ONG dá “cartões vermelhos” para a Fifa e cobra mais ações sociais

Domingo, 22 de junho de 2014 às 16h48

Vinícius Lisboa – Repórter da Agência Brasil Edição: Andréa Quintiere

A organização não governamental (ONG) Rio de Paz fez ontem (21) um protesto na Praia de Copacabana em que deu “cartões vermelhos” para a Fifa, cobrando maior contrapartida social na Copa do Mundo. A ONG critica isenções de impostos dadas à entidade que representa o futebol internacional e afirma que o valor desses impostos não pagos chega a R$ 1 bilhão.

“Queremos que ela pegue o dinheiro que pagaria de impostos e invista em quadras esportivas em escolas públicas, por exemplo, ou nas favelas brasileiras. Seria uma forma de dar um retorno ‘padrão Fifa’. A Fifa está manchando sua imagem perante o mundo inteiro”, disse o fundador da ONG, Antônio Carlos Costa.

 

ONG Rio de Paz dá “cartão vermelho” para a Fifa e critica gastos públicos Tomaz Silva/Agência Brasil

ONG Rio de Paz dá “cartão vermelho” para a Fifa e critica gastos públicos Tomaz Silva/Agência Brasil

 

Doze cartões vermelhos com 2 metros de altura foram posicionados na areia da praia, em frente ao Hotel Copacabana Palace, e cerca de 30 pessoas mostravam cartões menores no ato, que, segundo Costa, não é contra a Copa, mas contra o modo como ela foi realizada, com muitos gastos públicos. No protesto, cartazes comparavam os custos dos estádios e das estruturas com hospitais, escolas e o combate à miséria.

“Quem não está lucrando é a democracia brasileira. Na cabeça de milhões de pessoas, a democracia não está mais associada à justiça social e à distribuição de renda, mas associada à proteção dos poderosos. Quando o pobre olha isso, ele diz: ‘a democracia não serve mais para nós’. Isso é péssimo porque ela deveria ser um valor inegociável em toda a sociedade”, criticou.

 

ONG Rio de Paz dá “cartão vermelho” para a Fifa e critica gastos públicos Tomaz Silva/Agência Brasil

ONG Rio de Paz dá “cartão vermelho” para a Fifa e critica gastos públicos Tomaz Silva/Agência Brasil

 

O Departamento de Imprensa da Fifa respondeu que a entidade depende da renda de uma Copa do Mundo para manter seus projetos de desenvolvimento do futebol ao longo dos quatro anos entre uma Copa e outra e que muitas federações nacionais não conseguiriam se manter sem ajuda financeira. A Fifa também afirma que criou um fundo para o desenvolvimento do futebol no Brasil que terá o valor divulgado depois da Copa do Mundo, mas que, inicialmente, tem a aprovação de 20 milhões de dólares. Entre os 108 programas de desenvolvimento do futebol que apoia em todo o mundo, a Fifa informa que há 26 entidades brasileiras.

 

ONG Rio de Paz dá “cartão vermelho” para a Fifa e critica gastos públicos Tomaz Silva/Agência Brasil

ONG Rio de Paz dá “cartão vermelho” para a Fifa e critica gastos públicos Tomaz Silva/Agência Brasil

 

Sobre a isenção de impostos, a federação informa que “diz respeito primordialmente à importação de bens (isto é, uniformes para voluntários, frotas de automóveis e ônibus)” e afirma que paga impostos sobre a venda de ingressos e que tem suas subsidiárias tributadas. A federação também paga impostos à Suíça, onde fica sua sede.

Acrescentamos que a lei que isentou a Fifa, inclui banquetes e comidas. A propaganda da entidade, que certamente merece o respeito de todos por incentivar a magia do futebol mundial, ao mesmo tempo baseou sua publicidade da Copa do Mundo no Brasil em um menino que sonho em ser jogador de futebol. Pela sua cabeça os sonhos fluem mostrando tudo o que poderá conquistar com seu talento. Tudo muito correto. O que não se pode imaginar é que a centenária entidade atribua o fato de as crianças de um país-sede como o Brasil, tenha apenas jogadores.

Se algo mais importante do que isso não for feito, e à Fifa nada se pode cobrar, as crianças continuarão sonhando eternamente. Cabe apenas aos responsáveis pelos gastos e isenções para a realização da Copa a cobrança por políticas que as tragam para uma nova realidade.

Com informações de Alô São Paulo
alotatuape

Autor: alotatuape

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