Opinião: lei única – Vergonha na Cara

Segunda-feira, 12 de outubro de 2015, às 12h37


Gostaria que houvesse sentidos, faculdades neurais suficientes para fazer cessar tanta injustiça cometida em nome da lei, dos protocolos e diretrizes que causam humilhações aos seres mais humildes que precisam tomar remédios para sobreviver ou curar suas dores e tantas outras imbecilidades engendradas em nome da Justiça.

Gerson Soares

Depois de passar dois dias numa mesma reportagem, que pretendo continuar, sobre as humilhações sofridas pelas pessoas na Farmácia de Alto Custo da Vila Mariana - Posto Altino Arantes que tomo por amostragem, ao contrário do que informou a assessora da Secretaria da Saúde de São Paulo aos nossos questionamentos: “Não são 5.000 problemas”, alegou, defendendo a arrogância dos funcionários públicos perante os mais pobres e humildes que não sabem se defender.

Não, não são. Ainda bem. O posto atende aproximadamente 5.000 pessoas diariamente, mas bastaria humilhar apenas uma delas para deixar de ser justo, de haver justiça.

Em 4 de março de 2014, escrevi sobre a justiça aplicada aos mensaleiros que teriam muita tranquilidade para cumprirem suas penas, principalmente os chefões, que foram defendidos com unhas e dentes por seus advogados a peso de ouro (leia o artigo: Seja um homem de bem). Repetimos a ilustração daquela época neste editorial, reafirmando noções de valores.

 

homem de bem

 

Estamos apenas no dia 12 de outubro, a metade do mês nem chegou ainda, mas as mordomias autoconcedidas da classe política – aqueles homens e mulheres que comandam o país e a vida de 200 milhões brasileiros – continua um luxo só (estamos na campanha #ChegaDeLuxo da Rádio Jovem Pan). Como sempre, destacamos que há exceções, mas também é preciso deixar claro: “o mal só próspera quando o bem deixa de trabalhar”.

Esta frase resume muita coisa, dentre elas que o bem precisa trabalhar muito para que os maus deixem de ser maioria nessa minoria classista, que do ponto de vista econômico é caríssima. A sustentá-la a população produtiva brasileira, essa massa de gente que sai todos os dias para trabalhar no carrinho de cachorro quente, na barraquinha do café da manhã na porta do metrô e fazer faxina para ganhar a vida; daí vamos aos mais qualificados que nem por isso deixam de ralar o dia inteiro para entregar grande parte do seu suor aos impostos.

Toda a classe de trabalhadores do país se esforça, todas as entidades que exigem seriedade em suas administrações se empenham para superar os problemas, nas salas e nas cozinhas das famílias são debatidas as questões para garantir o pão de cada dia.

Mas isso não acontece com tanta naturalidade para a classe política que manda e impõe suas vontades aos mais humildes e até mesmo àqueles que com ela podem debater, capazes de alcançar suas debilidades e impor-lhes o respeito necessário através das leis. Mas quanto trabalho, quanta marcha para avançar pequenos pedaços de terreno fértil num campo minado de ordinárias atrocidades contra quem lhes sustenta os luxos, as iniquidades e as injustiças, cometidas à luz dia ou na escuridão das madrugadas, à sombra das próprias leis que criam para seu benefício e entraves aos quais são obrigados os cidadãos que os questionam, como a que tramita no Congresso sobre a proibição de falar mal dos políticos na internet.

A classe política brasileira deveria fazer um exame de consciência e ver o quanto é menos importante do que a mulher que pari na calçada por falta de assistência médica negligenciada pelos desvios de verbas dos cofres públicos. Porquanto tudo isto se prolonga através do eterno do tempo no país, criando-se a cada dia, a cada hora um tapa buracos para resolver esta ou aquela situação de emergência, através de novas entidades, novos ministérios, novas comissões, deveria a classe política pedir demissão e criar uma só lei: Vergonha na Cara. Com o seguinte e único item: Não faça aos outros, aquilo que não deseja que façam a você.

Presidente Dilma participa do encerramento da 5ª Marcha das Margaridas, no estádio Mané Garrincha. Evento inflado com patrocínio de dinheiro público em prol do governo. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Presidente Dilma participa do encerramento da 5ª Marcha das Margaridas, no estádio Mané Garrincha. Evento inflado com patrocínio de dinheiro público em prol do governo. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

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