Prefeitura retira famílias para revitalizar área do parque D. Pedro II

Sexta-feira, 12 de setembro de 2014,
às 10h30


Programa “Autonomia em foco” transfere famílias para abrigos de forma pacífica. Remoção das barracas foi pactuada com os quase 200 moradores, que foram encaminhados para abrigos, onde terão autonomia.

Foto: Fabio Arantes/ Secom/ PMSP

Foto: Fabio Arantes/ Secom/ PMSP

Foto: Heloisa Ballarini / Secom / PMSP

Foto: Heloisa Ballarini / Secom / PMSP

SECOM – A Prefeitura de São Paulo iniciou na manhã desta quinta-feira (11) as ações do novo programa de acolhimento de assistência social, o “Autonomia em foco”, que oferece abrigo para famílias ou pessoas sozinhas em situação de rua que já têm renda e estão próximas da autonomia plena. O projeto começou com a transferência de 186 pessoas que ocupavam um terreno próximo à alça de acesso à avenida no Parque Dom Pedro II, na região central, conforme informou a Secretaria de Comunicação do órgão.

As famílias foram encaminhadas a dois hotéis na região central, um no Pari e outro no Glicério, que funcionarão como um abrigo, gerido por uma entidade conveniada à administração municipal, mas com mais autonomia dos moradores.

A desmontagem das barracas e a transferência das famílias para os abrigos ocorreu de forma pacífica, e marcou o fim das 17 ocupações de parques e praças encontradas pela administração no início da atual gestão.

A secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Luciana Temer, acompanhou a ação e ressaltou que o projeto não é ligado a espaços, mas a pessoas em situação de rua. “Nós alugamos hotéis que serão gerenciados pela assistência social e estas famílias que foram para lá vão ser acompanhadas pela Assistência Social, mas cada um no seu quarto, com a sua privacidade. A ideia era construir com eles um espaço que não fosse ainda uma solução habitacional, mas que não fosse um atendimento regular da Assistência Social. Era um espaço de construção de uma autonomia maior para estas famílias”, disse.

As famílias beneficiadas puderam levar aos hotéis seus pertences pessoais, como roupas e TVs. Geladeiras, fogões e outros objetos maiores foram enviados a um depósito da Subprefeitura Sé. Os beneficiários do programa concordaram com a proposta de trabalho que exige deles uma atitude proativa no seu processo de reinserção social.

Os moradores dos novos abrigos se mostraram satisfeitos com a mudança. “Eu ainda não consigo acreditar que consegui este espaço. Esta noite não consegui dormir direito por tanta ansiedade. Nós fomos do inferno para o céu!”, disse Maria Egilda Ferreira, que junto com sua filha grávida e seu neto foram para o hotel do Glicério.

“Esse programa é ótimo, muito bom. Nós sofremos muito aqui e a Assistência Social deu uma grande atenção a todos nós. Agradecemos muito toda essa atenção de todos eles que estão aqui. As famílias, as crianças, todos estamos muito felizes. São dois anos de muito trabalho aqui dentro e temos muito o que agradecer”, afirmou uma das lideranças da comunidade, Omero Barbosa, de acordo com a SECOM.

“Eu vivo com a minha esposa e agora tudo vai ficar mais fácil. Agora temos um endereço, isso é vida”, disse Iranildo Ribeiro Santana, morador do abrigo do Pari.

A administração municipal construiu o projeto a partir da experiência acumulada no projeto “De Braços Abertos”, na região da Luz, sobre a importância do protagonismo do morador de rua. Muitas conversas foram feitas e os moradores do local ouvidos. Foram cadastrados e vêm sendo acompanhados pela Assistência Social há cerca de um ano.

O grupo será responsável pela própria alimentação e pela limpeza de seus quartos. As crianças e adolescentes terão garantidas vagas em creches, escolas e no Centro de Convivência da Criança e do Adolescente no contraturno escolar. Os beneficiados poderão fazer cursos pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico (Pronatec) e terão ajuda no encaminhamento profissional para o mercado de trabalho. Também terão acompanhamento psicológico e de assistentes sociais.

De Braços Abertos

O novo acolhimento atenderá ainda 14 pessoas que participavam do programa “De Braços Abertos” que, em razão da evolução do tratamento, já estão empregadas.

Ação

Ação

O desmonte das barracas foi feito após a saída dos grupos de pessoas, numa operação que envolveu, além da Smads, a Secretaria de Direitos Humanos, a Subprefeitura Sé, CET, Guarda Civil Metropolitana, Polícia Militar, Defesa Civil e Secretaria de Serviços.

Após a desocupação completa, o alambrado do local será removido e o parque será devolvido para uso da sociedade, com ronda da GCM para evitar novas ocupações.

“Nós vamos revitalizar esta área. Nós vamos retirar estas grades, vamos gramar, transformar isto aqui em uma praça novamente e entregar a praça para o povo. Este é o objetivo e nós pretendemos fazer isso imediatamente para começar a retirada das grades ainda no dia de hoje”, destacou o subprefeito da Sé, Alcides Amazonas.

Fotos: Fabio Arantes/ Secom/ PMSP

Autonomia em Foco

Autonomia em Foco

A iniciativa surgiu após agentes da Secretaria Municipal da Assistência e Desenvolvimento Social (Smads) e da Secretaria Municipal de Direitos Humanos verificarem que o espaço era ocupado prioritariamente por famílias com problemas habitacionais, com pouca ou nenhuma dependência química.

Para o hotel no Pari (Rua Edu Chaves, 164) foram encaminhadas 119 pessoas, sendo 36 famílias com 88 adultos e 31 crianças e adolescentes, além de 19 solteiros. Para o Glicério (Rua dos Estudantes, 505) foram 67 pessoas, sendo 40 famílias com 57 adultos, seis crianças, dois adolescentes e dois recém-nascidos.

O custo mensal da locação dos imóveis onde vão funcionar os abrigos é de R$ 110 mil. Já o investimento aplicado em cada convênio é de R$ 122 mil mensais para o atendimento permanente das famílias, 24 horas por dia.

“Serão duas entidades diferentes cuidando de dois acolhimentos e o que elas ofertam é o que nós exigimos na portaria que estabelece a proposta do Autonomia em Foco. Todos os serviços da Assistência Social são previamente estabelecidos, desde o número de funcionários, a qualidade dos funcionários, se vai ter psicólogos, se vai ter assistentes sociais, tudo é pré-estabelecido. Então existe hoje uma estruturação do ‘Autonomia em Foco’ que conta com psicólogos, com educadores, com o gerente do serviço e um grupo técnico para atender estas pessoas”, explicou a secretária.

“Nós pretendemos levar outras famílias que estão na rua e que têm condições de autonomia e não obrigatoriamente estão aqui no parque dom Pedro. Nós iniciamos aqui porque identificamos que nesta ocupação do parque dom Pedro havia muitas famílias com este perfil”, afirmou Luciana.

Foto: Fabio Arantes/ Secom/ PMSP

alotatuape

Autor: alotatuape

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