Reitor da USP não comparece a encontro na ALESP

Quinta-feira, 28 de agosto de 2014 às 19h29

Comissão de Educação e Cultura reúne-se com trabalhadores das universidades públicas.

Convocado, reitor da USP não compareceu.

Por Keiko Bailone

Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo – Sem a presença do reitor da USP, Marco Antonio Zago, que se ausentou mesmo tendo sido formalmente convocado, o presidente da Comissão de Educação e Cultura (CEC), deputado Carlos Neder (PT), decidiu, com o deputado Carlos Giannazi (PSOL), realizar a reunião em caráter informal nesta quarta-feira, 27/8. O encontro serviu para que representantes de associações professores, alunos e funcionários da USP, Unesp e Unicamp justificassem suas reivindicações no que se refere à crise financeira, a greve e a desvinculação do Hospital Universitário (HU) da Universidade de São Paulo.

Reunião informal da Comissão de Educação e Cultura (CEC). Foto: José Antonio Teixeira / ALESP

Reunião informal da Comissão de Educação e Cultura (CEC). Foto: José Antonio Teixeira / ALESP

 

Antes de começar a reunião, Neder leu ofício enviado pelo reitor Marco Antonio Zago, justificando sua ausência: “reunião agendada para a mesma data, para discutir a recomposição orçamentária da USP e a questão salarial com o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp)”. Nesse mesmo ofício, o reitor propõe que a reunião seja reagendada para o dia 10/9, às 14 horas.

O deputado Carlos Giannazi informou que dava entrada, naquele momento, a duas representações contra o reitor, por crime de responsabilidade e desobediência. A primeira foi endereçada ao Ministério Público e a segunda protocolada junto à Assembleia Legislativa. Argumentou que não fora a primeira vez que parlamentares do Legislativo paulista haviam sido tratados com desprezo por Zago e denunciou a construção de um prédio nas imediações da avenida Paulista, no valor de 71 milhões de reais. “Estão sendo construídos para abrigar os órgãos centrais da reitoria, que deveriam estar na USP”, destacou.

A deputada Sara Munhoz, do PCdoB, manifestou-se, em nome das enfermeiras, contra a desvinculação do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo.

 

Professores, alunos e funcionários da USP, Unesp e Unicamp apresentam suas reivindicações no auditório Franco Montoro da ALESP. Foto: José Antonio Teixeira / ALESP

Professores, alunos e funcionários da USP, Unesp e Unicamp apresentam suas reivindicações no auditório Franco Montoro da ALESP. Foto: José Antonio Teixeira / ALESP

 

Reivindicações do Fórum das Seis

Francisco Miraglia, presidente da Associação dos Docentes da USP (Adusp) apresentou as propostas do Fórum das Seis, entidade que congrega funcionários, professores e estudantes das três universidades públicas. Destacou a necessidade de um repasse emergencial de R$ 600 milhões para socorrer a USP, Unesp e Unicamp, montante esse que evitaria o plano de demissões voluntárias oferecido por Zago, “para arrecadar R$ 400 milhões”. Criticou o arrocho salarial e o desconto de 1% do repasse destinado às universidades para a habitação, e reivindicou o aumento do percentual de 9,57% da arrecadação do ICMS, face à expansão das três universidades públicas do Estado.

Essa foi também a tônica dos outros participantes da Mesa, João Paulo, coordenador do Fórum Estadual da Educação; João Chaves, presidente da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp); e Paulo Cesar Centoducatte, presidente da Associação dos Docentes da Unicamp (Adunicamp). Estes dois últimos rebateram a afirmação do reitor da USP, Marco Antonio Zago, de que os salários da USP são também causa da crise financeira da USP.

Gerson Salvador, do HU-USP, relatou sua carreira como residente e médico desse hospital desde 2009, e lembrou a importância dessa instituição para os moradores da região oeste da capital paulista. Afirmou que a desvinculação do HU da USP poderá prejudicar pesquisas “pensadas na necessidade da população com as características do brasileiro”.

Bárbara Guimarães, representante do Diretório Central dos Estudantes da USP (DCE-USP) e Reinaldo Souza, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), condenaram a política de repressão ao movimento grevista que já dura três meses, “um marco histórico” e a desvinculação do HU da USP.

 

O encontro serviu para que representantes de professores, alunos e funcionários da USP, Unesp e Unicamp justificassem suas reivindicações no que se refere à crise financeira, a greve e a desvinculação do Hospital Universitário (HU). Foto: José Antonio Teixeira / ALESP

O encontro serviu para que representantes de professores, alunos e funcionários da USP, Unesp e Unicamp justificassem suas reivindicações no que se refere à crise financeira, a greve e a desvinculação do Hospital Universitário (HU). Foto: José Antonio Teixeira / ALESP

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Autor: alotatuape

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