Parque Esportivo dos Trabalhadores (PET)

Com ou sem mato alto, degradado ou não, o Ceret é muito bem frequentado todas as manhãs. Empresários, moradores, senhoras e senhores; atletas, competidores e amigos se reúnem para caminhar, correr, jogar, conversar ou apenas andar pelas alamedas do parque aproveitando o ar puro. Essa frequência diminui durante o dia e volta a crescer no final das tardes.

Neste sábado, fomos até o Ceret, que faz parte do itinerário dos parques do Tatuapé, e além das atividades costumeiras constatamos a denúncia feita pelo programa Bom Dia São Paulo da Rede Globo de televisão que esteve no local para mostrar o mato alto e outras irregularidades no quadro Tudo Anormal.

O nome do parque mudou, agora passou a chamar Pet e não mais Ceret. Porém, basta perguntar aos frequentadores para descobrir como ele realmente é conhecido. A mudança de nome não trouxe benefício e o que se vê mais uma vez é o desrespeito com aquilo que pertence aos trabalhadores, como a própria sigla diz.

Apesar do aparelhamento, o Pet continua com as mesmas características de há 10, 15 anos. Em 1998, numa reunião em prol do Ceret ao lado da antiga cancha de bocha existente, surgiu um grupo que anos depois se denominou “Amigas do Ceret”. Senhoras que dedicaram seu tempo e esforços para melhorar as condições de uso já que ali caminhavam todos os dias. Alô Tatuapé promoveu essa reunião e também campeonatos esportivos anuais chamados Jogos Abertos do Tatuapé, a partir de 1999, que duraram seis anos. Numa das edições, a administração do Ceret passou a criar dificuldades para a realização dos jogos nos campos sob várias alegações e a modalidade perdeu força, pois os raros campos de futebol do bairro são bem concorridos. Os jogos do Tatuapé levavam centenas de atletas e torcedores ao parque. Antes da proibição, um dos campeões do torneio anual foi o próprio time do Ceret. Atualmente, os times treinados pelo Ceret foram extintos.

Assim, com uma administração calcada em apadrinhamentos e gestões questionadas pelos frequentadores, o parque prosseguiu até definhar e foi assumido em parte pela Prefeitura, pois ainda está ligado aos sindicatos de trabalhadores estatutariamente.

Um dos campos do Pet, com excepcional estrutura de arquibancadas, vestiários e padock está ao léu, ao sabor do tempo, enquanto poderia ser um incentivo à prática esportiva. No país da Copa, um campo de futebol como aquele fica para o nada e eventos da SEME (Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação) que acontecem, quando?

O Ceret tinha três campos, o grande com arquibancada citado, outro na parte de cima e mais um pouco menor. O primeiro está reservado aos eventos da SEME, mas virou campo de rugbi, dá para imaginar quantos assim o utilizam; o segundo é alugado por um preço público que pode ultrapassar os 100 reais a hora; o terceiro acabou, sucumbiu à falta de preparo para gerir um patrimônio como esse. Em tempo: Nada contra o rugbi, sim contra vestir um santo desvestindo outro.

Por exemplo: Se você quiser fazer um torneio com três ou quatro times devidamente uniformizados, bolas, redes, juiz, bandeirinhas e tudo que tem direito uma boa partida de futebol, terá de desembolsar no mínimo 200 reais por jogo (100 reais/hora aproximadamente). No final do dia, o grupo terá desembolsado no mínimo 800 reais para realizar quatro partidas e revelar os campeões. Esse valor será cobrado a título de que outros usuários não se levantem contra o uso do campo pelos primeiros em detrimento deles, alegando que também queriam estar ali batendo sua bolinha, mesmo que fosse só para chutá-la no gol, sem organização ou fardamento.

Resultado: Falta de incentivo ao esporte organizado e àqueles que levariam um espetáculo e vida ao parque, em detrimento da falta de amplitude na gestão. A centralização é tanta que somente uma pessoa em todo o parque é capaz de fornecer as informações exatas sobre reservas e eventos, mas que não foi encontrado para conversar com a nossa reportagem. Ele pode estar em qualquer lugar numa área de 286 mil metros quadrados e não adianta querer que alguém o encontre no parque, por que segundo as informações, o misterioso funcionário ainda poderá estar na SEME.

Por força da providência divina ou extraterrestre, o Ceret ou Pet ainda não se transformou em área destinada às construtoras que pagariam uma fortuna para abocanhá-la. Esforço para dificultar o acesso aos decantados trabalhadores da sigla (PET) não faltam. Aliás, essa sigla é utilizada para animais de estimação, alguém pensou nisso?

Para informações sobre esportes, o cidadão deve enviar um email para spranchezicius@prefeitura.sp.gov.br e aguardar a resposta da SEME, ou ir pessoalmente à Rua Canuto de Abreu, s/nº - Tatuapé. Conforme as informações do parque, a única e exclusiva pessoa a falar sobre esportes, datas disponíveis, valores exatos para aluguel dos campos de futebol ou rugbi, ginásio esportivo e para eventos é o diretor de Esportes, conhecido apenas como Sérgio. E só.

PET – Parque Esportivo dos Trabalhadores
SEME (Secretaria de Esporte, Lazer e Recreação)
Subprefeituras Mooca e Vila Prudente
Rua Canuto de Abreu, s/n°, Tatuapé
Telefone: (11) 2671-8788
Área: 286.000m²
Estacionamento gratuito

Parque Esportivo dos Trabalhadores (PET). Foto: aloimage

Parque Esportivo dos Trabalhadores (PET). Foto: aloimage

Parque Esportivo dos Trabalhadores (PET). Foto: aloimage

Parque Esportivo dos Trabalhadores (PET). Foto: aloimage

Playground do PET, área está melhor conservada em comparação com outras. Foto: aloimage

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Autor: alotatuape

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