Pequi: o fruto brasileiro do qual tudo se aproveita

Fruto aberto mostrando a polpa comestível. Espinhos  ficam logo abaixo. "Nunca morda o pequi". Foto: Stock Photo

Frutos de "Caryocar brasiliense" na árvore. Foto e legenda: Denis A. C. Conrado / Wikipedia

A bela e ornamental flor do pequi. Foto: Wikipedia


Sábado, 25 de outubro de 2014, às 18h36 – atualizado às 19h55


Como diz o sertanejo “do pequizeiro não se perde nada e se aproveita tudo”. O pequi, esse fruto amarelo vistoso faz brilhar os olhos e desperta até o apetite. Mas cuidado com os espinhos, nunca morda o pequi.

Os japoneses não perderam tempo e antes mesmo que os brasileiros pudessem conhecer melhor um fruto nativo, os nipônicos patentearam um tipo de óleo extraído do fruto. Conforme a blogueira Nanael Soubaim, “fora a patente japonesa, do pequi aproveita-se praticamente tudo, desde o veneno da raiz até a robusta madeira”.

O Pequi (Caryocar brasiliense; Caryocaraceae) é uma árvore nativa do cerrado brasileiro, cujo fruto é muito utilizado na culinária sertaneja.

Seu caroço, porém, é dotado de muitos espinhos, e há necessidade de muito cuidado ao roer o fruto, evitando cravar nele os dentes, o que pode causar sérios ferimentos nas gengivas e no palato. O sabor e o aroma dos frutos são muito marcantes e peculiares.

Símbolo da cultura e da culinária dos estados de Goiás e Minas Gerais, o pequi é encontrado em toda a região Centro-Oeste e nos estados de Rondônia (ao Leste), Minas Gerais (Norte e Oeste), Pará (Sudoeste), Tocantins, Maranhão (extremo Sul), Piauí (extremo Sul), Bahia (Oeste), Ceará (Sul), e nos cerrados de São Paulo e Paraná. Em Goiás podem ser encontradas todas as variedades, cuja frutificação ocorre entre os meses de setembro e fevereiro. Está na lista de espécies ameaçadas do estado de São Paulo.

No estado do Tocantins há uma cidade com o nome de Pequizeiro em homenagem à árvore, onde se celebra a festa do pequi todos os anos.

Nas antigas vilas de Meia Ponte (hoje Pirenópolis), e Vila Boa, ainda no início do século XVIII, o pequi começa a ser utilizado na culinária de Goiás. Na região que circunda a cidade industrial de Catalão, o pequi era utilizado tão somente para a fabricação do Sabão de Pequi, de propriedades terapêuticas.

O fruto pode ser apreciado em variadas formas: cozido, no arroz, no frango, com macarrão, com peixe, com carnes, no leite, e na forma de um dos mais apreciados licores de Goiás. Além de doces e sorvetes.

Recentemente, foi descoberta uma propriedade do óleo de pequi, já foi patenteada por japoneses. Ela foi batizada de CSL (chemical strengthener layer). Segundo as pesquisas, basta adicionar cinquenta mililitros de óleo de pequi a 4l de óleo mineral para que se consiga o efeito da superdureza em qualquer material metálico, aumentando, inclusive, a carga de molas se for aplicado uniformemente. Existem testes em motores com cabeçotes totalmente originais girando mais de 10 000 rotações por minuto sem indícios de fadiga ou quebra.

Mas o bom do pequi está na culinária, apesar de o seu nome em Tupi significar “pele espinhenta”. O fruto possui o tamanho aproximado de uma maçã e tem a casca verde. Por baixo dos espinhos, já mencionados, há uma amêndoa macia e saborosa.

De todos os frutos nativos do Cerrado, o pequi é o mais consumido e comercializado, e também o melhor estudado nos aspectos nutricional, ecológico e econômico. Principalmente em Goiás e no Norte de Minas, mas também em outras regiões do Cerrado, o pequi é de grande importância para as populações agroextrativistas e para as economias locais. Alguns “catadores” e comerciantes de pequi chegam a obter até 80% de sua renda anual na cadeia produtiva do fruto.

Sua polpa tem o dobro de vitamina C de uma laranja e é rico também em vitaminas A, E e carotenoides. Tais fatores tornam o fruto um aliado no combate ao envelhecimento e na prevenção às doenças associadas à visão. Mas os benefícios vão além: sua amêndoa é utilizada na fabricação de um rico óleo que possui ação anti-inflamatória, cicatrizante e gastroprotetora.

Outras partes do pequizeiro, no entanto, também são úteis, como por exemplo: a madeira é de boa durabilidade, sendo utilizada na construção de casas e cercas; as flores servem de alimento para os animais; a casca produz corante de ótima qualidade; as folhas e o óleo da polpa têm diversos usos medicinais; a árvore, frondosa e de grande beleza, também pode ser considerada ornamental.

Com informações da Wikipedia, do Instituto Sociedade, População e Natureza – ISPN e do blog Palavra de Nanael.
alotatuape

Autor: alotatuape

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