Rios despoluídos seriam alternativa para abastecimento

Quinta-feira, 21 de agosto de 2014 às 20h36

Por Marco Antonio Palermo*

O Comitê responsável pelas bacias hidrográficas dos rios Piracicaba, Jundiaí e Capivari autorizou a captação para consumo das águas do rio Jundiaí, classificado, anteriormente, pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) como altamente poluído. O trecho de 22 km de onde serão captadas as águas fica entre as cidades de Itupeva e Indaiatuba, no interior de São Paulo.

 

Após 75 anos de intensa poluição agrícola, industrial e urbana, o Rio Danúbio, segundo maior da Europa, foi recuperado. Para realizar a limpeza, o projeto recebeu o apoio do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e desenvolveu estratégias de investimento, fortalecendo instituições relacionadas à causa. Foto: Heinz Albers, www.heinzalbers.org / Wikipedia / Legenda: PNUD Brasil

Após 75 anos de intensa poluição agrícola, industrial e urbana, o Rio Danúbio, segundo maior da Europa, foi recuperado. Para realizar a limpeza, o projeto recebeu o apoio do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e desenvolveu estratégias de investimento, fortalecendo instituições relacionadas à causa. Foto: Heinz Albers, www.heinzalbers.org / Wikipedia / Legenda: PNUD Brasil

 

Recentemente, o rio foi reclassificado para nível 3 de poluição, condição que viabiliza sua utilização para abastecimento após tratamento avançado. A melhora da qualidade da água ao longo da bacia, principalmente no trecho entre Itupeva e Jundiaí se deu graças aos investimentos em despoluição realizados nos últimos vinte anos.

O doutor em engenharia de recursos hídricos Marco Antonio Palermo enfatiza a importância do investimento em despoluição de rios e lagos ao observar a reclassificação do trecho do rio Jundiaí da classe 3 para a 4 no que se refere ao nível de poluição. “Uma vez despoluídos, os corpos d´água podem se prestar para o abastecimento público, dentre outros usos. Passa a ser possível empregar quantidades importantes de água antes impróprias e inaproveitáveis”.

Marco Palermo avalia que os investimentos em despoluição que melhoraram a qualidade da água do rio Jundiaí entre as cidades de Itupeva e Jundiaí deveria ser modelo a ser seguido por São Paulo, além de uma alternativa a mais para o abastecimento que passa pela sua pior crise. “Imaginem se os rios Tietê, Pinheiros e Tamanduateí estivessem despoluídos, certamente não seria necessário ir buscar tanta água tão longe e nem recorrer a medidas extremas como utilizar o volume morto dos reservatórios para abastecer as cidades do Alto Tietê”, conclui.

*Marco Antonio Palermo é Doutor em Engenharia de Recursos Hídricos, Engenheiro Hidrólogo pelo IHE/Delft, Holanda, foi diretor técnico e financeiro da Agência da Bacia do Alto Tietê e vice-presidente do Comitê da Bacia do Alto Tietê. É membro da Associação Brasileira de Recursos Hídricos e preside o Instituto Pró-Ambiente.

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Autor: alotatuape

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