Startup apoiada pela FAPESP cria exposição para o Museu Catavento, vídeo


Sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017, às 09h07


O Museu Catavento Cultural e Educacional, em São Paulo, inaugurou na última sexta-feira (18/02) a sala de realidade virtual Dinos do Brasil. Desenvolvido pela empresa VR Monkey em coprodução com o Museu Catavento, o projeto de pesquisa que apoiou o desenvolvimento da sala foi apoiado pela FAPESP no âmbito do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE).

Elton Alisson | Agência FAPESP

A exposição levou três anos para ser desenvolvida e custou, aproximadamente, R$ 720 mil. “A ideia do projeto ‘Dinos do Brasil’ surgiu em 2013, quando também formamos uma equipe e apresentamos o projeto para o Museu Catavento. Em seguida, começamos a buscar patrocinadores. Felizmente, no final de 2015, conseguimos obter o patrocínio da Intel e da Ambev por meio da Lei Rouanet. E, em 2016, o projeto foi selecionado pelo programa PIPE da FAPESP”, disse Keila Keiko Matsumura Kayatt, sócia-fundadora da VR Monkey e idealizadora do projeto, à Agência FAPESP.

A exposição permite que os visitantes, em grupos de até 25 pessoas, sentadas em uma sala de 100 metros quadrados, façam uma expedição de meia hora de duração pela pré-história com o auxílio de óculos de realidade virtual e conheçam algumas das quase 30 espécies de dinossauros que habitaram regiões do país ocupadas hoje pelos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraíba, Ceará, Maranhão e Minas Gerais.

 

"Dinos do Brasil" permite que visitantes façam uma expedição virtual pela pré-história e conheçam algumas das 30 espécies de dinossauros que viveram em regiões hoje ocupadas por estados como o de São Paulo. ilustração: Pycnonemosaurus nevesi/Rodolfo Nogueira

"Dinos do Brasil" permite que visitantes façam uma expedição virtual pela pré-história e conheçam algumas das 30 espécies de dinossauros que viveram em regiões hoje ocupadas por estados como o de São Paulo. ilustração: Pycnonemosaurus nevesi/Rodolfo Nogueira

 

Os idealizadores do projeto recriaram digitalmente os ambientes onde viveram esses dinossauros há centenas de milhões de anos, além dos próprios animais, e simularam como caminhavam, os sons que produziam e alguns comportamentos que apresentavam, como o de predação e “furto” de ovos.

Para isso, contaram com a consultoria de Luiz Eduardo Anelli, professor de paleontologia do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IGC-USP), e com a reconstrução dos dinossauros, feita pelo paleoartista Rodolfo Nogueira.

Autor de diversos livros sobre dinossauros do Brasil – um deles, para crianças, também intitulado “Dinos do Brasil” –, Anelli foi curador da exposição “Dinos na Oca e outros animais pré-históricos”, realizada em 2006, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, que registrou um dos maiores recordes de público entre as exposições realizadas em todo o país.

“A premissa da expedição virtual é que não tivesse nada sem fundamentação geológica e paleontológica”, afirmou Anelli. “Tivemos a ajuda de um ótimo ilustrador, que desenhou os dinossauros com bastante conhecimento, o que facilitou bastante. Mas também levantamos muitos dados sobre relevo e vegetação dos ambientes nas épocas retratadas na exposição”, afirmou.

Poucas espécies

De acordo com o pesquisador, embora tenha ocorrido durante toda a era Mesozoica – entre 250 milhões e 65 milhões de anos, quando surgiram os dinossauros – uma forte aridez na região onde se localiza hoje o Brasil, houve a formação pontual de ambientes muito distintos nesse período.

Entre esses ambientes estão a formação Botucatu – uma formação geológica da Bacia do Paraná, resultado da grande desertificação do continente Gondwana, há 140 milhões de anos, que deu origem a um deserto de dunas semelhante ao Saara, porém com maior extensão.

Nessa região, onde se originou o Aquífero Guarani, foi encontrado o único urólito (a marca de uma extrusão líquida preservada na rocha, causada pela urina de um dinossauro) no mundo, afirmou Anelli.

“Isso é mostrado na exposição em realidade virtual. Em um determinado momento, um dinossauro faz xixi em uma duna, representando essa descoberta”, disse.

A forte aridez que se estabeleceu na era Mesozoica suprimiu a diversidade vegetal e, consequentemente, a oferta de alimentos para os dinossauros na região onde se originou o Brasil. Por isso, o país não apresenta a mesma diversidade dessas espécies de animais pré-históricos como a Argentina, por exemplo, comparou o pesquisador.

“Enquanto a Argentina possui 150 espécies de dinossauros, no Brasil ainda não chegamos a 30. Mas esse número é melhor do que nada. Temos ao menos 30 espécies de dinossauros, tanto animais minúsculos, do tamanho de um beija-flor, como também dinossauros gigantes, com até 25 metros de altura e grandes predadores, que viveram em ambientes incríveis, de deserto ou vulcânicos, por exemplo, retratados na exposição”, disse.

 

Sala de realidade virtual dá vida aos dinossauros que viveram em terras brasileiras

 

Tecnologia revolucionária

Um dos objetivos da exposição virtual foi o de justamente divulgar os dinossauros brasileiros, disse Kayatt.

“Se você pedir para as pessoas no Brasil citarem o nome de um dinossauro, a maioria reponde T. rex”, apontou.

De acordo com ela, a ideia de criar uma exposição virtual surgiu em 2013, quando experimentou o kit desenvolvedor de óculos de realidade virtual Oculus Rift.

Considerado uma das melhores invenções dos últimos anos e comprado em 2014 pelo Facebook por US$ 2 bilhões, o Oculus Rift está revolucionando a área de entretenimento ao disponibilizar um equipamento de realidade virtual com preço acessível e qualidade muito superior aos competidores, com baixa latência, grande campo de visão e alta resolução, explicou Kayatt.

“Quando experimentamos a tecnologia, vimos que era revolucionária e começamos a pesquisar lugares onde poderíamos demonstrá-la para o maior número de pessoas possível. Ao visitar o Museu Catavento, nos certificamos de que era o lugar ideal, uma vez que recebe estudantes de mais de 60 escolas por dia e mais de 600 mil visitantes por ano”, disse.

A primeira ideia foi criar uma viagem virtual ao corpo humano. Porém, logo em seguida passaram a pensar em criar uma exposição sobre dinossauros em razão do fascínio das crianças por esse tema.

Um primo de Kayatt que é paleontólogo, contudo, sugeriu que criassem uma exposição especificamente sobre dinossauros brasileiros, ressaltando a existência destes animais no Brasil e a oportunidade de divulgar a paleontologia brasileira por meio desse tema, e sugeriu que entrassem em contato com o professor Anelli.

Em parceria com a equipe de educadores do Museu Catavento, os profissionais da empresa, juntamente com Anelli, elaboraram um roteiro para a exposição, com linguagem acessível e de fácil entendimento para o público visitante.

“Foi a primeira vez que aconteceu de uma ideia de uma exposição vir de fora do museu”, disse Pamella Freire, educadora do Museu Catavento e coordenadora da sala “Dinos do Brasil”.

“Quando o pessoal da VR Monkey nos apresentou a ideia da exposição topamos de cara por ser um tema de muito interesse do público do museu e porque não tínhamos nenhuma seção dedicada exclusivamente aos dinossauros”, afirmou.

A VR Monkey também desenvolveu com apoio da FAPESP um ambiente virtual voltado para o ensino de História, também chamado de Arqueologia Virtual, por meio do qual será possível a visitação a lugares da antiguidade.

O primeiro produto com esse objetivo – o 7VRWonders – permite conhecer as 7 Maravilhas do Mundo Antigo ( Leia mais sobre a VR Monkery em: pesquisaparainovacao.fapesp.br/79).

“Essa tecnologia de realidade virtual tem inúmeras aplicações e algumas empresas, como a VR Monkey, têm conseguido identificar nichos para aplicá-la”, avaliou Roberto Marcondes Cesar Junior, professor do Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP e membro das coordenações do programa Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) e do Programa FAPESP de Pesquisa em eScience, que participou da inauguração da sala.

Restauro da fachada

Durante o evento, também foi apresentada a obra de restauro da fachada e elementos arquitetônicos do Palácio das Indústrias, onde está instalado o Museu Catavento.

O Palácio, construído entre 1911 e 1924, foi idealizado como um espaço aberto ao público para exposições industriais, agrícolas e comerciais, focando os avanços paulistas nessas áreas. A primeira exposição foi realizada em 1917.

“Hoje estamos testemunhando a reconstrução do passado sintonizado com o futuro, conjugando o trabalho artesanal de restauro da fachada e elementos arquitetônicos do museu com um trabalho de alta tecnologia, que é a instalação da exposição ‘Dinos do Brasil’”, disse José Roberto Sadek, secretário de Cultura do Estado, na abertura do evento.

Também participaram do evento o governador do Estado, Geraldo Alckmin, e o vice-prefeito de São Paulo, Bruno Covas, além de outras autoridades.


Exposição “Dinos do Brasil”

Faixa etária: a partir de 9 anos

Sessões: 10h, 11h, 12h, 13h, 14h, 15h e 16h ( de terça a sexta sessões para grupos agendados. Aos fins de semana, férias escolares e feriados é preciso tirar senha para participar da atividade)

Ingresso: R$ 6,00 (inteira) e R$3,00 (meia). Aposentados, crianças de 4 a 12 anos com carteirinha e pessoas com deficiência pagam meia. Aos sábados, a entrada é gratuita para todos os visitantes.

Local: Museu Catavento Cultural - Palácio das Indústrias – Avenida Mercúrio, s/número, Parque Dom Pedro II, Centro.

Mais informações: Museu Catavento

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