Promessas e promessas

Sábado, 6 de setembro de 2014, às 18h06

 

Promessas é o que não falta em época de eleições. Apesar da obviedade do impossível que permeia as afirmações dos concorrentes que insistem em citar o agronegócio para impingir ataques à campanha da candidata do PSB Marina Silva, esta se mantém firme em suas convicções e isso é um bom sinal perante o universo de promessas feitas pelos outros dois principais candidatos, a cada visita pelos recantos e capitais do país.

Gerson Soares

A corrida presidencial está polarizada entre os três primeiros colocados e após as primeiras semanas de campanha ainda o agronegócio figura em foco. Esta atividade vai bem. Entre chuvas e secas é a que impulsiona o PIB (Produto Interno Bruto) nacional nos últimos tempos. Quanto ao agronegócio, Marina (que num confronto direto no segundo turno está em primeiro lugar nas pesquisas) já deixou claro sua posição. Diz que a maioria dos líderes da atividade concorda com ela, apenas uma minoria insiste em continuar lutando contra a maré sustentável que norteia o mundo inteiro não só o Brasil.

São afirmações e promessas absurdas, como a do candidato do PSDB Aécio Neves (em 3º lugar), que colocam em dúvida os eleitores. Ele prometeu há alguns dias, a jovens que construíram um site a fim de apoiarem sua campanha, um salário mínimo para cada um dos 11 milhões de estudantes – segundo suas próprias estimativas – que deixaram as escolas. Fazendo a conta para calcular o incentivo, chegamos a 7.964 bilhões de reais, ao valor do mínimo de hoje. Falta saber qual será a periodicidade do benefício.

Por sua vez, a candidata do PT Dilma Roussef (em 2º lugar nas pesquisas e perderia no segundo turno para Marina), não se cansa de repetir as façanhas de seu governo e promete melhorar o que não deu certo, como se isso bastasse para o eleitorado acreditar que no seu próximo mandato o país irá navegar diretamente para um mar de rosas, onde provavelmente o ex-presidente Lula deterá o mesmo poder de Netuno. Nesta sexta-feira (5), durante a 37ª Expointer (Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários), no Rio Grande do Sul, Dilma enfatizou o tanto que se fez pelo campo durante o governo petista, tal como o financiamento de máquinas agrícolas e prometeu muito mais. Segundo o Instituto de Economia Agrícola de São Paulo, numa conjuntura de fatos, como mostra a pesquisa divulgada nesta semana, houve queda de -18% no comércio de máquinas agrícolas, atingindo tanto o mercado interno como o externo.

Marina Silva (PSB) participa de  inauguração de mais uma “Casa de Marina e Beto”, em Guarulhos (SP). Foto: Léo Cabral/ MSilva Online

Dilma Rousseff durante visita à 37ª EXPOINTER – Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários, em Esteio (RS).  Foto: Ichiro Guerra / Dilma 13

O candidato à Presidência pela Coligação Muda Brasil, Aécio Neves, participou de caminhada em São Leopoldo (RS), acompanhado da senadora Ana Amélia (PP), que disputa o governo do Rio Grande do Sul. Foto: Marcos Fernandes/ Coligação Muda Brasil

Ambos, Aécio e Dilma, estiveram nesta sexta-feira no Rio Grande Sul e atacaram Marina Silva naquele que julgam ser o seu ponto mais fraco, ou seja, o agronegócio – devido sua postura quanto à sustentabilidade e seu histórico de vida. Entenda-se parte dos interesses do setor dos agronegócios principalmente na Amazônia, onde alguns agricultores insistem na derrubada da floresta para cultivo agrícola e criação de gado.

Deixando de lado, mesmo que momentaneamente, a questão amazônica, prometendo favorecer a todos os desejos dos agricultores e pecuaristas que já recebem incentivos e subsídios governamentais, os candidatos do PT e do PSDB comprometem mais ainda o preparo para assumir a gestão de um país que está ávido por mudanças e cansado de palavrórios, jingles irritantes desconexos e sotaques regionais no horário político, além é claro das cascatas de promessas. O Brasil tem vários sotaques: o paulista, gaúcho, paranaense, cearense, paraibano, capixaba, carioca, caiçara e até mesmo indígena, entre outros mais. Portanto, campanhas sérias deveriam falar uma só língua, com o sotaque da seriedade, que o momento requer.

Se Marina vai ganhar a corrida para o Palácio do Planalto, e caso isto ocorra, se saberá governar um país de dimensões colossais como o Brasil, não é possível adivinhar. Mas sua postura diante de cada decisão e atitude tomadas, nas entrevistas à imprensa, nos debates já promovidos, a elevou imediatamente ao alto das pesquisas na disputa presidencial na opinião dos brasileiros. O país não precisa de sorrisos agora, há de sobra, o que é necessário neste tempo crucial voltado para os próximos quatro anos, num mundo que assume diferentes aspectos a cada instante é de postura, credibilidade e decisão.

Aécio e Dilma perdem tempo ao atacar Marina, deviam procurar saber mais sobre a opinião pública e perceberiam que o povo chegou ao limite do crédito às promessas de campanhas que já não colam.

alotatuape

Autor: alotatuape

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