O esvaziamento da greve dos metroviários

Terça-feira, 10 de junho de 2014 às 8h03 – atualizado às 9h56

Gerson Soares

Desde sábado, quando atingiu momentos de tranquilidade e tensão, a greve dos metroviários foi sendo esvaziada. na sexta-feira, o governo já informava que os alguns estavam voltando ao trabalho. No domingo, depois de o TRT-2 ter julgado a paralisação abusiva, a greve praticamente só deixava dúvidas aos milhões de usuários que utilizam o transporte. Praticamente os funcionários esvaziavam a tentativa de conseguir alguns benefícios extravagantes, baseados no aumento do trabalho, se justos ou não, não caberia à população pagar por isso, sendo que na verdade já paga pelos inúmeros benefícios da categoria, que emerge como uma das melhores dentre os brasileiros que padecem no próprio sistema de transportes oferecido pelo governo, que só agora – depois destes sete anos de suplício ouvindo falar da Copa do Mundo que ninguém entendeu porque veio a acontecer num Brasil sem condições de realizá-la – recebe alguma atenção.

Ilustração: aloart

Ilustração: aloart

 

No transporte público de São Paulo, trabalhadores, jovens e idosos se amassam como sardinhas em lata – até elas vivem melhor em suas latinhas, mais espaçosas. As mulheres sofrem ainda mais com a falta de pudor e caráter exercida sordidamente por aproveitadores nas lotações, e este assunto gerou diversos tipos de consequências e campanhas contra o assédio contra elas, inclusive dos metroviários que conhecem bem o assunto. Há razão no que alegam, de que o transporte praticamente quadruplicou o número de usuários nos últimos 14 anos com menos funcionários, mas essa abordagem deveria ser interna, feita pela diretoria e o sindicato, a população poderia ser preservada de mais esse transtorno, já que não são poucos os que enfrentam diariamente, no quesito mobilidade urbana e suas parcas opções.

Por fim, hoje (10) os grevistas voltam ao trabalho sem nenhuma conquista, conseguiram alguma coisa nos vales de alimentação, mas o aumento proposto foi aceito. Ao Sindicato dos Metroviários coube o saldo de 42 demitidos por justa causa, 500 mil reais de multa, a ira de 5 milhões de usuários. A seu favor, alguns juristas que alegam não ter sido respeitado o direito de greve. Contra si, os metroviários ainda terão a ira das famílias dos demitidos, a penhora dos bens e contas do sindicato para garantir o pagamento da multa e o peso do olhar da sociedade paulistana muito conhecida pela vontade e necessidade que tem de trabalhar, sendo que a greve causou cinco dias de confusão, sob vários aspectos.
Ainda ontem recebemos o texto em curto artigo de um advogado que acusa “o governo de não ser bom patrão”. Acrescentamos a isso que também não é bom gestor, guardadas as exceções. Pois se fosse, não chegaríamos aonde chegamos, enfrentando o caos diário do trânsito, a burocracia, a falta de planejamento nos mais diversos setores – da economia, educação, saúde, segurança e legais, que incansavelmente apontamos – ao deixar tudo para a última hora – como mostram os preparativos para a Copa.

Mas deflagrar uma greve em que as exigências foram muito além do que outras categorias têm recebido em seus dissídios e levar uma categoria ao confronto, prejudicando milhões de pessoas, isso sem contar as inúmeras consequências não noticiadas por desconhecimento ou falta de tempo, espaço em letras e folhas para enumerá-las, é no mínimo inconsequente. O sindicalismo no Brasil jamais foi bem visto pelos próprios sindicalizados, o que se percebe é a perpetuação das dificuldades para fornecer, a preço, as facilidades. Os fatos de mais este episódio, que não se escondem, coloca o Sindicato dos Metroviários distante da legitimidade de intenções.

Está marcada uma nova assembleia da categoria para o final da tarde de amanhã (11), a fim de saber se entrarão em greve novamente no dia da abertura da Copa, na próxima quinta-feira. Vamos aguardar os próximos capítulos. Enquanto isso, os milhões de usuários devem ficar exaltados a cada manhã, a cada final de tarde, sem poderem planejar suas vidas, sem saber como voltarão para suas casas ou chegarão ao trabalho, enquanto os metroviários e o sindicato decidem os seus rumos.

 

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Autor: alotatuape

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