Parceria socioambiental


Sexta-feira, 19 de janeiro de 2018 às 14h30


Projeto em comunidade caiçara visa relacionar problemas ambientais à situação social e econômica da população.

Do IPT

Para identificar os problemas mais recorrentes na comunidade, Larissa Felicidade Werkhauser Demarco, pesquisadora assistente na Seção de Investigações, Riscos e Desastres Naturais do IPT e gerente do projeto, conta que foram aplicados questionário de avaliação social e econômica.

A partir de amostras coletadas na Ilha, será analisada a qualidade da água, dos sedimentos e dos organismos da região, como peixes. Foto: Divulgação / IPT

 

Foram feitas também coletas de sedimento e água ao longo do Rio Diana e no solo da ilha, para caracterização ambiental, além da identificação dos pontos de lançamento de esgoto das moradias, entre outras atividades. “Foi levantado que eles têm um problema enorme em relação ao esgoto, que é jogado todo in natura. A intenção primordial do projeto é correlacionar esse problema com os fatores de saúde e ambientais. Queremos descobrir se de fato eles apresentam doenças que podem ser ocasionadas pela falta de esgoto encanado e se o ambiente está poluído”, afirma ela.

A partir das amostras coletadas na ilha, a caracterização ambiental foi dividida em três vertentes: análise da qualidade da água, dos sedimentos e dos organismos, como peixes. Estas ficaram sob a responsabilidade de duas empresas júnior parceiras do projeto: o Instituto do Mar Júnior, da Unifesp, em Santos, e a IO Júnior, do Instituto Oceanográfico da USP. “Como o trabalho é feito com alunos, a intenção é que eles participem ativamente do trabalho e executem as análises; além disso, também podemos utilizar a estrutura das universidades para analisar as amostras e baratear os custos do projeto”, explica Larissa.

Marcos Jorgino Blanco, pesquisador da seção e co-gerente do projeto, esclarece que, para o IPT, um dos maiores ganhos é o desenvolvimento de uma metodologia que permita estabelecer relações entre fatores que antes eram analisados separadamente. “O projeto é extremamente multidisciplinar e lida com conhecimentos variados. A ideia é cruzar esses conhecimentos para criar um método próprio do Instituto que permita a incorporação de fatores sociais a nossa análise de riscos, característica da seção”, conclui ele.

O projeto, que foi denominado ‘Avaliação socioambiental e proposição de medidas mitigadoras para a comunidade caiçara da Ilha Diana’, apresenta cinco fases: revisão bibliográfica, identificação das ameaças, análise dos riscos socioambientais, avaliação de riscos socioambientais e proposição de medidas mitigadoras. Atualmente, ele se encontra na transição da fase dois para a três.

O projeto foi um dos quatro selecionados no primeiro edital da Fundação de Apoio ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (FIPT), que foi lançado em janeiro de 2017, para financiar projetos sociais de laboratórios e seções do IPT voltados à promoção da transformação social positiva e sustentável. Os projetos escolhidos cumprem as diretrizes e os conteúdos estabelecidos na Política de Investimento Social da FIPT, e seguem também as orientações da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, editada em 2015 pela Organização das Nações Unidas (ONU), tendo como público direto populações em vulnerabilidade socioeconômica no Brasil.

Danos econômicos provocados pela elevação do nível do mar com eventos meteorológicos extremos associados a ressacas podem chegar a quase R$ 2 bilhões se não forem implementadas medidas de adaptação, estima estudo. Foto: Leandro Negro/Agência FAPESP

Santos-SP: Danos econômicos provocados pela elevação do nível do mar com eventos meteorológicos extremos associados a ressacas podem chegar a quase R$ 2 bilhões se não forem implementadas medidas de adaptação, estima estudo. Foto: Leandro Negro/Agência FAPESP

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