Privilégios e estação inacabada põe em dúvida ciclovias no bairro

Rua Emílio Mallet com Francisco Marengo: obra de estação de biciletas está parada há mais de um mês. Foto: aloimage


Sexta-feira, 17 de outubro de 2014 às 11h23 – Atualizado às 13h41


Os órgãos públicos estão sendo cobrados pela população que já não suporta ver tanta desfaçatez e desperdício de verbas.

Gerson Soares

Quando percebemos boa vontade política para realizar é a experiência que nos breca e lembra a frase “de que o inferno está repleto de boas intenções”. É possível perceber claramente que ainda prevalece o jogo de interesses na administração pública, assim como o ganho de favores e privilégios em detrimento da competência e necessidade.

Subprefeitura Mooca disse que o problema é da CET e afirma ter notificado empresa responsável. Foto: aloimage

Duas das estações de bikes que estão no Tatuapé deixam isso muito claro. Quem já está usando a bike como meio de transporte, já consegue enxergar essas diferenças. Nas esquinas das ruas Serra de Japi e Euclides Pacheco, onde há os bares e outros tipos de comércios, como padarias e farmácias, a Estação de Bicicletas da Prefeitura foi construída de um dia para o outro e já é possível ver as bikes estacionadas.

Diga-se de passagem, o local seria impróprio, já que pode associar o uso da bike com a bebida. Se carro e álcool não combinam, quanto mais bicicleta. O local escolhido pela Secretaria de Transportes e pela Companhia de Engenharia de Tráfego está ao lado das mesas de um bar que ficam na calçada, enquanto o Largo Nossa Senhora do Bom Parto possui diversos locais muito mais adequados para o estacionamento.

A outra ponta desta questão é a Estação de Bike na esquina das ruas Emílio Mallet e Francisco Marengo. Ali não há bares, restaurantes os quaisquer outros destaques comerciais de alta frequência. Porém, conta com localização privilegiada e fica numa área plana até o Metrô Carrão, o Parque Sampaio Moreira (ao lado da estação) e diversas residências e prédios, de onde os ciclistas poderiam partir ou chegar.

Segundo informações da Subprefeitura Mooca, a construção dessa estação, passa pela parceria público-privada com o banco Itaú. Pelo visto, a parceria não está dando certo neste caso, já que a obra permanece parada há um mês ou mais, muito diferente da operação relâmpago para a construção da estação na Rua Serra de Japi. Compreensivelmente, a construção envolve a área comercial que atrairia muito mais pessoas. Se assim for, fica em dúvida a premência da outra estação e sua conclusão.

Na semana retrasada, o prefeito Fernando Haddad, falou das ciclovias do Tatuapé durante sua visita ao Ceret, e ele nos pareceu bastante entusiasmado com o projeto, que deve resultar em 400 quilômetros de faixas exclusivas na cidade. Em ambos os locais citados do bairro ainda não há nenhum metro de ciclovia e é neste ponto que pedimos ao leitor para retornar ao início desta matéria.

Há mais de um ano, a Prefeitura de São Paulo noticiou o WiFi Livre para a Praça Sílvio Romero e nada. Ele foi parar na Praça Sampaio Vidal, sorte de quem por ali pode conectar-se à rede gratuitamente. No Ceret, Haddad pediu providências ao secretário Simão Jorge para providenciar WiFi Livre no parque. “Não é possível que um parque destes não esteja em nosso programa”, disse o prefeito.

As ciclovias e estações de bikes no Tatuapé e Jardim Anália Franco – e entenda-se o Tatuapé também a parte que fica no entorno da Av. Celso Garcia –, esperamos que não tenham o mesmo destino do WiFi Livre ou que apenas os lugares mais interessantes sejam privilegiados.

O bairro possui amplas áreas planas e, dependendo dos horários, não há mais vagas para estacionar, como todos sabem. As bikes poderiam ajudar a resolver os problemas de mobilidade no Tatuapé. Espera-se que a atenção da prefeitura e dos órgãos aos quais competem as escolhas dos futuros locais, não se voltem aos interesses particulares ou empresariais e sim às reais necessidades da população, que aumenta a cada dia.

Como foi dito anteriormente, o Prefeito parece ter boa vontade para melhorar a qualidade de vida em São Paulo e o Secretário Municipal de Transportes também, mas ainda falta entrosamento com órgãos da competência municipal e as aspirações populares.


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Autor: alotatuape

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