Pesquisadores discutem medidas para preservação de solos e recursos hídricos


Quinta-feira, 1º de outubro de 2015, às 20h35


A FAPESP e a Fundação Bunge realizaram, no dia 29 de setembro, o Seminário Internacional Recuperação de Solos Degradados para a Agricultura e Saneamento Básico e Manejo de Água. No encontro, especialistas compartilharam resultados de pesquisas e discutiram os desafios para a conservação de solos agrícolas e a segurança hídrica do planeta.

Diego Freire | Agência FAPESP

O encontro integrou a programação do 60º Prêmio Fundação Bunge e do 36º Prêmio Fundação Bunge Juventude, outorgado este ano às áreas de Ciências Agrárias e Ciências Biológicas, Ecológicas e da Saúde por conta da escolha de 2015 como Ano Internacional dos Solos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

De acordo com Jacques Marcovitch, presidente da Fundação Bunge, o objetivo do seminário foi reunir pesquisadores de áreas distintas, mas integradas em torno do tema, para propor reflexões sobre as relações entre a recuperação do solo, o destino de resíduos sólidos e o impacto direto na oferta de água.

 

O encontro integrou a programação do 60º Prêmio Fundação Bunge e do 36º Prêmio Fundação Bunge Juventude, outorgado este ano às áreas de Ciências Agrárias e Ciências Biológicas, Ecológicas e da Saúde. Foto: Leandro Negro/Agência FAPESP

O encontro integrou a programação do 60º Prêmio Fundação Bunge e do 36º Prêmio Fundação Bunge Juventude, outorgado este ano às áreas de Ciências Agrárias e Ciências Biológicas, Ecológicas e da Saúde. Foto: Leandro Negro/Agência FAPESP

 

“A ideia é compartilhar com a comunidade científica de São Paulo, por meio da FAPESP, os trabalhos e as trajetórias de pesquisadores que, apesar das diferenças entre os campos de estudo, têm uma visão de futuro e clareza das contribuições que podem fazer à comunidade e ao planeta.”

Eduardo Moacyr Krieger, vice-presidente da FAPESP, abriu o seminário destacando objetivos em comum entre as duas fundações.

“Há entre a Fundação Bunge e a FAPESP mais afinidades do que a proximidade da idade, separadas por apenas sete anos: ambas têm uma identidade no sentido de premiar a qualidade e de se preocupar com o desenvolvimento da ciência, das artes, das letras – em suma, tudo aquilo que faz parte do espírito e da inteligência humana.”

Marcovitch destacou, ainda, o engajamento da FAPESP e da Fundação Bunge nas discussões sobre as mudanças climáticas.

“Tanto o tema da terra como o da água estão no centro dos objetivos pós-2015 apresentados em Nova York, na assembleia da ONU. Também estão lá as métricas que ajudam cada município, estado ou país a identificar onde se está em relação ao desejável do ponto de vista das metas estabelecidas. Além disso, o ano de 2015 é marcado pela realização da 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP21). A FAPESP está integralmente engajada nas discussões que precedem a conferência e esse é mais um ponto de convergência com a Fundação Bunge.”

Entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) apresentados pela ONU, que substituem os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), vigentes até o final do ano, estão a promoção de uma agricultura sustentável e a disponibilidade de água potável e saneamento básico para todos.

Para Dulce Buchala Bicca Rodrigues, da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da Universidade de São Paulo (USP), as incertezas climáticas, o crescimento populacional e o consequente aumento da demanda por água potável e alimentos, entre outros fatores, podem representar ameaças à segurança hídrica no Brasil e no mundo.

Rodrigues foi contemplada com o Prêmio Fundação Bunge 2015 na categoria Juventude, falou no seminário sobre os resultados de sua tese de doutorado Novo modelo de gestão da demanda hídrica em bacias hidrográficas: bases metodológicas para avaliação e mitigação da pegada hídrica (Water footprint), realizada com apoio da FAPESP.

“A avaliação da segurança hídrica analisa os riscos às interações aceitáveis entre condições hidrológicas, funções ecossistêmicas e demandas sociais, incorporando múltiplas questões relacionadas à água que abrangem desde a política de recursos hídricos até questões hidrológicas específicas e suas influências na sociedade e ecossistemas”, explicou a pesquisadora.

Para ela, os resultados do estudo podem oferecer dados importantes aos gestores de recursos hídricos e auxiliar nas tomadas de decisão, com impacto não só na segurança hídrica, mas na conservação dos solos.

Recuperação vs. Conservação

Segundo Marlene Cristina Alves, da Faculdade de Engenharia (FEIS) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Ilha Solteira, a utilização dos recursos naturais de forma inadequada prejudica a formação de novos sistemas ecológicos sustentáveis.

“Solos utilizados intensamente e de forma inadequada são levados à degradação. Técnicas que visam à recuperação de solos degradados têm sido investigadas, mas trata-se de um processo custoso e que poderia ser evitado pela adoção de técnicas de conservação do solo”, afirmou.

Alves, que recebeu o Prêmio Fundação Bunge na categoria Vida e Obra, atua desde 1992 em pesquisas nas áreas adjacentes à construção da barragem de Ilha Solteira, no noroeste paulista. Entre diversos trabalhos, esteve à frente da pesquisa Propriedades físico-químicas de um Latossolo Vermelho sob recuperação há 16 anos e a ocorrência espontânea de espécies arbóreas nativas, realizada com apoio da FAPESP.

“Trata-se de uma área extremamente degradada e de dimensões relativamente grandes, um território que vai além da fazenda experimental da Unesp, abrangendo todo o entorno dos municípios de Ilha de Solteira, em São Paulo, e Selvíria, no Mato Grosso. Toda a área vem sendo monitorada ao longo de mais de duas décadas e, a partir de 2006, começaram a surgir espécies espontâneas, nativas do cerrado”, contou.

Hoje, segundo a pesquisadora, o solo na camada superficial está em condições semelhantes às naturais do cerrado. Entre as medidas adotadas para que o resultado fosse alcançado foi feita adição contínua de material orgânico.

“Com isso, houve uma evolução da fonte de energia para os organismos de solo e, consequentemente, um restabelecimento da estrutura e das condições de aeração, retenção de água, o que aumentou a infiltração e diminuiu o escoamento e os riscos de erosão. Criou-se um ambiente que favoreceu o surgimento de espécies espontâneas e uma área onde a biodiversidade voltou a reinar”, explicou.

Alves trabalha agora em parceria com a USP de São Carlos e a Embrapa Instrumentação, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), no estudo da microtomografia do solo, obtendo imagens da área que atestam que as condições do solo estão ainda melhores que as naturais.

Para Diego Antonio França de Freitas, da Universidade Federal de Viçosa, laureado com o Prêmio Fundação Bunge Juventude, é importante que se trabalhe a conservação do solo para que não seja preciso recuperá-lo.

“O trabalho de conservação do solo é mais econômico e efetivo quando comparado ao de recuperação de uma área degradada. Para isso, é preciso seguir os princípios fundamentais de conservação do solo e da água: usar a terra de acordo com sua capacidade, respeitar sua aptidão agrícola, tratar cada classe de solo segundo suas necessidades e manejá-lo corretamente, assim como suas culturas.”

Participaram ainda das discussões o também premiado deste ano, na categoria Vida e Obra, José Fernando Thomé Jucá, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e Martin Diaz Zorita, do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária da Argentina, premiado em 2002 na categoria Juventude. As discussões contaram também com a participação de representantes da Embrapa, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), do Instituto Internacional de Ecologia (IIE), do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto do Coração (Incor).

À tarde, ganhadores de diversas edições do Prêmio Fundação Bunge se reuniram na FAPESP para discutir novas contribuições às suas áreas de atuação. Os debates foram abertos por José Goldemberg, presidente da FAPESP.

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