Praia de Ubatumirim x poder imobiliário


Segunda-feira, 23 de maio de 2016 às 19h43

 

É preciso olhar para Ubatuba com mais atenção, sob pena de o Estado de São Paulo perder outra joia raríssima de beleza ímpar do seu litoral, como aconteceu na Baixada Santista há aproximadamente 60, 70 anos – aos poucos o belo litoral de Santos, São Vicente e Praia Grande perderam sua beleza para o poder econômico das construtoras e imobiliárias. O mesmo se repetiu nas praias mais badaladas do Guarujá. Todas, sem planejamento anterior, padecem hoje com a poluição das águas e muitas delas são consideradas impróprias para o banho, principalmente nas altas temporadas, quando deveriam estar no auge da balneabilidade.

Gerson Soares

Em Caraguatatuba aconteceu o mesmo por falta de planejamento, consciência urbanística e ambiental voltadas para o futuro. Hoje, quem pode e tem tempo, viaja 250 quilômetros a partir do centro de São Paulo, a fim de encontrar praias limpas em Ubatuba que também poderiam ser encontradas na Baixada Santista a menos de 75 quilômetros, se apenas os interesses políticos e financeiros não tivessem sido prioridade.

 

Vista do litoral norte, Ubatuba - praia Estaleiro do Padre. Foto_aloimage

Vista do litoral norte, Ubatuba - praia Estaleiro do Padre que fica ao Norte de Ubatumirim, quando esta muda de nome. Na verdade ambas fazem parte da mesma enseada, a praia do Estaleiro recebe esse nome quando se cruza o Rio Ubatumirim que as divide. Foto: aloimage

 

Ubatuba já sofre com o número excessivo de turistas na alta temporada, esporadicamente algumas praias já não são tão limpas como há 10 ou 20 anos, a do Centro é uma delas, devido a falta de investimentos em infraestrutura. A cidade logo poderá sucumbir à ganância do poder econômico e imobiliário, principalmente enquanto o Prefeito da cidade convida os empreendedores, mas não cria infraestrutura nem de energia elétrica para a população, uma incompatibilidade muito bem assinalada pelo vice-presidente da Associação dos Amigos da Praia de Ubatumirim, Rildo de Souza: “Pra quê eu vou atender a necessidade desse pobre coitado se eu não vou levar vantagem. Deixa o grandão vir até mim que eu consigo colocar no bolso”, referindo-se à sonegação da energia trifásica solicitada há muito tempo pela APU. Diferente dos interesses financeiros nas grandes obras que podem chegar a Ubatumirim e à cidade de maneira geral.

Iniciativas de famílias e associações em prol da preservação do meio ambiente, como veremos aqui, são as únicas resistências que pontuam pelo litoral de Ubatuba, já que as leis ambientais não se aplicam como deveriam. A Prefeitura de Ubatuba está investindo em saneamento básico e na semana passada ouviu a população, mas é preciso ouvir e pesquisar muito mais. Compareceram 20 pessoas à reunião, sendo que a população estimada pelo IBGE em 2015 era de 86.392 habitantes. Um crescimento de 9,2% perante 2010, quando a cidade tinha 78.801, de acordo com o órgão.

Estas foram as perguntas sobre a construção de um condomínio de luxo na praia de Ubatumirim, Ubatuba-SP, enviadas à Secretaria de Habitação e Planejamento Urbano da cidade:

- Procede a informação de que o loteamento está aprovado pela Prefeitura?
- Qual o tamanho da área?
- De fato, o senhor (secretário de Habitação e Urbanismo, Roberto de Carvalho Resende) tem informações sobre a construção de um condomínio de luxo no local pela empresa Camargo Corrêa?
- Caso seja verídico, eles poderão controlar o acesso à praia de Ubatumirim, como tem sido informado pelos moradores?

Essas mesmas perguntas foram enviadas ao gabinete do Prefeito, mas também não foram respondidas. Assim como ao Ministério Público de Ubatuba que também não respondeu.

De acordo com a Associação dos Amigos da Praia de Ubatumirim (APU), a área do loteamento pertence à Construtora Camargo Corrêa, envolvida na operação Lava Jato. Em contato com a assessoria da empresa sobre o assunto, foi negado verbalmente ser ela a proprietária. Porém, mesmo sob nossa insistência, a assessoria se negou a enviar um email formalizando a negativa.

Leia as reportagens a seguir e assista ao vídeo da entrevista com os moradores, líderes da APU.