Poluição sonora no Tatuapé, vídeo


Segunda-feira, 2 de maio de 2016 às 16h15


Este é um assunto antigo e já movimentou moradores que se incomodavam com o arrastar das cadeiras de um bar que existiu na Rua Itapura, chamado Democrata. Agora, entre outros fatores – às vezes imperceptíveis – que afetam a saúde da população, estão as sirenes noturnas, utilizadas por cidadãos que se auto-entitulam seguranças.

Gerson Soares

No ano 2001, foi lançado no Tatuapé o Bar Democrata, do ator Luciano Szafir, que tinha em sua programação diversas atrações musicais. Depois de muitas reclamações, o marketing da empresa criada pelo ator designou um gerente especialmente para solucionar os impactos causados pelo barulho noturno que perturbava sobremaneira moradores da Rua Itapura nas imediações da esquina com a Rua Euclides Pacheco. Um dos problemas apontados era o arrastar de cadeiras na hora de fechar o estabelecimento e limpar as mesas usadas pelos clientes entre 3 e 4 horas da madrugada.

O Alô Tatuapé divulgou amplamente o assunto que se arrastou por meses, envolvendo principalmente a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP/SP), representada pela 30ª Delegacia de Polícia Civil e a Polícia Militar do Estado de São Paulo, representada pela 3ª Cia do 8º BPM/M. Ambos os órgãos, em conjunto com o Conselho de Segurança do bairro tentaram exaustivamente conciliar os interesses e o objetivo foi atingido devido a vontade do estabelecimento em colaborar e entender o impacto que sua presença causava na vida daqueles moradores antigos. Isso foi essencial e um fator preponderante.

 

Sonômetro e cidadão perturbado com o excesso de ruídos. Fotomontagem ilustrativa: aloart / Sobrefotos: Getty Images

Aparelho de medição de ruídos e cidadão perturbado com o excesso de barulhos. Ilustração: aloart / Sobrefotos: Getty Images

 

O primeiro lugar para onde um cidadão se dirige quando se sente ameaçado é a delegacia de polícia, normalmente a fim registrar uma ocorrência, imaginando que encontrará atenção para sua necessidade e justiça. Desde janeiro de 2015, passamos a acompanhar a evolução de uma nova e grave modalidade de poluição sonora, não só no Tatuapé, mas que existe em pontos isolados da cidade. Porém, se alastra e seus estragos podem ser medidos pelo estresse que causa.

Imagine o leitor que durante toda a madrugada alguém que se autointitule segurança noturno, faça rompantes com uma sirene – o som é parecido com o utilizado pelas viaturas de autoridades policiais – disparando a noite um barulho que ultrapassa os limites da percepção de algumas pessoas que despertam do sono sobressaltadas – outras não percebem e sequer acordam, mas podem ser afetadas de alguma maneira. A poluição sonora pode causar vários distúrbios psicológicos em adultos e crianças – como dificuldades de aprendizagem –, além de doenças graves como diabetes e cardiovasculares.

Quem afirma e o Físico com mestrado em tecnologia na construção de edifícios e pesquisador vinculado ao Laboratório de Conforto Ambiental e Sustentabilidade dos Edifícios do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT), Marcelo de Mello Aquilino, e a fonoaudióloga, epidemiologista, doutora em Saúde Pública, professora doutora da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP) e da PUC-SP, Ana Claudia Fiorini. As observações de ambos foram feitas durante a 3ª Conferência Municipal sobre Ruído, Vibração e Perturbação Sonora, promovida pelo vereador Andrea Matarazzo na Câmara Municipal de São Paulo, acompanhadas pelo Alô Tatuapé nos dias 27 e 28 de abril e podem ser lidas na reportagem “Conferência na CMSP alerta para perigos da poluição sonora”.


 

Leia mais sobre este assunto:
– IPT participa da 3ª Conferência sobre poluição sonora na CMSP
– Conferência na CMSP alerta para perigos da poluição sonora
– Poluição sonora em São Paulo será tema de conferência


No Tatuapé, já registramos dois boletins de ocorrência na 30ª Delegacia de Polícia Civil, que fica na Rua Antonio Camardo esquina com a Rua Serra do Japi – um em julho de 2015 e outro em março de 2016 –, quanto à poluição sonora produzida pelas sirenes das motos dos supostos seguranças noturnos. Cadastrados nesse mesmo distrito policial, portanto sob o conhecimento das autoridades constituídas, que por sua vez representam a Secretaria de Segurança Pública e o Governo do Estado. Os guardas-noturnos basicamente tomam a lei em suas mãos cobrando um pagamento mensal pela suposta segurança que produzem com as sirenes infernais, sobrepujando a Constituição Brasileira – que dispõe amplamente tanto sobre segurança quanto perturbação sonora – e as leis municipais e estaduais vigentes.

 

Segurança noturno passa de moto durante toda a noite e madrugada tocando uma sirene. A sensação é de ameaça e intranquilidade noturna. O perigo está na poluição sonora que esse tipo de prestação de serviço vem causando à partir da adoção de sirenes ou quaisquer aparelhos sonoros que interferiam no sono; e às doenças que podem expor a população onde são exercidos no momento mais importante para o descanso, segundo especialistas. A medição (mostrada ilustrativamente na imagem)é possível de ser feita com total precisão. O gráfico que consta nesta página pode dar uma ideia do volume permitido por lei. Fotoframe: aloimage com foto ilustrativa de Kerry Raimond via Wikicommons

Segurança noturno passa de moto durante toda a noite e madrugada tocando uma sirene. A sensação é de ameaça e intranquilidade noturna. O perigo está na poluição sonora que esse tipo de prestação de serviço vem causando à partir da adoção de sirenes ou quaisquer aparelhos sonoros que interferiam no sono; e às doenças que podem expor a população onde são exercidos no momento mais importante para o descanso, segundo especialistas. A medição (mostrada ilustrativamente na imagem)é possível de ser feita com total precisão. O gráfico que consta nesta página pode dar uma ideia do volume permitido por lei. Fotoframe: aloimage com foto ilustrativa de Kerry Raimond via Wikicommons

 

Antagonicamente, quem por algum motivo paga por esse tipo de serviço está prejudicando a sua própria saúde e também da vizinhança e é isso que estamos buscando esclarecer neste caso específico, deixando claro que não haveria o menor problema se os seguranças não fizessem barulhos de sirenes ou das motos, enquadrando-se na ampliação dos problemas dos bairros e da poluição sonora da cidade também durante a noite e nas madrugadas. Pessoas mais sensíveis são as que apresentam os problemas inicialmente, mas todas estão sendo prejudicadas. Estudantes, trabalhadores, idosos, acamados, doentes e crianças que não conseguem ter a qualidade do sono garantida, deixam de produzir adequadamente durante o dia.

Uma das questões levantadas durante a 3ª Conferência Municipal sobre Ruído, Vibração e Perturbação é que o barulho passa a ser assimilado e mal percebido pelas pessoas, que só se dão contam quando sua saúde é afetada de alguma forma. Fica aqui uma questão: para que serve o acionamento perturbador das sirenes pelos tais seguranças noturnos?
a) espantar os bandidos;
b) alertar os moradores/clientes;
c) avisar que estão passando, portanto trabalhando;
d) perturbar o sono de quem não paga.


 

Leia a NBR 10151 e saiba mais. O físico do IPT, Marcelo de Mello Aquilino, frisou durante a 3ª Conferência Municipal sobre Ruído, Vibração e Perturbação Sonora: “Nós temos que atuar em todas as frentes para fiscalizar os ruídos e dar subsídios às autoridades”, referindo-se à questão como grave no que tange a saúde pública.


Fonte: Megaclima

Fonte: Megaclima

 

O cidadãos brasileiros estão querendo mudanças e não aceitam mais imposições antigas de o mais forte ser o mais certo, de quem está no poder ser o poderoso. O Brasil, ocupando cada vez mais uma posição de destaque no cenário mundial, tenta mostrar que existem por aqui pessoas que desejam trabalhar e estudar e exercer sua cidadania com seriedade, mas ainda somos vistos como trapalhões no cenário internacional. Escreveu Arnaldo Jabor, em seu texto intitulado “Como vai ser o futuro?”, publicado pela mídia no dia 26 de abril último: “O mundo nos contempla como um país de trapalhões; não é catástrofe, guerra – é a esculhambação secular”.

A poluição sonora é considerada um assunto extremamente importante pela Organização Mundial de Saúde, mas no Brasil ainda não se dá a devida importância ao assunto. Ouça o vídeo que produzimos na região pesquisada do Tatuapé, envolvendo um segurança noturno cadastrado no 30º Distrito Policial do bairro.

 

Poluição sonora no Tatuapé

 
Publicado em 30 de abr de 2016

Este vídeo produzido por volta das 3h da madrugada no mês de março de 2016, mostra a atuação de segurança noturno, pago por poucos moradores e comerciantes. O início da gravação deixa claro o silêncio do local pesquisado, até que ele passa de moto tocando uma sirene durante a noite e a madrugada diariamente em determinada área do Tatuapé. Essa ação é repetida por diversos outros na cidade de São Paulo, sob a permissividade das autoridades ou a falta de conhecimento destas, sobre as consequências advindas desse tipo de ação que procuramos esclarecer na reportagem "Poluição sonora no Tatuapé". Entre os malefícios indicados por especialistas do IPT e da UNIFESP, a poluição sonora pode causar problemas de dificuldade de aprendizagem nas crianças, diabetes e doenças cardiovasculares nos adultos, entre outros males, inclusive psicológicos. Teoricamente, esse tipo de serviço não causaria problema se esses ditos guardas noturnos, função que deve ser exercida primordialmente pelo poder público, apenas fizessem um trabalho silencioso, mantendo suas motos sob as normas regulamentares e sem utilizar qualquer tipo de artefato sonoro. De certa forma, quem mantém ou paga esses seguranças para tocar sirene, também é responsável pelas consequências advindas no que tange à saúde pública, assim como as autoridades que não investigam e fiscalizam esse tipo de atividade.


Interaja com esta reportagem no grupo Alô Tatuapé do whatsapp, participe dando sua opinião, fazendo comentários e perguntas. Ajude a melhorar seu bairro, sua cidade e seu país participando de questões graves como esta, inclusive em seu próprio benefício e de seus familiares.

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