Police Neto quer fazer sucesso com Minhocão, construído por Maluf


Quinta-feira, 14 de maio de 2015, às 08h24


Se ideia é causar polêmicas com cada projeto, eles não faltam na cidade de São Paulo; em torno do minhocão, existe desde que o então prefeito Paulo Maluf resolveu retirá-lo do papel em 1970, há 45 anos. Século XXI, só os drones podem resolver...

Gerson Soares

O vereador José Police Neto (PSD) quer provocar discussões sobre o que deve ser feito do Minhocão e fazer sucesso com isso. A polêmica obra – concebida em 1968 durante e gestão do prefeito Faria Lima, retomada e terminada pelo prefeito Paulo Maluf –, construída com muito sacrifício para a cidade que já suportava as obras do metrô, lhe garantirá ainda muita projeção.

O minhocão, apelido dado ao Elevado presidente Costa e Silva – que a Comissão da Verdade pretende mudar, devido às ligações do nome do presidente da República com a ditadura militar – é alvo de críticas desde que foi lançada sua ideia, transfigurando a já desfigurada Avenida São João e sua continuação (Avenida General Olímpio da Silveira), ocorrida desde meados do século XX, com a urbanização desenfreada do centro da cidade.

 

Elevado Costa e Silva, o Minhocão, em debate hoje (9) à noite na Câmara Municipal de São Paulo. Foto: Carlos Severo / Fotos Públicas

Elevado Costa e Silva, o Minhocão. Foto: Carlos Severo / Fotos Públicas

 

Os moradores do local sempre reclamaram da polêmica obra, ao mesmo tempo existem aqueles que defendem a permanência do minhocão. As pessoas não são obrigadas a morar ali, mas se assim optam têm garantida diariamente a sua tranquilidade após às 21h30 até às 06h30, decretada pela ex-prefeita Luiza Erundina. Aos domingos, o elevado é interditado, podendo ser utilizado nas mais diversas atividades. Com a aprovação do projeto de interdição também aos sábados, nesta terça-feira (12), pela Câmara Municipal de São Paulo, proposta pelo vereador Police Neto (PL 22/2015), o sossego vai aumentar.

Afinal, qual seria o motivo da revolta contra o minhocão? O barulho causado pelos carros? A feiura da obra em meio à famosa avenida? A falta de privacidade dos moradores dos andares paralelos à pista? Proporcionar mais sossego aos moradores? Fazer mais uma ciclovia? São muitas perguntas sem resposta ou com várias versões.

A medida de interdição também aos sábados, segundo Neto, vem como preliminar para um futuro fechamento definitivo com o objetivo de se transformar em algo que nem mesmo ele pode conceber. “Esse é um esforço para gradativamente o Minhocão ir sendo desativado e tomarmos a melhor decisão para a cidade, seja um parque, que é muito bem vindo, seja uma outra modalidade de desmonte que a sociedade hoje debate”, disse durante a sessão extraordinária que aprovou o projeto de lei, que agora irá para a sanção do prefeito.

A proposta da câmara pode passar pela prefeitura e no futuro poderá ser ampliada, transformando num parque ou sabe-se lá o que mais, a única opção de o motorista atingir a zona Oeste da cidade – sem pegar a Marginal do Rio Tietê ou outros caminhos tortuosos. Com a tendência do prefeito Fernando Haddad aos transportes alternativos, o PL 22/2015 tem grande chance de contar com o apoio da prefeitura, que por sua vez já declarou guerra aos automóveis. Talvez, imaginando ser possível cruzar a cidade em bicicletas (usando as ciclovias?!), motos ou motonetas. As outras alternativas estão restritas aos transportes públicos da cidade, com um século de atraso perante a demanda crescente e no que diz respeito aos investimentos, feitos ao longo das décadas, comparados com outras grandes capitais do mundo.

Polêmica criada, proposta aprovada, os motoristas que torçam para que as ideias mirabolantes que rondam a cidade os incluam também. Se as propostas do vereador e daqueles que o ajudaram a aprovar o projeto de lei foram à frente, o minhocão será definitivamente interditado no futuro, sob a alegação de poder “devolver a toda aquela comunidade o sábado sem o conflito do trânsito, das buzinas e devolver a tranquilidade”, conforme disse Neto. O sábado e todos os outros dias da semana é o que enseja.

Se assim for, todo o trânsito – ou parte dele – será transferido para o andar de baixo, as avenidas São João e Gal. Olímpio da Silveira. Deverão então, os vereadores, sob os pretextos alegados, proibir congestionamentos, impedir que as buzinas sejam acionadas e ainda cuidar para que o fechamento da parte de cima – antes de uma possível demolição do minhocão, também cogitada – não leve à migração do banditismo, tráfico e uso de drogas, ou coisa ainda pior, como por exemplo, a falta de privacidade de quem mora na linha do elevado, tomada com um possível fluxo de pessoas, bicicletas, animais.

Se a ideia era polemizar ou fazer sucesso este é um prato cheio, recheado com as dificuldades que os próprios moradores do local terão com o aumento do fluxo de carros na São João, caso o minhocão venha a ser interditado definitivamente ou demolido. Os malufistas de plantão diriam: chamem o Maluf. A previsão do término para uma possível demolição é de aproximadamente 10 anos. A administração da cidade há muito deixou de primar pela excelência, as consequências aí estão. Aos moradores resta suportar ou influir nas decisões, caso contrário só mudando de endereço; aos motoristas, só pegando carona em um drone.

Vereadores durante votação realizada no plenário da Câmara. Foto: Richard Lourenço / CMSP

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Autor: alotatuape

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2 Comentários

  1. Nada mais eu quero no mundo que abir minhas janelas e ver ou o minhocão desaparecido ou um belo parque bem arvorizado.
    Quanto aos motoristas, parem de reclamar e lidem com a realidade do século 21.

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    • alotatuape

      Alex, seja bem-vindo. Agradecemos seu comentário, volte sempre e fale mais sobre “abrir minhas janelas e ver…”, gostaríamos muito de ouvir a sua versão.

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