Política de transportes – Mobilidade urbana

São Paulo, onde o delírio e a paixão de ser paulistano só são superados pelo caos dos horários de pico, no que diz respeito à mobilidade urbana da maior cidade da América Latina.

Tatuapé, localizado na zona Leste de São Paulo, é um dos bairros de maior fluxo populacional da cidade, cercado de uma das maiores infraestruturas urbanísticas da grande metrópole.

Radial Leste, Estação Tatuapé, 6h30 da manhã. Até às 8h, a tensão é grande no local, que recebe o fluxo das dezenas de milhares de passageiros das linhas de ônibus, metrô e trens.

Desembarque de ônibus no Tatuapé, rumos e destinos variados, num dos bairros com maior infraestrutura de São Paulo.

Desembarque de ônibus no Tatuapé, rumos e destinos variados, num dos bairros com maior infraestrutura de São Paulo.

Com a retirada de algumas linhas de ônibus que percorriam a zona Leste, a situação que já é caótica se torna cada vez mais insustentável. Devido também ao incessante crescimento populacional, o fluxo de pessoas que utilizam os transportes coletivos só tende a aumentar na região. Moradores, são unânimes em afirmar que a situação piorou no Tatuapé, seja com faixa exclusiva ou não.

O que eles apontam é a dificuldade de entrar nos coletivos. A estação Tatuapé do Metrô, ocupa o topo da lista de acessos impossíveis nos horários de pico e os ônibus vêm logo em seguida, ao lado dos trens. Apesar disso, muitos passageiros ainda preferem tentar a sorte nos ônibus que chegam menos lotados, como constatamos hoje, fato que não ocorre todos os dias. A lotação decai ao longo do período entre o início da manhã até às 8h, mas até chegar nisso, haja paciência.

Embarque complicado no Tatuapé: Demora, impaciência, tensão.

Embarque complicado no Tatuapé: Demora, impaciência, tensão.

Parte da dificuldade em acessar os coletivos, decorre do fato de que muitos passageiros insistem em permanecer próximos às portas, havendo espaços no interior dos ônibus. Apesar de que devemos levar em conta, que esse espaço é relativo ao já conhecido sistema lata de sardinhas, ou seja, mínimo ou quase nenhum. Mas também foram vistos vários coletivos sem lotação excessiva, ainda sob a visão de que lotação por aqui, é quando simplesmente não há lugar para mexer o pé do lugar. Assim, os passageiros imaginam que será difícil descer e se acumulam, dificultando o embarque.

A demora dos ônibus que param na Estação do Tatuapé irrita os passageiros que vêm de áreas mais periféricas da zona Leste. “Ontem (19) eu demorei 35 minutos para conseguir entrar no ônibus, hoje foram 15 minutos”, comparou uma usuária do sistema. O Tatuapé recebe um grande fluxo de usuários das linhas do Metrô, CPTU e ônibus. Apesar das reclamações de quem já está acomodado nos coletivos quanto à demora, a situação dos que precisam embarcar nos coletivos é ainda pior.

Pra onde vai todo mundo? Dificuldades aumentaram com a retirada de linhas da zona Leste pela Prefeitura.

Pra onde vai todo mundo? Dificuldades aumentaram com a retirada de linhas da zona Leste pela Prefeitura.

Paula, que tentava embarcar num dos ônibus e não conseguiu, nos conta que já chegou a esperar 40 minutos no ponto que fica sob a passarela da estação Tatuapé do Metrô até conseguir entrar. Com a retirada de algumas linhas de ônibus da zona Leste, ela que mora na cidade A. E. Carvalho faz o seguinte trajeto para chegar à Rua Oscar Freire, onde trabalha como Consultora em uma agência de viagens:

– Saída de casa às 6h15;
– Pegar o ônibus que vai somente até a estação Carrão do Metrô, devido à retirada de linhas. Se quiser ir direto precisaria andar 30 minutos a pé;
– Pegar outro ônibus para chegar até o Tatuapé ou ir a pé, pois não são todos os condutores que abrem as portas aos passageiros, no ponto que fica em frente à estação Carrão do Metrô, do outro lado da Radial Leste.
– Pegar outro ônibus para chegar até o centro;
– Pegar o Metrô para chegar ao Trabalho.

Estação Tatuapé: Confluência de trens, metrô e ônibus.

Estação Tatuapé: Confluência de trens, metrô e ônibus.

Ora, mas porque não pegar o Metrô no Tatuapé, perguntamos? A resposta, em forma de pergunta, veio em uníssono com Cristiane que também aguardava a condução: “Você já tentou entrar no Metrô do Tatuapé esta hora?” A situação é caótica nos horários de pico no início da manhã e final da tarde. Chega a ser impossível entrar, até que o fluxo diminua gradativamente. O Metrô se transformou numa lata de sardinhas de luxo, ao passar pelo bairro nesse horário em direção ao Centro; nem todos conseguem entrar.

Cristiane nos conta que hoje perdeu o ônibus que sai do Shopping Aricanduva. Ele a leva direto ao centro da cidade aonde pega o Metrô, a fim de ir para a faculdade que fica na Barra Funda, já que nas estações do bairro o embarque é difícil. Por isso, teve de pegar um ônibus para a Penha, mas que no final da Avenida Aricanduva vira à direita na Radial Leste, em direção ao bairro, onde ela desembarcou para tentar a sorte num dos pontos da Radial. Metrô? Nem pensar.
Seu trajeto é este:
– Saída de casa às 6h15, próximo ao Shopping Aricanduva;
– Ônibus para a Penha, até a Radial Leste;
– Pegar outro até a estação do Tatuapé;
– Especificamente precisaria de um ônibus para chegar até o Metrô no centro da cidade;
– De lá, pegar o Metrô até a Barra Funda;

Quando chegamos para esta reportagem, Paula havia acabado de dar sinal para o ônibus Estação da Luz que não parou e saiu da faixa exclusiva, invadindo duas faixas de veículos com a manobra, o que poderia causar um acidente.

“Agora terei de esperar até às 7h50 mais ou menos, quando passa o outro, fora o tempo que já estava aqui”, reclamava Paula com razão às 7h35, quando o motorista não parou. Nesse horário, Cristiane ainda estava no ponto. Chegaria atrasada para a aula e já se conformava em optar pelo Metrô.

Enorme fluxo de pessoas supera a oferta do transporte coletivo. Metrô do Tatuapé virou lata de sardinhas de luxo.

Enorme fluxo de pessoas supera a oferta do transporte coletivo. Metrô do Tatuapé virou lata de sardinhas de luxo.

R., moradora do Tatuapé, também reclama da retirada das linhas que vinham da zona Leste, dizendo que com isso os ônibus que passam pelo bairro ficaram mais lotados. Nesta semana, teve o dissabor de ser ofendida pelo condutor do ônibus, desde a estação do Tatuapé até o ponto de desembarque para ir ao trabalho, quilômetros adiante. Ele a ofendeu durante todo o trajeto e reclamava da atitude dela, que na tentativa de subir no coletivo tomou nota do número do ônibus, depois que esse motorista não quis abrir as portas para que os passageiros subissem. Quando percebeu a atitude da usuária, o condutor resolveu abrir as portas do ônibus e passou a ofendê-la. “Pensei que ele não iria abrir a porta para eu descer depois. Ainda bem que desce muita gente no mesmo ponto onde eu desço”, contentava-se resignada.

Covarde, certamente esse motorista teria receio em fazer as mesmas considerações e demonstrar o mesmo desrespeito se o passageiro fosse um homem. Atitudes covardes como essa do motorista, abusando de sua condição privilegiada ao constranger uma mulher e a falta do cumprimento de sua obrigação que é a de abrir as portas do coletivo, já que havia essa possibilidade como foi constatado, foram criticadas hoje pela SPTrans.

O fato aconteceu ontem, num dia bastante tumultuado na estação Tatuapé. Mas, o despreparo de alguns motoristas, tem causado não só esses tipos de transtornos e constrangimentos, mas também acidentes graves, como o da semana passada, quando um ônibus articulado matou duas pessoas num táxi executivo que trafegava pela faixa exclusiva da Avenida Vereador José Diniz, próximo à Rua Joaquim Nabuco, zona Sul. Após a colisão do coletivo contra o veículo, motorista e seu passageiro, foram literalmente esmagados no interior do Corolla. Segundo a SPTrans, o veículo podia trafegar pela faixa. O motorista do ônibus alega ter sido fechado por ele. A família do taxista informou que ele tem 22 anos de profissão. O caso está sendo investigado, mas só o ocorrido já demonstra a falta de treinamento e experiência de alguns condutores, que neste caso atribuiu o acidente a uma falha no sistema de freio.

Nesta quinta-feira, por volta das 7h, um fiscal da SPTrans tentava organizar o fluxo dos ônibus na estação Tatuapé. Vendo as dificuldades dos passageiros para embarcar, pedia aos demais que se acomodassem nos espaços do coletivo, a fim de que os outros pudessem entrar.

Vendo a situação no local, de súbito poderíamos sugerir uma campanha ampla dirigida aos usuários de coletivos para que deixassem livres os acessos das portas, pois constatamos vários ônibus sem lotação excessiva, cujo embarque estava dificultado pela permanência de pessoas próximas às portas. Há de se compreender o fato, levando-se em conta as lotações constantes e a dificuldade também ao desembarcar. O que levaria a considerar um estudo sobre a colocação de mais portas, especialmente nos ônibus articulados. Outra questão é a demora da cobrança da passagem que também emperra o acesso e dificulta o embarque.

Uma campanha de orientação e até mesmo a permanência inicial de agentes no interior de coletivos nos horários de pico ao longo da mesma, seria uma interessante tentativa de melhorar a mobilidade urbana.

GSS

alotatuape

Autor: alotatuape

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