Rio Pinheiros em fotos – A história do antigo Jeribatiba


Segunda-feira, 20 de outubro de 2014 às 18h36


São Paulo: História do passado e futuro no presente.

Fundação Energia e Saneamento de São Paulo – Rios sempre foram um ponto de referência para o estabelecimento de povoamentos desde as primeiras civilizações. E em São Paulo, essa prática não foi diferente: a cidade surgiu e expandiu-se ao redor e, muitas vezes, sobre os seus rios. Para contar a história da Capital, é preciso conhecer como se deu a relação da cidade com o ribeirão Anhangabaú e os rios Tamanduateí e Tietê, por exemplo. Outro importante rio paulistano, o Pinheiros tem ganhado destaque na mídia com as obras do artista plástico Eduardo Srur, que objetivam tirar o curso da invisibilidade e conscientizar a população sobre a importância de sua recuperação. Mas nem só de intervenções artísticas viveu o Pinheiros: conheça, abaixo, um pouco da história do antigo “Jeribatiba”, que chegou a ter o curso de suas águas revertido para a geração de energia.

 

Região do Morumbi em 1933. A Fundação Energia e Saneamento detém um acervo de cerca de 650 lâminas e plantas-chaves  dos serviços de aerofotogrametria realizados na bacia do Rio Pinheiros entre as décadas de 1930 e 1950.  Foto: Acervo FESSP

Região do Morumbi em 1933. A Fundação Energia e Saneamento detém um acervo de cerca de 650 lâminas e plantas-chaves
dos serviços de aerofotogrametria realizados na bacia do Rio Pinheiros entre as décadas de 1930 e 1950. Foto: Acervo FESSP

 

A Terra das Palmeiras Jerivás

Antes chamado de “Jeribatiba” ou “Jurubatuba” (em tupi-guarani, “lugar onde há muitas palmeiras jerivás”), o rio mudaria de nome com a criação, em sua margem direita, do aldeamento indígena Pinheiros, organizado pelos jesuítas quatro anos antes da fundação da vila de São Paulo de Piratininga (1560). Pioneiro, o agrupamento de índios localizava-se em uma região rica em árvores araucárias, chamadas popularmente de pinheiros-do-paraná. Rio de planície, o Pinheiros possuía grande sinuosidade e navegabilidade, sendo usado para o transporte de cargas. Ao longo dos séculos, em suas margens surgiriam sítios, fazendas, pontes e moinhos. Mas o seu entorno só abandonaria o caráter rural já no século 20, com a retificação.

 

Nestas imagens da mesma região do Morumbi, de 1949 (foto 1) e 1956 (foto 2), já é possível observar a transformação da paisagem, com o rio retificado e suas margens ocupadas. À margem esquerda do rio, o Jockey Clube, inaugurado em 1941.  Foto: Acervo FESSP

Nestas imagens da mesma região do Morumbi, de 1949 (foto 1) e 1956 (foto 2), já é possível observar a transformação da paisagem, com o rio retificado
e suas margens ocupadas. À margem esquerda do rio, o Jockey Clube, inaugurado em 1941. Foto: Acervo FESSP

 

Projeto da Serra

Em 1907, aconteceria a primeira grande obra na bacia do Rio Pinheiros: a construção da Represa Guarapiranga, com o objetivo de aumentar a vazão do Tietê e, por consequência, a capacidade de geração de energia da Usina de Parnaíba, responsável por abastecer a Capital com eletricidade. No entanto, a Light, empresa concessionária de energia à época, se veria às voltas com falhas na distribuição, em parte ocasionadas pelo aumento da demanda, com o crescimento da população, e do período de seca que seria registrado em São Paulo a partir de 1924.

Assim, em 1926 seria elaborado o Projeto da Serra, que previa a construção de uma barragem e usina hidrelétrica em Cubatão, ligadas de forma artificial ao Rio Tietê. E esta união só seria possível pelo “corredor” do Rio Pinheiros, que sofreria obras de canalização, retificação e recalque, alterando de forma permanente a sua paisagem natural. Executado entre 1937 e 1958, o empreendimento também incluiria a construção da Usina de Traição, capacitada para reverter o curso dos rios Tietê e Pinheiros e levar suas águas até o Reservatório Billings-Rio das Pedras, na encosta da Serra do Mar, para posterior geração de energia hidrelétrica na Usina de Cubatão, que em 1964 passaria a ser chamada de Usina Henry Borden.

Realizadas em torno de grande especulação imobiliária, as obras no Rio Pinheiros transformariam a região e trariam fôlego à expansão urbana da nascente metrópole. Sua retificação e canalização abriria espaço para a inauguração, na década de 1950, de um novo ramal da Estrada de Ferro Sorocabana; já em 1970, surgiriam as avenidas marginais. As intervenções do passado no Rio Pinheiros, hoje isolado e poluído, demonstram como a Capital precisa repensar sua relação com os rios, e trazê-los de volta ao cotidiano de seus moradores.

Confluência dos rios Tietê e Pinheiros, em direção a Osasco. S.d.  Foto: Acervo FESSP

Rio Pinheiros em direção Norte. 1960.  Foto: Acervo FESSP

Enchente do Rio Pinheiros no Sport Club Germânia, atual Esporte Clube Pinheiros. 1929

A retificação: primeiro corte do Canal do Rio Pinheiros em direção sul da
Avenida Cidade Jardim. No lado esquerdo, trabalhadores na margem do rio. 1936. Foto: Acervo FESSP

Construção da usina de recalque de Traição, situada no Canal do Rio Pinheiros. S.d. Foto: Acervo FESSP

Pinheiros hoje: grande concentração de poluição, numa tomada em direção ao Itaim Bibi. Acervo Memória Sabesp. Foto de Odair Faria

Pinheiros hoje: grande concentração de poluição, numa tomada em direção ao Itaim Bibi. Acervo Memória Sabesp. Foto de Odair Faria

alotatuape

Autor: alotatuape

Share This Post On

Enviar um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*