Tatuapé 346 anos: Rua Azevedo Soares


Segunda-feira, 28 de setembro de 2014, às 08h04 – Atualizado às 9h54

A pujante Rua Azevedo Soares, sem iluminação e sem telefone

Edição: Alô Tatuapé

Parte do texto e a imagem figuram na edição nº 165 da revista Alô Tatuapé,
X Edição Histórica – Dezembro de 2013, de autoria de Gerson Soares. Foto: Alô Tatuapé - acervo histórico. Imagem cedida por Alexandre Pedro de Queiroz Ferreira.

Determinar a exata idade do Tatuapé não é tão fácil. Mas segundo os dados da Prefeitura de São Paulo, o registro é do dia 5 de setembro, e o ano 1.667. Mas o aniversário do bairro também já foi comemorado, durante vários anos, em outubro. Infelizmente, devido ao caráter colonialista e às próprias dificuldades da época, além do inusitado, misterioso e deslumbrante mundo novo que se descortinava aos olhos dos europeus, pouco se pode dizer a respeito da exatidão das datas. Os 346 anos atribuídos ao bairro, referem-se aos registros encontrados, assim como para a Mooca, ao qual se atribui 458 anos, também pela passagem e estabelecimento dos primeiros colonizadores que vinham do litoral Santista ao planalto e fundaram a própria cidade de São Paulo, hoje com 460 anos; esta sim com dados mais concretos, a partir das anotações dos jesuítas, em 1.554.

Segundo os registros eclesiásticos, a primeira Missa rezada no bairro do Tatuapé, aconteceu na Capela Santa Cruz do Desterro, em 1879, no que hoje chamamos de Largo São José do Maranhão, localizado no final da Rua Antonio de Barros, depois do cruzamento com a Avenida Celso Garcia, já na divisa com o bairro da Penha, caminho desde o centro de São Paulo no Pátio do Colégio na direção Norte e ao interior em busca do ouro e das pedras preciosas, prometidas pelo Novo Mundo. A Penha comemorou 347 anos em agosto, um a mais que o Tatuapé.

Certo é, que o bairro que leva o nome de um bicho engraçado, prosperou a partir da passagem dos tropeiros que se dirigiam ao Rio de Janeiro, às Bandeiras, aos desbravadores e no entorno da religiosidade marcante. Note-se o número de igrejas existentes e a importância das comemorações religiosas, como as festas juninas de Santo Antonio, São José, São Pedro.

Esta pequena parte da Rua Azevedo Soares, entre a Itapura e a Serra do Japi, certamente poderia ter outro nome, caso isso fosse possível. Esse nome seria Francisco Bérgamo Sobrinho que também prosperou por aqui, deixando sua contribuição.

Com sua visão empreendedora montou nos galpões vistos nesta imagem, um dos maiores complexos moveleiros do Brasil e ao idealizá-lo, por volta da década dos anos 50, proporcionou às imediações a ampliação do fornecimento de energia elétrica e a primeira linha telefônica. Além disso, empregou muitos operários e do Tatuapé deu seu grande salto para as exportações e a entrega de móveis para todo o país.

As fotografias da construção dos galpões da futura Fábrica de Móveis Bérgamo (1953), de Francisco Bérgamo Sobrinho (Um homem de visão, Alô Tatuapé nº 138, V Edição Histórica), nos dá a oportunidade de conhecer a confluência das ruas Azevedo Soares e Itapura. Observe à esquerda da imagem no alto a torre da antiga igreja N. Sra. do Bom Parto e a parte de trás da antiga capela. Imagens cedidas por Alexandre Pedro, neto do senhor Bérgamo.

 


Assuntos relacionados:

Tatuapé antigo

Gente do Tatuapé

 

alotatuape

Autor: alotatuape

Share This Post On

Enviar um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*