O dilema de quem faz transplante de órgãos no Brasil: um país de todos ou de alguns?


Quinta-feira, 16 de abril de 2015 às 05h53 – Publicado originalmente no dia 11 de fevereiro de 2014


O Ronaldo garante: “Está tudo pronto para a maior Copa do Mundo de todos os tempos no Brasil”. E nós garantimos: “O Brasil não sabe nem cuidar do seu povo, quanto mais dos outros”.

Gerson Soares
Ronaldo diz que está tudo pronto, a presidente também. Os copeiros de plantão dizem que será a maior copa de todos os tempos. Mas, o povo brasileiro, não tem encostos ou cadeiras para esperar os remédios que demoraram até 7 horas para serem entregues. Foto: aloimage (celular)

Ronaldo diz que está tudo pronto, a presidente também. Os copeiros de plantão dizem que será a maior copa de todos os tempos. Mas, o povo brasileiro, não tem encostos ou cadeiras para esperar os remédios que demoraram até 7 horas para serem entregues. Foto: aloimage (celular)

Brasil um país de todos, onde tudo está preparado para receber os visitantes e torcedores que assistirão à Copa do Mundo, nos estádios construídos com muito suor, fome, calor, frio e sangue. Um sangue que corre nas veias e pulsa por justiça.

Brasil um país onde a presidente pede plebiscito para resolver os protestos das ruas, que eclodiram em junho do ano passado e certamente entraram para a história da luta desarmada por dias melhores para o povo – diferente das lutas armadas de outrora, às quais muitos dos que estão e exercem o poder no Brasil se utilizaram.

Brasil onde bravatas funcionam como cabos eleitorais, onde viver da ajuda governamental é tido como avanço social aos famintos. Este não é um país de todos, é um país de alguns. Em que leis protegem bandidos e execram o poder da Justiça e onde a justiça não é exercida plenamente, pois a pior mazela desta sociedade, a corrupção, ainda grasna e rola.

O Brasil não está pronto para a Copa, não tem condições de arcar nem mesmo com as responsabilidades constitucionais relativas à sua gente. Foto: aloimage (celular)

O Brasil não está pronto para a Copa, não tem condições de arcar nem mesmo com as responsabilidades constitucionais relativas à sua gente. Foto: aloimage (celular)

Brasil onde as chuvas tropicais ceifam vidas, onde o planejamento foi esquecido, e para amainar os corações a ajuda, em milhões de reais, chega através de Medida Provisória para ultrapassar os muros da burocracia em ano de eleição. Mas onde a resolução de problemas como enchentes e seca são esquecidos a cada verão ou a cada partida de futebol, regados a churrasco e cerveja, antes ou depois da novela.

Enquanto olhamos e tentamos rever o macrocosmo brasileiro, pedimos a atenção das autoridades ao tema principal desta reportagem especial do Alô Tatuapé: O calvário dos transplantados que poderia ser aliviado com medidas mais eficientes e humanitárias, mas principalmente com boa vontade. E a falta de organização para a recepção de órgãos doados por famílias em momentos difíceis, onde a vida pode suplantar a morte. Para isso precisamos de planejamento. Não aqueles planejamentos, os quais ouvimos falar há décadas, como a famigerada reforma política. Precisamos de planejamento a curtíssimo prazo.

Senhores políticos, senhores embaixadores da Copa, copeiros e companhia ilimitada. Senhores, olhem pelos brasileiros seus irmãos antes de se colocarem à frente das câmeras e dizer que tudo está pronto para a Copa. Nada está e tudo falta, principalmente sensibilidade. Os bilhões investidos na Copa Mundial de Futebol, também entram para a história, como a maior falta de sensibilidade para com as necessidades mais prementes do próprio povo brasileiro, apenas para alegrar alguns. Pior do que isso? Saber que é com o dinheiro desse povo que sente na pele o descaso, a vergonha de ser tão humilhado, que tudo estará pronto, segundo os copeiros. Nada estará, até que o governo resolva começar uma faxina generalizada, colocando a ordem e o progresso no seu devido lugar, como fizeram outros países que hoje são exemplos de educação e evolução, superando e muito o Brasil, que é tão grande e tão pequeno.

Nada estará pronto até que isto não mais seja visto. Esta situação não é recente e as cenas que vemos não são montagens. Isto é o Brasil real e estamos em São Paulo, a maior capital brasileira. Foto: aloimage (celular)

Nada estará pronto até que isto não mais seja visto. Esta situação não é recente e as cenas que vemos não são montagens. Isto é o Brasil real e estamos em São Paulo, a maior capital brasileira. Foto: aloimage (celular)

Alô Tatuapé manteve sua posição de que o Brasil jamais deveria sediar uma Copa do Mundo, construindo estádios e gastando rios de dinheiro, enquanto as situações aqui descritas e tantas outras, levadas claramente às ruas em junho do ano passado e através da imprensa cotidianamente existirem. Se tivéssemos a certeza de que com a realização desse evento e todos os lucros advindos (com organização e transparência, o que não é o caso) tomassem o rumo das necessidades do povo, também apoiaríamos as ideias dos defensores da Copa no país. Os que apoiam esse evento mundial, como brasileiros, sabem que o país não é um exemplo, nem no futebol e nem em organização e planejamento. A prova disso está nas manchetes dos jornais e revistas, no caos diário e em paradoxo deslavado na riqueza esbanjada e divulgada ao mundo.

A saúde e a educação estão sendo deixados de lado para mais uma partida de futebol. Quando as dores dos rolezinhos e rolezões, dos arrastões e manifestações legítimas e também das ilegítimas sangrarem, será tarde demais. Talvez já seja, mas a esperança vive no coração de pessoas como Zé Mauro, que depois de lutar pela vida da filha durante sete longos anos, sendo conhecido nos corredores do Hospital de Clínicas da Unicamp em Campinas, doou seu próprio corpo, seu próprio rim, dedicando parte do tempo de sua vida por amor à filha até hoje, 17 anos depois. Resignado enfrentou quase 8 oitos sem comida no dia 3 de janeiro (2014), bebendo a água quente que brotava do único bebedouro do Posto da Vila Mariana, onde ficava a Farmácia de Alto Custo, para conseguir levar para casa o remédio salvador e entregar à sua filha.

Parabéns Zé Mauro, gente como você nos dá esperança!


Copa do Mundo – para constar nesta atualização:

Apesar de todos os protestos e contrariedades do povo, insensível aos anseios populares, o governo brasileiro realizou o torneio e perdeu a Copa do Mundo, envergonhando aqueles que realmente mereciam a vitória da Seleção jogando em casa – como os antigos jogadores que honravam a camisa amarela. Foram gastos milhões em nome da arrogância, sem obter o retorno esperado ou tampouco o resultado. Por fim, a Seleção Brasileira deixou a competição com um vexaminoso e melancólico resultado negativo de 7 x 1 para a organizada Alemanha.

 


 

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