OMS diz que ebola está fora de controle

Sábado, 2 de agosto de 2014 às 13h10


Apesar dessa afirmação e de um caso de suspeita da doença em Goiânia – descartada pelo Ministério da Saúde – ministro Arthur Chioro não se mostra preocupado e contradiz informações da OMS sobre restrições de viagens e transmissão da doença. A imagem, no final desta resportagem, mostra como um simples espirro pode espalhar milhões de gotículas de saliva.


Reportagens de Aline Leal e Danilo Macedo
Edição: Luana Lourenço
Edição final: Alô São Paulo

A diretora-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Margaret Chan, afirmou ontem que o surto do vírus ebola está se expandindo mais rapidamente do que os esforços para controlá-lo. “Se a situação continuar a piorar, as consequências podem ser catastróficas em termos de perda de vidas e também socioeconômicos, e há riscos de propagação para outros países”, alertou.

As declarações foram feitas em pronunciamento na capital da Guiné, Conacri, em reunião de emergência com os presidentes da Guiné, da Libéria e de Serra Leoa para elaboração de um plano de combate à epidemia. Segundo a diretora, este surto é de longe o maior da história de quase quatro décadas da doença, tanto em número de casos (1.323), quanto de mortes registradas (729).

A diretora da OMS adiantou que alguns países terão que impor restrições de locomoção e para reuniões públicas, dependendo da situação epidemiológica. “Correntes de transmissão podem ser quebradas”, ponderou. Para ela, a reunião de hoje deve marcar um ponto de mudança na resposta ao surto. A OMS já havia anunciado apoio financeiro de US$100 milhões para combater a epidemia.

Margaret destacou que a doença está ocorrendo em áreas com maior movimento populacional, e tem demonstrado sua capacidade de se espalhar por meio de viagens aéreas. Casos estão ocorrendo em áreas rurais de difícil acesso, mas também em capitais densamente povoadas.

Além disso, o surto está afetando um grande número de médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde, um dos recursos mais importantes para conter um surto. Até o momento, mais de 60 profissionais de saúde morreram depois de trabalhar com pacientes infectados pelo vírus ebola.

Para Margaret Chan, apesar da inexistência de uma vacina ou terapia curativa, os surtos de ebola podem ser contidos com a detecção precoce e isolamento dos casos, com o rastreio dos infectados e procedimentos rigorosos de controle de infecção. Ela destacou que o início rápido do tratamento aumenta as chances de sobrevivência.

O vírus ebola é transmitido por contacto direto com o sangue, líquidos ou tecidos de pessoas ou animais infetados. Os principais sintomas são hemorragias, vômitos e diarreias. A taxa de mortalidade da doença varia entre 25 e 90%. Esta é a primeira vez que se identifica e se confirma uma epidemia de ebola na África Ocidental, até agora sempre registradas em países da África Central.

1º de Agosto - Guiné, Devido surto do vírus ebola, profissionais da saúde usam roupas completa de segurança, as peças são impermeáveis que cobre cada parte do corpo. Foto: Jean Louis Mosser/ European Commission DG ECHO (13/05/2014)

Ministro da Saúde diz que brasileiros não devem temer vírus ebola

No mesmo dia em que a diretora da OMS recomendou cautela e restrições de viagens, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, disse que os fiscais de vigilância sanitária nos portos, aeroportos e fronteiras do país estão treinados para identificar, caso chegue ao país, qualquer pessoa com suspeita de contágio pelo vírus ebola. Segundo ele, no entanto, não há recomendação específica nem risco de transmissão global do vírus.

“Queremos insistir: não há recomendação e não há risco de transmissão global, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Por enquanto, não há recomendação de restrição de viagens. Os casos, em sua maioria, se localizam em pequenas localidades rurais”, disse o ministro, ressaltando que os profissionais da área de saúde recebem diariamente os informes com recomendações da OMS, que acompanha não apenas o ebola, mas todas as doenças transmissíveis coletivamente.

O Brasil precisa deixar de encarar e transmitir fatos como este, como se as afirmações das autoridades responsáveis viessem apenas para tranquilizar crianças, a fim de não se assustem. O ebola já causa o terror na África há 40 anos e este é o maior surto da doença já registrado, mas para o Ministério da Saúde não há riscos para o país, apesar das relações com países africanos e acolhimento de seus cidadãos. Deve haver mais profissionalismo e respeito para com a população brasileira, onde a saúde sempre é tratada como figurante de um escabroso filme de terceira categoria.

Chioro explicou que a epidemia de ebola na Libéria, em Serra Leoa e na Guiné tem relação com as situações de conflito nesses países, com dificuldade das equipes chegarem aos pacientes e até com tradições culturais desses países, como os rituais fúnebres e outras crenças, como a recusa em lacrar os caixões, o que propicia o contato com secreções de cadáveres.

O ministro disse que os brasileiros que viajam para os países afetados pela epidemia devem seguir todas as recomendações das autoridades locais, mas que não há, por enquanto, nenhuma orientação para a interrupção de viagens ou voos. “É importante que tomem os cuidados que chamamos de biossegurança: não entrar em contato com secreção, com vômito”, explicou. Como se isso fosse possível, onde numa simples conversa amigável entre dois seres humanos, um espirro ou a saliva podem ser espalhados através do ar.

1º de Agosto - Guiné, Devido surto do vírus ebola, profissionais da saúde usam roupas completa de segurança, as peças são impermeáveis que cobre cada parte do corpo. Foto: Jean Louis Mosser/ European Commission DG ECHO (13/05/2014)

Ministério da Saúde descarta suspeita de ebola em Goiânia

O Ministério da Saúde descartou a possibilidade de uma paciente do Hospital de Doenças Tropicais (HDT) de Goiânia estar com o vírus ebola. A mulher de 23 anos procurou atendimento ontem no hospital especializado por ter apresentado febre e tosse depois de uma estadia de dez dias em missão religiosa no Moçambique.

O país africano não é foco de surto da doença, mas, segundo assessoria do HDT, como fica no mesmo continente de países em que está havendo surto da doença, ela foi encaminhada para o serviço especializado. Apesar de a hipótese de ebola ter sido descartada, a paciente continua internada para descobrir o que provocou os sintomas.

De acordo com o hospital, a paciente, que não teve o nome divulgado, está passando por exames e apresenta quadro geral bom e estável, sem risco de morte.

Por meio de nota, o Ministério da Saúde informou que não há caso suspeito ou confirmado de ebola no país e que o risco de transmissão para o Brasil é considerado baixo. É importante lembrar que apesar dessa informação, a OMS recomenda cautela máxima. Informar qual é o verdadeiro motivo de a mulher ter sido internada com suspeita do vírus ebola se faz necessário e urgente neste momento. Até agora não foi divulgado qual é a doença da religiosa.

Com informações da OMS, da Agência Lusa e Agência Brasil de notícias

1º de Agosto - Guiné, Devido surto do vírus ebola, profissionais da saúde usam roupas completa de segurança, as peças são impermeáveis que cobre cada parte do corpo. Foto: Jean Louis Mosser/ European Commission DG ECHO (13/05/2014)

A fotografia abaixo, produzida no ano de 2009, capturou um espirro em curso, revelando a nuvem de gotículas salivares como eles são expulsos em uma grande variedade em forma de cone de boca aberta deste homem, assim ilustrando dramaticamente a razão é preciso cobrir a boca ao tossir, espirrar, para proteger os outros da exposição aos germes. Foto: James Gathany / Wikipedia

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Autor: alotatuape

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