que funciona nas maquininhas de débito, através de uma tecnologia chamada NFC (Near Field Communication), que opera por proximidade para trocar dados criptografados. Todos os 4 mil pontos de venda nas arenas Olímpicas têm suporte NFC, e cerca de 3 mil pessoas vão testar a pulseira.

No mesmo período também será lançado um anel de pagamento, que utiliza a mesma tecnologia e será distribuído apenas aos 45 atletas que a Visa patrocina no Rio 2016, incluindo oito brasileiros. O acessório é resistente à água até uma profundidade de 50 metros.

 

rio2016 techs anel pagto

 

Tecnologia verde

Toda a área de tecnologia da informação dos Jogos está nas mãos da Atos, que pela primeira vez hospeda parte de sua operação na nuvem, diminuindo bastante a necessidade de servidores. Foram de 719 em Londres 2012, contra 250 no Rio 2016. Em maio, um ensaio de três dias testou o funcionamento de toda a estrutura Olímpica, mobilizando 500 pessoas nas 37 arenas de competição. Ao todo, 500 cenários foram testados, desde a falta de um chefe até incêndio em uma instalação.

“A equipe está muito bem preparada”, disse Michèle Hyron, chefe de integração para Rio 2016 da Atos. O cuidado é tão grande que há até um centro de operações reserva para o caso de problemas graves na sede do Comitê Rio 2016. Situado num local secreto, o espaço teve sua estrutura testada há cerca de dois meses.

 

Michèle Hyron, chefe de integração para Rio 2016 da Atos, na sede do Comitê. Foto: Rio 2016

Michèle Hyron, chefe de integração para Rio 2016 da Atos, na sede do Comitê. Foto: Rio 2016

Yuzhuo Hou (E), da China, enfrenta a britânica Jade Jones na final da categoria até 57kg em Londres 2012. Foto: Hannah Peters/Getty

Taekwondo: Yuzhuo Hou (E), da China, enfrenta a britânica Jade Jones na final da categoria até 57kg em Londres 2012. Foto: Hannah Peters/Getty

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