Roda Viva destaca o financiamento à ciência e tecnologia no Brasil


Segunda-feira, 27 de novembro de 2017 às 20h21


A importância da ciência e da tecnologia para o desenvolvimento do Brasil foi tema do programa Roda Vida, da TV Cultura. Exibido no dia 6 de novembro, o programa pode ser assistido pela internet.

Agência FAPESP

Temas como nanotecnologia, biotecnologia e ciências ambientais, projetos como o Sirius, desenvolvido no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) – com apoio da FAPESP –, questões como o corte de verbas para financiamento de pesquisas, perspectivas para os próximos anos e comparações com as políticas de outros países estiveram em pauta.

Os convidados e debatedores foram Carlos Henrique de Brito Cruz , diretor científico da FAPESP, Antonio José Roque da Silva, diretor do LNLS, Mayana Zatz, coordenadora do Centro de Pesquisas sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL), Paulo Saldiva, diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP, e Alicia Kowaltowski, professora do Departamento de Bioquímica da USP.

 

Programa, que pode ser assistido pela internet, teve como debatedores Carlos Henrique de Brito Cruz, Antonio Roque da Silva, Mayana Zatz, Paulo Saldiva e Alicia Kowaltowski. Imagem: Roda Viva

 

O apresentador Augusto Nunes abriu o programa questionando os convidados sobre a questão do corte de verbas para ciência e tecnologia. Zatz comentou que a situação no Estado de São Paulo não pode ser considerada representativa do que está acontecendo no resto do país.

“Felizmente, em São Paulo é diferente. Nós temos a FAPESP, que tem um programa fantástico e ainda conseguimos fazer nossas pesquisas. Então, não estamos aqui em causa própria, mas defendendo o resto do Brasil. Sabemos que no resto do país o corte em ciência está sendo desastroso. Tem laboratórios que estão fechando por falta de verbas, alunos que não têm bolsas, um desânimo entre os jovens que não veem futuro e cérebros que estão indo embora e não querem voltar. Esse é o primeiro impacto que estamos sentindo e que pode ser irreversível”, disse.

A crise de financiamento no sistema federal brasileiro foi destacada por Brito Cruz. “O governo brasileiro, por alguma razão, no passado gastou o dinheiro daqueles anos e o do futuro. Então, agora, o país está com falta de recursos para tudo, não é só em ciência e tecnologia. Esse reequacionamento coloca um desafio enorme para a área de ciência e tecnologia, que é como demonstrar àquelas pessoas que pagam impostos e aos seus representantes que é importante reservar uma parte dos recursos do governo federal para apoiar atividades de pesquisa, seja no mundo acadêmico – nas universidades e nos institutos de pesquisa – ou nas empresas, porque tem uma parte muito importante da pesquisa, em qualquer país do mundo, que é feita nas empresas. Todos os países onde a economia prospera têm programas de governo que ajudam as empresas a realizar mais pesquisas por meio de subsídios, subvenções etc.”, disse.

“Estamos vendo uma dificuldade enorme nesses dois lados: no financiamento federal à pesquisa acadêmica e no financiamento federal à pesquisa industrial. Isso faz um efeito de círculo vicioso, porque, à medida que a empresa faz menos pesquisa, ela tem menos tecnologia e menos competitividade, e a universidade, ao fazer menos pesquisa, forma pior seus estudantes ou forma menos e no futuro há menos capacidade tecnológica ainda. É um desafio muito difícil no qual o Brasil foi colocado”, disse Brito Cruz.

Para Saldiva, o corte nas verbas para ciência e tecnologia tem grande impacto na formação de novos pesquisadores. “Quando quisermos construir essa ponte para o futuro, que é a ciência, vão faltar tijolos. Demora muito tempo para recuperar o prejuízo da falta de confiança de um jovem, de um indivíduo que não tem certeza de que vai ter uma bolsa ou que os recursos que foram aprovados para o projeto no qual ele se envolveu não existirão mais daqui a dois ou três anos. É uma pena que isso esteja acontecendo no Brasil, porque isso vai comprometer o nosso futuro”, disse.

“Tem brasileiro indo embora, mas todo ano [por exemplo] a FAPESP aprova entre 50 e 100 financiamentos para o que chamamos de jovem pesquisador, que é um jovem de qualquer lugar do mundo, pode ser brasileiro ou pode não ser brasileiro, que decide vir para o Estado de São Paulo começar sua carreira financiado pela FAPESP”, disse Brito Cruz.


O programa pode ser assistido na íntegra em: http://tvcultura.com.br/programas/rodaviva.

Nature lança sistema para estimar, “com 100% de exatidão”, o impacto de qualquer pesquisa em 50 anos. Vale avisar: é brincadeira.

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