O maior golfinho de água doce do mundo


Segunda-feira, 27 de outubro de 2014, às 15h23

Animal tem sido utilizado como isca para pesca de peixe com baixo valor comercial. Populações estão sendo reduzidas a uma taxa de 10% ao ano desde que o consumo de piracatinga aumentou na Colômbia.

Botos são mortos para virar isca para pesca de piracatinga. Foto: photobucket.com

Botos são mortos para virar isca para pesca de piracatinga. Foto: photobucket.com

Símbolo de diversas lendas da Amazônia, o boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) é o maior golfinho de água doce do mundo. Também conhecido como boto-vermelho ou boto-da-amazônia, o animal é endêmico das bacias dos rios Amazonas e Orinoco. Dentre os golfinhos de água doce, é o que apresenta a maior distribuição geográfica, ocorrendo em uma área de cerca de 7 milhões de quilômetros quadrados e podendo ser encontrado em seis países da América do Sul: Bolívia, Brasil, Peru, Equador, Colômbia e Venezuela.

Sua coloração pode variar de cinza-escuro a rosa brilhante, dependendo da idade e do sexo do animal, porém machos adultos e sexualmente ativos são muito mais rosados devido à intensa despigmentação. Os olhos são pequenos, mas possuem boa acuidade visual tanto dentro quanto fora d’água. A nadadeira caudal é larga; as nadadeiras peitorais são grandes, largas e espessas; e a nadadeira dorsal é longa e baixa.

Machos adultos são bem maiores e mais robustos que as fêmeas, atingindo no máximo 2,55 metros de comprimento e podendo pesar 200 kg. As fêmeas chegam a medir 2,25 metros de comprimento e pesar 155 kg.

Essencialmente piscívoro, o animal alimenta-se de mais de 45 espécies de peixes, embora existam registros de ingestão de caranguejos e tartarugas. Como predadores aquáticos de topo da cadeia alimentar, os botos exercem a importante função de manter as populações de peixes sadias e em equilíbrio, removendo os indivíduos parasitados e doentes e consumindo as espécies mais abundantes.

Sem predadores naturais, uma das ameaças à espécie é a captura acidental em redes de pesca. Além disso, os botos têm sido utilizados como isca para pesca da piracatinga (Calophysus macropterus), peixe também conhecido como urubu-d’água por se alimentar de restos de animais mortos. Toneladas de piracatinga são exportadas para a Colômbia, onde é bastante aceita pela população. De acordo com a Fundação Omacha (Colômbia), a população de Bogotá, maior consumidor deste peixe, desconhece a forma como ele é capturado, assim como de que se trata de um animal carniceiro.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) ainda não classifica o boto-cor-de-rosa como ameaçado de extinção por ser uma espécie da qual se tem “dados insuficientes”, mas as autoridades brasileiras o classificam como “vulnerável”.

Reprodução

Assim como outras espécies aquáticas, a reprodução do boto está fortemente associada ao ciclo hidrológico da região. Depois de uma gestação de cerca de 11 meses, nasce um único filhote, de aproximadamente 80 centímetros de comprimento, que permanece com sua mãe por pelo menos três anos – esta é a relação mais duradoura da espécie. Os animais atingem maturidade sexual entre oito e 10 anos de idade.

O intervalo mínimo entre nascimentos, quando não ocorre a perda do filhote, é estimado em cerca de três anos e a fêmea engravida novamente no final do segundo ano de lactação.

Lenda

Os povos da Amazônia contam que nas noites de lua cheia, próximas à comemoração da festa junina, o boto-cor-de-rosa sai do rio Amazonas e transforma-se em metade homem e metade boto.

O atraente rapaz, de belo porte físico e que usa sempre um chapéu, passeia pelas comunidades próximas ao rio encantando e seduzindo a moça mais bonita, que acaba engravidando. Depois, o homem volta para o rio e transforma-se novamente em boto.

Fontes: ICMBio; Estação Bio; Pensamento Verde; Portal Brasil; Brasil Escola, via AMDA
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Autor: alotatuape

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