Sonegômetro versus Impostômetro?

Sexta-feira, 8 de agosto de 2014 às 09h23 – Atualizado às 12h01

 

Gerson Soares

O Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz) mostra o sonegômetro em Brasília – DF, enquanto a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) expõe há muito mais tempo o impostômetro no centro da capital paulistana. O primeiro mostra o quanto é sonegado em impostos no país enfatizando toda sua indignação. Por sua vez, o segundo mais ainda se indigna diante do que é cobrado e o quanto é oferecido em troca de tão altas taxas de impostos, as mais altas do mundo, além de toda a burocracia que as envolve.

Sonegômetro volta a Brasília. Marcello Casal jr/Agência Brasil

Sonegômetro volta a Brasília. Marcello Casal jr/Agência Brasil

Na balança o governo leva vantagem, já que com sua volúpia arrecada três vezes mais do que lhe é sonegado, se compararmos os 978.612 bilhões do impostômetro contra os 304 bilhões do sonegômetro, exibidos no final da tarde de ontem. Por outro lado, nada disso precisaria estar sendo mostrado, nem tampouco deveriam os painéis servir para a inevitável comparação, diante da iniciativa do Sinprofaz.

A proposta do sindicato, que tem como base a reforma tributária e o combate à sonegação, pode levar a outras iniciativas que mostrarão números espantosos se forem criados os corruptômetro, surrupiômetro (até de merenda escolar e verbas hospitalares!), vergonhômetro, malandrômetro e finalmente o roubômetro. A soma de todos, criaria o privilegiômetro que daria origem ao impunetrômetro.

A ideia dos procurados da Fazenda Nacional é meritória, e chama atenção também para a falta de organização e gestão eficiente. Faz lembrar que o motivo da existência desses tipos de painéis é uma arrecadação injusta, desequilibrada, indistinta aos vários extratos sociais, níveis de salários e lucros, já que de pobres a ricos no Brasil, todos pagam os mesmos impostos quando vão ao supermercado, por exemplo. No centro da questão está a classe média que paga a conta e também mereceria a correta cobrança de impostos de acordo com os ganhos e não pela sua posição na pirâmide econômica.

Sonegômetro volta a Brasília. Marcello Casal jr/Agência Brasil

Sonegômetro volta a Brasília. Marcello Casal jr/Agência Brasil

Se todos pagassem a justa contribuição, os sonegadores deveriam ser punidos como querem os procuradores e seria correto. Mas não é o que acontece, quem pode sonega mais e quem recebe na folha de pagamento não tem para onde escapar. Os informais se esgueiram e no final da contabilidade quem perde é o Brasil como um todo.

Enquanto os governos eleitos não tomarem as rédeas da justiça social de forma abrangente, encarando o país como uma Nação e não como um cofre, um saco sem fundo, de onde brotam malandragens e fortunas para os bolsos dos desonestos, não haverá progresso e continuaremos perdendo tempo, patinando na história das intermináveis décadas em que promessas se tornam lenda, como a própria reforma tributária pretendida pelo Sinprofaz e por milhões de brasileiros que possuem conhecimento para entender o que isso realmente significa.

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Autor: alotatuape

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