Sistema Produtor Alto Tietê


Quarta-feira, 29 de outubro de 2014, às 10h31

O SPAT (Sistema Produtor Alto Tietê) é um conjunto de cinco reservatórios (ou barragens) localizados entre Suzano e Salesópolis, concebidos visando o aproveitamento múltiplo de recursos hídricos, com ênfase para o controle de enchentes, abastecimento público, irrigação, diluição de esgotos e lazer.

Proposto dentro dos estudos do Plano HIBRACE – numa época em que o problema de enchentes na RMSP não era agravado pelo uso e ocupação cada vez mais indevida do solo; pela impermeabilização acentuada do solo; e grande quantidade de lixo jogado no Tietê -, teve sua implantação iniciada pela barragem de Ponte Nova, localizada no rio Tietê, no município de Salesópolis. A conclusão das obras ocorreu no início da década de 70.

Sobrevoo no Sistema Alto Tietê. Foto: DAEE / Divulgação

Sobrevoo no Sistema Alto Tietê. Foto: DAEE / Divulgação

 

De uma forma global, os cinco reservatórios (Ponte Nova, no rio Tietê, na divisa dos municípios de Salesópolis e Biritiba Mirim; Paraitinga, no rio Paraitinga, em Salesópolis; Biritiba, no rio Biritiba, na divisa dos municípios de Biritiba Mirim e Mogi das Cruzes; Jundiaí, no rio Jundiaí, em Mogi das Cruzes; e barragem de Taiaçupeba, no rio Taiaçupeba, na divisa de Mogi e Suzano), dão auxílio importante para a redução nas vazões do Tietê e afluentes próximos à barragem da Penha,somando-se as obras de ampliação da calha do rio, especialmente no trecho Penha-Edgard de Souza.

Naturalmente a preservação das várzeas do Tietê a montante da Penha, também se reveste da maior importância para que os objetivos das obras na calha a jusante sejam, na prática, efetivamente alcançados.

Rio Tamanduateí

Uma das mais importantes sub-bacias do Alto Tietê, a bacia hidrográfica do rio Tamanduateí, com 323 km² abrange zonas centrais de importantes cidades como São Paulo, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano, Diadema e Mauá.

O Tamanduateí, nasce na Gruta Santa Luzia no município de Mauá e depois de percorrer 36 km desemboca no rio Tietê. Funciona como uma grande galeria de águas pluviais, apresentando variações bruscas no nível d’água, quando das precipitações pluviométricas que ocorrem com maior incidência no período de chuvas fortes, de outubro a março.

No século XIX as inundações causadas pelo rio Tamanduateí na chamada Várzea do Carmo, hoje Parque D. Pedro, provocavam muitos danos às populações ribeirinhas, exigindo medidas, a exemplo da execução de obras de canalização, como forma de prevenir epidemias em consequência das enchentes.

 

alto tiete sistema

 

Na década de 70 começou a ser implantado o projeto que levaria à minimização dos problemas das cheias provocadas pelo transbordamento do rio Tamanduateí. A saída então vislumbrada foi a sua canalização, iniciada pelo DAEE em abril de 1978, a partir da sua foz, no rio Tietê. Por atravessar uma área densamente ocupada, a obra se caracterizou por diversificados problemas, em virtude da complexidade técnica do projeto e das interferências naturais de uma iniciativa desenvolvida no centro de São Paulo.

Uma simples análise do crescimento das vazões do rio dá uma noção sobre a importância de uma interferência drástica no Tamanduateí. Lembrando que o crescimento na sua vazão decorreu do ritmo de expansão da mancha urbana e, consequentemente, da área impermeabilizada na respectiva bacia.

Em 1890, a vazão do Tamanduateí era de 30 m3/s. Em 1930 já havia aumentado para 60 m3/s e durante a execução do projeto, chegava a 484 m3/s. Em setembro de 1998, o DAEE concluiu o último trecho de obras. Hoje, o rio está com 16,3 km canalizados entre sua foz no Tietê e a foz do córrego Oratório, afluente da margem direita que marca a divisa dos municípios de São Paulo e Santo André.

A obra beneficia milhões de pessoas e diretamente moradores dos bairros do Bom Retiro, Ponte Grande, Ponte Pequena, Canindé, Luz, Brás, Glicério, Liberdade, Mooca, Cambuci, Vila Monumento, Ipiranga, Parque da Mooca, Vila Independência, Quinta da Paineira, Vila Prudente, Vila Zelina, Vila Alois, Vila Bela, Vila Carioca, bairros da Fundação e Santo Antonio, vilas Alpina, California e Prosperidade, Baixada do Glicério e a zona cerealista.

Rio Cabuçu de Cima

Outra obra fundamental para o controle das inundações na Região Metropolitana de São Paulo, dentro do Plano Hibrace e 70% financiada pelo JBIC (25% pelo Governo do Estado) foi a canalização de 10,5 km do rio Cabuçu de Cima, desde a sua foz até a ponte Três Cruzes. Localizado na divisa de São Paulo com Guarulhos e com 27,2 quilômetros, o Cabuçu nasce na Serra da Cantareira e drena uma área de 130 quilômetros quadrados.

As obras, naturalmente, beneficiam outras pessoas além das diretamente atingidas pelas enchentes: mais de 600 mil pessoas nos bairros Parque Novo Mundo, Parque Edu Chaves, Jardim Cabuçu, Vila Laura, Vila Carolina e Vila Nova Galvão (São Paulo); e Vila São Pedro, Jardim Munhoz, Vila Flora, Vila Marajó, Vila São Rafael, Cidade Brasil, Jardim Vila Galvão, Vila Renato, Jardim Alice e Vila Galvão (Guarulhos).

Fonte: DAEE

 


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alotatuape

Autor: alotatuape

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