São Paulo é o Brasil, dos sem isso ou aquilo

Quarta-feira, 17 de setembro de 2014, às 09h06 – Atualizado às 10h35


A cada dia vemos as consequências do abandono e a entrega do país a líderes sem compromisso com a realidade, que vivem há mais de 50 anos num mundo de fantasias. Décadas de indiferença, seguidas por uma década de assistencialismo, fizeram emergir as consciências daqueles que se entendem sem nada.

Gerson Soares

O conflito que teve início na manhã desta terça-feira (16) se estendeu pelo dia inteiro, envolvendo a Polícia Militar (PM) e manifestantes. O motivo teria sido a reintegração de posse do prédio onde funcionou o Hotel Aquarius à empresa proprietária do imóvel, invadido por grupos de moradores sem teto.

Segundo a Secretaria de segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), foi requisitada a força policial pela Justiça, á pedido da juíza Maria Fernanda Belli, da 25ª Vara Cível do Foro Central. Segundo a SSP-SP, o prédio estava ocupado por 200 pessoas ligadas ao Movimento Sem Teto do Centro (MSTC), mas outros movimentos reivindicam a ocupação, como o Frente de Luta por Moradia (FLM).

São Paulo, centro antigo: Nesta terça-feira (16) houve confusão e vandalismo devido a reintegração de  posse do prédio onde funcionou o Hotel Aquarius. Foto: Agência Brasil

Ainda outra representante de mais um grupo falou sobre a invasão. “As ocupações são feitas para denunciar a quantidade de imóveis vazios na área central. Nem o governo do estado, nem o do município atendem às famílias de baixa renda nesses prédios. E aí fica a mercê da especulação imobiliária”, disse Maria das Graças Xavier, da União dos Movimentos de Moradia da Grande São Paulo, entidade que apoia a ocupação.

Portanto, até aqui temos três grupos que reivindicam moradia no Centro antigo de São Paulo, alegando que os imóveis estão abandonados. As cenas vistas durante todo o dia, como os diversos objetos atirados das janelas do prédio – que variavam de camas, latas e pedaços de madeira a sofás – demonstram que a desorganização na administração pública deu margem a esse tipo de embate.

Aproveitando a confusão, grupos saquearam lojas e queimaram ônibus, destruíram orelhões e promoveram uma grande balbúrdia no centro da cidade, provocando a interdição de ruas, causando reflexos até a Avenida do Estado e proximidades da Av. São João com a Ipiranga, onde o conflito teve início.

O saldo é que na verdade havia 800 pessoas morando no local; 94 foram presos, cinco em flagrante delito e continuam detidos; 250 policiais militares participaram da ação, inclusive a Tropa de Choque da PM.

Mesmo tendo atendidas suas reivindicações em maio último, integrantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) também faziam parte da invasão. Estes conseguiram aprovar na Câmara Municipal de São Paulo, uma ocupação em Itaquera, fazendo pressão junto aos vereadores durante a votação e aprovação do Plano Diretor Estratégico da cidade.

O que se vê é a consequência da falta de previdência dos governos e prefeituras que sucederam a administração da cidade. Indo ainda mais longe, chegamos à falta de interesse do governo federal, que há décadas não prestou atenção ao crescimento populacional e suas necessidades básicas, como moradia, saúde e educação. Nos últimos três mandatos, o que se viu foi o assistencialismo aos abandonados, que agora dependem do governo para tudo, até para continuar sobrevivendo.

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Autor: alotatuape

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