S’imbora, o musical – a história de Wilson Simonal, chega a SP no dia 11 de junho


Quinta-feira, 4 de junho de 2015, às 06h32


Após temporada de sucesso no Rio de Janeiro, “S’imbora, o musical – a história de Wilson Simonal”, estreia em São Paulo, no Teatro Cetip. O espetáculo, escrito por Nelson Motta e Patrícia Andrade com direção de Pedro Brício, já foi visto por mais de 50 mil pessoas.

“Sem se render à imitação fácil, o jovem Ícaro Silva irradia tanto o notório carisma do homenageado, na defesa de canções como ‘Meu Limão, Meu Limoeiro’, ‘Vesti Azul’, ‘Carango’ e ‘Nem Vem que Não Tem’, quanto a angústia da fase final de sua vida, na arrepiante (e menos conhecida) ‘Cordão’ – todas as músicas muito bem arranjadas por Alexandre Elias”.
Rafael Teixeira (Veja Rio).

Dono de uma das mais controversas histórias da música brasileira, Wilson Simonal está tendo a oportunidade de se reencontrar com seu público. Após morrer em uma espécie de exílio artístico, o astro tem sua trajetória contada em ‘S´imbora, o musical – a história de Wilson Simonal’. O espetáculo é um dos grandes sucessos da temporada teatral carioca de 2015 (foi visto por mais de 50 mil pessoas) e chega em junho a São Paulo, a partir do dia 11, no Teatro Cetip. Apesar de sua vida polêmica, Simonal tem uma obra atemporal, como comprova o sucesso do musical, que tem texto de Nelson Motta e Patrícia Andrade, direção de Pedro Brício e patrocínio da Brasilcap e Cielo.

 

Foto: Divulgação

‘S´imbora, o musical - a história de Wilson Simonal’. Foto: Divulgação

 

Ícaro Silva vem colecionando elogios da crítica no papel-título. O ator já viveu nos palcos outro ícone da música brasileira, Jair Rodrigues, em ‘Elis, a musical’, também da autoria de Nelson Motta e Patrícia Andrade. Ícaro se destacou ainda em ‘Rock´n´Rio – o musical’ e em espetáculos como ‘R & J de Shakespeare’. Para concorrer ao papel-título, mais de 1000 atores mandaram material, sendo selecionados 100 para as audições, onde foi escolhido o protagonista.

Nelson Motta, Patrícia Andrade e Pedro Brício fizeram uma série de reuniões e trocaram muitas ideias até chegarem ao formato final do musical. “Queríamos descobrir que espetáculo queríamos fazer, o que focar na história do Simonal. Tem muitas atmosferas dramáticas, porque a vida dele foi assim. Fazemos um resgate do riquíssimo repertório dele, mostrando essa figura improvável, pobre, negro, que se tornou o maior astro popular do país, fazendo música de altíssima qualidade. Ele é um personagem único”, exalta Pedro.

O musical, contudo, não se furta a falar sobre a decadência de Simonal, condenado a um “exílio” involuntário, e toca nos temas polêmicos que cercaram a carreira do artista, sem tomar partido. “Ele é um mistério, não é um herói romântico, pelo contrário. É uma figura contraditória, com múltiplas facetas, mas a peça não faz um julgamento. O espetáculo tem essa riqueza, essa multiplicidade: vai da ascensão absoluta do primeiro artista negro pop à sua total decadência”, define o diretor.

O roteiro final foi sendo formatado no decorrer dos ensaios. Os autores fizeram toda a seleção do repertório, mas Pedro Brício fez sugestões, juntamente com o diretor musical, Alexandre Elias. Algumas cenas de dramaturgia foram surgindo no ensaio, já que a música está diretamente ligada à encenação.

Autor de dois musicais biográficos de grande sucesso, ‘Elis, a musical’ e ‘Tim Maia – Vale Tudo, o musical’, Nelson Motta acredita que o espetáculo sobre Simonal tem uma dramaticidade ainda mais acentuada. “A maior qualidade de um musical é ter grandes canções. É o forte do Tim Maia e da Elis também. Mas o Simonal, além de histórias e músicas sensacionais, tem uma carga dramática incrível, porque ele é um personagem que foi do céu ao inferno, com uma densidade maior do que a do Tim e a da Elis. É uma história que começa alegre e termina dramática, tristíssima”, comenta Nelson.

 


SERVIÇO

‘S´imbora, o musical - a história de Wilson Simonal’
Estreia: 11 de junho (quinta)
Temporada: até 26 de julho
Teatro Cetip
Rua Coropés, 88, Pinheiros, zona oeste, São Paulo
Tel.: (11) 4003.5588

Quinta a sábado – 21h
Domingo – 19h

Preços:

Quinta e sexta – Plateia VIP e Plateia A – 160,00
Plateia Superior – 100,00
Plateia Superior – última fileira – 50,00

Sábado e Domingo – Plateia VIP e Plateia A – 180,00
Plateia Superior – 100,00
Plateia Superior – última fileira – 50,00

Classificação etária: não recomendado para menores de 12 anos
Duração: 2h40 (com intervalo)
Lotação do teatro: 627 lugares

Bilheteria funciona diariamente, 12h às 20h (em dias de espetáculo, a bilheteria funciona até o início da apresentação).

Vendas pela internet: http://premier.ticketsforfun.com.br/

Ascensão e queda de um astro

Ascensão e queda de um astro

A trajetória de Simonal não encontra paralelos na história da música brasileira. O prólogo parecia ser comum: garoto pobre tem que batalhar muito para conseguir mostrar o seu talento. Mas, no momento em que foi descoberto por Carlos Imperial – personagem fundamental na história do futuro astro e narrador da peça –, ele explodiu. O Brasil inteiro cantou ‘Balanço Zona Sul’ (seu primeiro sucesso), ‘Sá Marina’, ‘País Tropical’, ‘Meu limão, meu limoeiro’, ‘Lobo bobo’, ‘Mamãe passou açúcar em mim’, todas presentes no roteiro do espetáculo.

 

‘S´imbora, o musical  - a história de Wilson Simonal’. Foto: Divulgação

‘S´imbora, o musical - a história de Wilson Simonal’. Foto: Divulgação

 

Na década de 60, Simonal era um astro da televisão e do rádio e apontado por muitos como o maior cantor brasileiro, com público e crítica a seus pés. “Ele era um grande entertainer, contava piadas, dançava e dominava a plateia como nenhum artista do seu tempo, fazendo o Maracanãzinho lotado cantar como um coral em que ele era o maestro”, exalta Nelson.

Já no início da década de 70, sua carreira começou a se desestruturar: Simonal encerrou um contrato com a TV Globo, brigou com o Som Três, que o acompanhava desde o início, e desfez o escritório da Simonal Produções. A gota d´água aconteceu quando ele, desconfiado do seu contador, pediu ajuda a amigos policiais (agentes do DOPS), que o sequestraram para que denunciasse quem o estava roubando na sua produtora.

O episódio culminou na prisão do cantor, que, posteriormente, em uma cadeia de equívocos, foi acusado de delator a serviço da ditadura militar. Embora nada nunca tenha sido provado, Simonal dizia que até torturadores e terroristas foram anistiados, menos ele, que se transformou em um morto-vivo e foi condenado a um ostracismo artístico até sua morte, em 2000.

Interpretado por Thelmo Fernandes, o polêmico Carlos Imperial é o narrador do espetáculo. “Ele não é muito confiável, não sabe exatamente o que aconteceu, é um pouco como é a história, que é a narrativa. Li muito sobre o Simonal; A montagem tem o respeito de se manter dentro dos fatos, mas tem muita ficção. Você está criando um personagem, é preciso traduzir as emoções, não é um documentário, uma reportagem. Pensamos em como tranpor isso para o palco. Não temos mentiras, nada é inventado, mas tomamos liberdades poéticas”, afirma Pedro.

A peça é também um importante panorama da política e sociedade brasileira da época. “Ela não apenas fala da história de um homem, mas sobre nosso país, como era nossa sociedade, não só em termos de preconceitos, mas de conflitos políticos. O que aconteceu com ele tem a ver com o período, talvez não tivesse acontecido em outro contexto histórico”, explica Pedro.

A cenografia é de Hélio Eichbauer, que assinou o cenário de montagens históricas, como ‘O rei da Vela’, de José Celso Martinez Corrêa, além de ter profunda ligação com a música brasileira, já tendo dirigido shows de Gal Costa (‘Mina d´agua do meu canto’) e assinado a cenografia de inúmeros shows de Caetano Veloso, como ‘O Estrangeiro’ e ‘Cê’, entre outros. “É muito importante termos o Hélio na equipe. O cenário será muito especial, não fica buscando o espetacular pelo espetacular. É uma estética intrinsicamente brasileira, que tem muito a ver com a época, mas não é alegórico. É teatral, musical, mais minimalista. Tem um impacto pela beleza estética. Nada é decorativo, ele tem uma síntese que está em sintonia o pensamento arquitetônico do Hélio”, define Pedro.

Marília Carneiro concebeu mais de 250 figurinos para o espetáculo, em uma média de 17 por personagem, com exceção do próprio Simonal (que terá 12) e de Carlos Imperial, com três figurinos, além de uma dezena de perucas, usadas por todo o elenco.

A direção musical de Alexandre Elias e os arranjos de Max de Castro, filho de Simonal, são fieis à obra do Simonal, mas trazem um olhar criativo, contemporâneo. “O importante é resgatar e sublinhar a obra dele. Independente do que aconteceu, ele deixou um legado para a black music brasileira”, afirma Pedro.

Nos últimos anos, foram lançadas biografias e documentários sobre sua trágica história, reconhecendo seus erros, mas o reabilitando como um dos maiores cantores do país. Os discos também foram relançados; suas músicas, redescobertas pelos DJs; vários projetos criados, como O baile do Simonal, organizado pelos filhos dele, Max de Castro e Simoninha.

Essa retomada da importância histórica do artista ganha nova página com a estreia de ‘S’imbora, o musical’. Simonal passeou por todos os gêneros: cantou rock, calipso, bossa nova e samba, ajudou a criar a pilantragem e ainda inaugurou uma escola de canto no Brasil, reunindo, ao mesmo tempo, o cool da bossa nova, o suingue da música negra e uma notável potência vocal.
A montagem ainda traz na ficha técnica nomes como Renato Vieira (coreografia) e Rico Vilarouca (projeções), em uma realização da Planmusic, com patrocínio da Brasilcap e Cielo e apoio cultural da Bolt e Taesa.

Dados sobre o espetáculo

‘S´imbora, o musical  - a história de Wilson Simonal’. Foto: Divulgação

‘S´imbora, o musical - a história de Wilson Simonal’. Foto: Divulgação

 

Planmusic:

‘S´imbora, o musical – a história de Wilson Simonal’ marca a estreia da Planmusic na área de musicais. Dirigida por Luiz Oscar Niemeyer, a produtora tem entre suas realizações as turnês nacionais de Paul McCartney, o show dos Rolling Stones na Praia de Copacabana (que reuniu mais de 1,5 milhão de pessoas), além de grandes espetáculos internacionais, como Beyoncé, U2, Coldplay, Elton John, entre outros.

Ficha Técnica:

Texto de Nelson Motta e Patrícia Andrade
Direção Geral: Pedro Brício
Direção Musical: Alexandre Elias
Cenário: Hélio Eichbauer
Figurino: Marília Carneiro
Coreografias: Renato Vieira
Produção Geral: Luiz Oscar Niemeyer
Direção de Produção: Joana Motta
Patrocínio: Cielo e BRASILCAP
Apoio Cultural: Bolt e Taesa
Realização: Planmusic

Elenco:

Ícaro Silva (Simonal)
Thelmo Fernandes (Carlos Imperial)
Marina Palha (Tereza)
Gabriel Staufer (Miele/Walter Clark/ Guinsburg)
Kadu Veiga (Marcos Moran/Boscoli)
Victor Maia (Roberto Carlos/ Eduardo Araujo/ Cesar Camargo)
Marino Rocha (Jô/Boni)
Joana Penna (Elis/Jane Burkin)
Jorge Neto (Pelé/Simoninha/Zé Ary/ Jair)
Paulo Trajano (Delegado/Zagallo/ Flavio Cavalcanti)
Cássia Raquel (Sarah Vaughan)
Dennis Pinheiro (Sabá e Carlos Alberto Torres)
Lívia Guerra (Marly Tavares / imperialete)
Natasha Jascalevich (Brigite Bardot/ Laurinha Figueiredo)
Kotoe Karasawa (apresentadora da Record)
Ariane Souza (imperialete)

Banda:

Alexandre Elias: guitarra
Kim Pereira: bateria
Decko Telles: baixo
Alexandre Vianna: pianista
Márcio Forte: percussão
Denilson Martins: saxofonista
Jorge: trombone
Bruno Fermiano: trompete

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