Por uma educação de qualidade para o Brasil

Quarta-feira, 10 de setembro de 2014, às 16h22

 

Por uma educação de qualidade para o Brasil

Em artigo exclusivo publicado no último dia 4, no jornal Correio Braziliense, o diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos, e o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Glauco José Côrte, destacam a importância de o Brasil oferecer uma educação básica de qualidade, da creche ao ensino médio. Segundo eles, isso significa acesso, permanência, aprendizagem e conclusão escolar na idade certa.

“Apesar dos avanços alcançados nas duas últimas décadas, o país ainda está longe de ofertá-la na escala continental de seu território”, afirmam.

 

Campanha do Instituto Ayrton Senna pela Educação no Brasil. Arte: Divulgação / IAS

Educação, mais educação

Glauco José Côrte e Mozart Neves Ramos

Mudanças estruturais, que impactam o modelo de desenvolvimento de uma sociedade, são normalmente promovidas por descontinuidades tecnológicas. Foi assim com a máquina a vapor, a eletricidade, o transistor e a internet. Ocorre que tais descontinuidades são cada vez mais frequentes, com impactos profundos nos diversos setores produtivos. A dinâmica desses novos tempos está a exigir que crianças, jovens e adultos tenham acesso à educação ao longo da vida. Mas não a qualquer educação. O ponto de partida passa pela oferta de uma educação básica de qualidade, da creche ao ensino médio. Isso significa acesso, permanência, aprendizagem e conclusão escolar na idade certa. Apesar dos avanços alcançados nas duas últimas décadas, o país ainda está longe de ofertá-la na escala continental de seu território.

No que se refere em particular à formação de jovens com vistas à inserção no mundo do trabalho, tão necessária para a competitividade do país, será preciso ao menos triplicar o atual número de matrículas em cursos técnicos e profissionalizantes, em conformidade com o novo Plano Nacional de Educação (PNE). E não é sem razão: enquanto na Alemanha 53% dos jovens estão matriculados nessa modalidade de ensino, no Brasil esse percentual é de apenas 17%! O Pronatec, programa de formação profissional implantado pelo governo federal, representa, sem dúvida, uma luz no fim do túnel. Mas a baixa qualidade da educação básica e a escassez de bons professores podem comprometer a sua expansão com qualidade, especialmente nas áreas estratégicas vinculadas às ciências exatas e tecnologias.

Há outro desafio em jogo: o de como motivar 5,3 milhões de jovens de 18 a 25 anos que nem estudam nem trabalham, a chamada “geração nem-nem”, para trazê-los de volta à escola e, posteriormente, incluí-los no mundo do trabalho. Isso é essencial para um país que passa por um bônus demográfico que se completará, segundo os especialistas, em 2030. O país, para seu crescimento econômico e sua sustentabilidade, não poderá abrir mão de nenhum de seus jovens.

No ensino superior, o desafio não é menor. O Brasil tem apenas 16,5% de jovens de 18 a 24 anos matriculados nesse nível de ensino. Em conformidade com o PNE, o país precisará dobrar esse percentual nos próximos dez anos, ou seja, chegar a 33%. Para se ter uma ideia da complexidade dessa meta, esse era o percentual previsto no PNE para o ano de 2010. Isso exige – sem que haja perda de qualidade com essa expansão – que a educação básica melhore significativamente. Como se vê, tudo passa pelo desafio da qualidade desse nível educacional.

Felizmente, a sociedade começa cada vez mais a ter clareza da importância de uma boa educação para que o país venha a ser, de fato, protagonista e competitivo nesse complexo cenário mundial. Na última pesquisa do Ibope/CNI, a educação já se coloca entre as três principais preocupações dos brasileiros, juntamente com a saúde e a segurança pública. Há dez anos, ela ocupava, nessa mesma pesquisa, a 7ª prioridade dentre as principais demandas dos brasileiros.

Essa maior demanda por educação pode contribuir para que o país reduza o enorme hiato que separa o seu desenvolvimento econômico, medido pelo seu Produto Interno Bruto – PIB (o Brasil é o 7° PIB mundial), e o seu desenvolvimento social, medido pelo seu Índice de Desenvolvimento Humano – IDH (o Brasil ocupa a 79ª posição no ranking mundial). Somente quando o país alinhar esses indicadores nas melhores posições do cenário mundial, teremos de fato um Brasil mais justo e com menos pobreza. Para que isso aconteça, não se conhece nada melhor do que a educação – que, para ser de boa qualidade, precisará de professores valorizados e bem-formados, e de alunos motivados para aprender, em escolas preparadas para os desafios do século XXI.

Fonte: Instituto Ayrton Senna
alotatuape

Autor: alotatuape

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