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Festa do pré-sal esconde riscos financeiros e ambientais
jul07

Festa do pré-sal esconde riscos financeiros e ambientais

Segunda feira, 7 de julho de 2014 às 18h37   Governo e Petrobras celebram avanço do pré-sal sem explicar ao país a viabilidade do investimento em razão do cumprimento das metas de emissões. A presidenta Dilma Rousseff comemora hoje, ao lado de Graça Foster, da Petrobras, a marca de 500 mil barris produzidos por dia no pré-sal. Segundo o governo, o ritmo acelerado da produção comprova como o planejamento foi acertado. Segundo o Greenpeace, a Cerimônia de Comemoração aconteceu nesta manhã, às 11h, na sede da Petrobras no Rio de Janeiro.   Essa festa pode custar caro ao país: a queima das gigantes reservas de petróleo do pré-sal inviabilizariam as metas de redução de emissões fixadas pelo próprio governo no Plano Nacional de Mudanças Climáticas. E essa preocupação não cabe somente àqueles que se interessam pela política do clima, mas também a investidores. Como indaga Martin Wolf, editor do Financial Times, é altamente arriscado investir em combustíveis fósseis num contexto onde governantes devem tomar uma decisão de efetivamente exigir o cumprimento das metas de redução de emissões dos gases de efeito estufa. É essencial avaliar, conjuntamente a esse cenário, os custos ambientais da operação de exploração do pré-sal. Somente com os 500 mil barris por dia serão emitidas 65 milhões de toneladas de CO2 ao ano. Considerando os números totais estimados para as reservas do pré-sal – 80 bilhões de barris – a queima de todo o óleo será responsável pela emissão de 35 bilhões de toneladas de CO2 durante um prazo de 40 anos, mantendo o Brasil entre os dez maiores emissores mundiais. Vale dizer também que os blocos mapeados para a exploração entram em conflito com áreas prioritárias de conservação de biodiversidade em todo o litoral brasileiro, como constata estudo do Greenpeace. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, 44% da nossa costa marítima é área prioritária de conservação da biodiversidade, sendo que menos de 3% dessas áreas foram transformadas em Unidades de Conservação. Para piorar, aproximadamente 9% das áreas prioritárias de conservação já foram concedidas para exploração de petróleo. A insegurança em relação ao pré-sal cresce quando se leva em conta as dificuldades técnicas para extrair o petróleo de águas profundas. Aproximadamente uma a cada três plataformas atualmente em operação no Brasil foram construídas há 30 anos ou mais e representam maior probabilidade de vazamentos. É o que mostra o website Lataria, desenvolvido pelo Greenpeace para monitorar as ultrapassadas plataformas que operam na costa brasileira. Dos 102 acidentes registrados no Brasil desde o ano 2000 na exploração petrolífera offshore, 62% aconteceram nas plataformas mais velhas. Apesar disso, o governo ainda não definiu como se dará a execução...

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