Os candidatos de SP e a velha política

Segunda-feira, 8 de setembro de 2014 às 08h17 - Atualizado às 10h33

As eleições nacionais estão amadurecidas, ainda falta mais pesquisa e envolvimento por parte do eleitorado, mas é certo que após a ditadura militar, desde a volta das eleições diretas em 1989, houve mudanças. O que não mudou foi a forma com que os candidatos se apresentam.

Gerson Soares

Eles se atacam, mas esquecem de apresentar propostas concretas com dados palpáveis, deixam de lado a seriedade que o momento da convivência mundial pede àqueles que demandarão os rumos do país, salvo exceções. Os candidatos divulgam jingles absurdos desrespeitando o eleitor e aquilo que podemos chamar de música, criando o clima de que tudo pode, qualquer coisa vale para gravar seu nome na mente das pessoas. Os jingles das campanhas estão cada vez piores, ferem os ouvidos no intuito de que o eleitor grave a mensagem com mais facilidade.

Candidato ao governo de São Paulo, ocupando o segundo lugar nas pesquisas com 22%, Paulo Skaf (PMDB) promete construir mais 52 AMEs (Ambulatório Médico de Especialidades) e 10 hospitais, para isso criou até... Mais um jingle de mau gosto entre tantos outros divulgados pelos pretendentes aos cargos públicos nestas eleições. Sobre sua proposta para a saúde, o prontuário médico eletrônico é uma boa ideia e já poderia ter sido implantado.

Alô Tatuapé vem alertando o governo de São Paulo, em contato com a Secretaria da Saúde, desde janeiro deste ano, sobre o fato de ser um absurdo a falta de organização e de não haver um cadastro eletrônico para os usuários do sistema de Saúde, principalmente no que diz respeito à logística de atendimento médico para obtenção de receitas e a entrega de remédios que são de uso contínuo ou vitalício, forçando-os às desgastantes renovações trimestrais e levando aos desperdícios de medicamentos. Os horários de atendimento são desrespeitados, profissionais sobrecarregados e até hoje não conseguimos obter qualquer resposta nesse sentido. A pasta está envolvida também com o desvio de verbas destinadas à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, segundo a entidade no valor de 74,7 milhões.

O candidato ao governo do Estado pela Coligação São Paulo Quer o Melhor (PMDB-PROS-PSD-PP-PDT), Paulo Skaf, em visita a uma comunidade carente no bairro de Itaquera, a comunidade Zorrilho, onde conversa com moradores. Foto: Ayrton Vignola / Skaf 15 - 06/09/2014

O candidato Geraldo Alckmin (PSDB) em primeiro lugar nas pesquisas com 53% das intenções de voto, apesar de manter uma boa distância de Paulo Skaf, fragiliza sua boa atuação à frente do governo do Estado e a própria campanha, fechando os olhos ou deixando de se posicionar quanto à arrogância da pasta da Saúde que se limita a afirmar que está subordinada ao Ministério da Saúde que atualmente a acusa no desvio dos repasses financeiros.

Por outro lado, segundo a proposta de Skaf, não será construindo mais AMES ou hospitais que a vida do cidadão irá melhorar. O sistema se mostra arcaico de parca informatização, com funcionários mal treinados que ainda se comparam a divindades que assistem os pobres, mortais que deles dependem, assim como de sua boa vontade. E essa condição é possível devido à falta de um sistema inteligente.

Não será com a construção de mais hospitais para acomodar filas intermináveis e soluções inalcançáveis que a saúde irá melhorar. Somente uma gestão comprometida, com planejamento e TI (tecnologia da informação), explicações claras à população, aos médicos, enfermeiros e profissionais da saúde sobre suas obrigações e deveres, o respeito aos horários, às necessidades individuais – sim, porque um doente não é igual ao outro – e investimentos para que a população deixe de ser tão doente, irão melhorar essa área.

O candidato à reeleição Geraldo Alckmin (PSDB) durante o 17º Festival do Japão, realizado em São Paulo. Foto: Igo Estrela / PSDB - 06/07/2014

Uma população com hábitos saudáveis, mais escolaridade, esclarecimentos sob a prevenção de doenças, instrução ampla sobre os cuidados preventivos femininos, masculinos e quanto aos mais idosos, será menos doente. Esse investimento hoje vai requerer muito mais verbas do que se tivesse sido feito anteriormente, mas nunca é tarde para começar e se há dinheiro para a construção de AMEs e hospitais, haverá também para a prevenção e instrução.

Espera-se que os brasileiros não se tornem vítimas – mais uma vez, até as próximas eleições – do mau gosto e das falsas promessas que a cada eleição são proferidas descabidamente, vergonhosamente. Essa velha forma de fazer política ainda vai precisar de muito tempo para mudar, assim como seus subterfúgios serem esquecidos pelos candidatos.

O eleitor terá neste ano uma ótima oportunidade de cortar os adeptos da velha política dos quadros nacionais, não pela raiz – pois isso não é tão fácil –, mas de lhes causar um grande dano, exibindo conhecimento, lembrando tudo o que foi feito nas ruas em junho do ano passado, exigindo respeito consigo, com o voto. O que se espera de candidatos que receberão o dinheiro suado diretamente dos bolsos da população: basta de brincadeirinhas, chega de musiquinhas, antes de pensar nos pets pensem nas pessoas, se elas estiverem bem os animais também estarão.

Propostas sérias serão tão bem gravadas na memória do eleitorado quanto os jingles ridículos, perante as posições a que seus difusores se propõem – irritantes e que além de tudo são obrigatórios. Vamos falar sério, senhoras e senhores! O Brasil merece respeito e candidatos mais atualizados com a realidade.

alotatuape

Autor: alotatuape

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