Rússia libera compra de produtos brasileiros

Sábado, 13 de setembro de 2014, às 12h33

No entanto, apesar do embargo Russo a produtos de diversos países devido a crise na Ucrânia, é necessário cautela para o mercado de carnes e leite, afirma IEA.

A Rússia proibiu as importações das carnes bovina, suína e de aves, pescado, leite, queijo, legumes e frutos provenientes dos Estados Unidos e União Européia, além da Austrália, Canadá e Noruega, informa o Instituto de Economia Agrícola (IEA/Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Isso ocorreu após esses países anunciarem sanções nas áreas de finanças, tecnologia e defesa. Nos últimos dias, a Rússia decidiu permitir que os produtos lácteos sem lactose, concentrado de proteína e outros produtos antes proibidos voltem a ser comprados no Brasil.

 

Embargo Russo aos produtos da União Europeia e outros países, pode trazer lucros ao agronegócio brasileiro, mas a situação requer cautela, diz IEA. Foto: aloart

Embargo Russo aos produtos da União Europeia e outros países, pode trazer lucros ao agronegócio brasileiro, mas a situação requer cautela, diz IEA. Foto: aloart

 

A medida poderá beneficiar o mercado de alguns desses produtos brasileiros, pois a Rússia, segundo informações do Mapa (Ministério da Agricultura, Agropecuária e Abstecimento), já liberou 93 estabelecimentos para exportar carnes, miúdos de carnes, aves, miúdos de aves, suínos, miúdos de suínos e produtos lácteos. “O fato é considerado muito positivo para algumas cadeias produtivas envolvidas, principalmente pelos setores de carne suína e bovina in natura, que já têm neste país o principal destino de suas exportações”, afirma Rosana Pithan, pesquisadora do IEA.

Entretanto, a carne de frango pode ter a maior oportunidade, já que há possibilidades de ampliar as exportações rapidamente, pois o setor tem possibilidade de rápida expansão de sua produção, pois o ciclo produtivo da avicultura é curto (cerca de 40 dias), ressalta a pesquisadora.

No setor de suínos há certa cautela, pois o mercado brasileiro teve por muito tempo grande dependência do mercado russo e tem procurado, há alguns anos, diversificar os mercados. Em relação à carne bovina, além de ser atualmente o maior exportador, o Brasil tem também o maior rebanho comercial, apesar de menor produtividade que os Estados Unidos.

A grande novidade neste setor é a abertura para a compra de miúdos. O mercado russo poderá abrir uma perspectiva de aumento de vendas, o que, por outro lado, poderá alterar os preços para cima e levar os frigoríficos a optar por esse mercado em detrimento de outros que pagam menos, inclusive o mercado interno, o que afetaria diretamente os preços ao consumidor brasileiro, apesar da demanda ser fraca no momento.

No setor de lácteos, essa é considerada uma boa oportunidade. Segundo Carlos Humberto Mendes de Carvalho, presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Estado de São Paulo (Sindileite), o setor tem muito interesse de exportar leite para a Rússia, mesmo que no momento os preços do mercado interno estejam mais compensadores.

Apesar de algumas áreas e o próprio governo federal terem se entusiasmado com o embargo russo, as oportunidades não são favoráveis a todos os setores envolvidos e há necessidade de cada área e empresa avaliar, caso a caso, as oportunidades que surgirem. “Isso não invalida as ações anteriores do governo federal de conseguir maior abertura aos produtos brasileiros da área de proteína animal. Entretanto, há necessidade de consolidação desse novo mercado sem base num embargo, para se ter garantia de que os investimentos na produção valham a pena, finaliza Pithan.

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Autor: alotatuape

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