Tatuapé: Crescimento desordenado terá alto custo para a população

A cidade de São Paulo paga caro pelo mesmo erro,
cometido há tempos, em nome do progresso.

Gerson Soares

São Paulo, Tatuapé – Nesta sexta-feira (25), conversamos com o vereador Antonio de Paiva Monteiro Filho, o Toninho Paiva (PR/SP). Na pauta, três assuntos principais: Subprefeitura do Tatuapé, Manutenção de Parques, Praças e Ruas do bairro e o crescente número de veículos da superpopulação trazida pelos inúmeros empreendimentos imobiliários. A cidade de São Paulo paga um alto preço pela falta de planejamento do passado e o bairro caminha para se tornar caótico.

 

Vereador Toninho Paiva reunido com moradores na Praça Lions Club da Penha, na Rua São Felipe, no Tatuapé. Foto: Divulgação/TP

Vereador Toninho Paiva reunido com moradores na Praça Lions Club da Penha, na Rua São Felipe, no Tatuapé. Foto: Divulgação/TP

Com 72 anos, vida agitada, atendendo ligações e dando ordens incessantemente, demonstrando sua boa saúde e disposição, Toninho Paiva nasceu no Tatuapé, mais exatamente na Rua Tuiuti, e conhece o bairro tão bem como os remanescentes de sua época. Jogou bola nos campos de terra e foi dirigente do XI Garotos – um time de futebol varzeano extinto, como tantos outros. A conversa com ele se deu justamente pelo seu conhecimento do bairro, além do que sua trajetória o levou à Câmara Municipal de São Paulo (CMSP), onde ocupa o cargo de vereador em seu quinto mandato.

Nossa conversa girou em torno do início das primeiras ações por um Tatuapé que aspirava melhorias e para tanto foi fundada a Sociedade Amigos do Tatuapé, em 1963. “A primeira sede ficava em frente ao número 930 da Rua Tuiuti”, lembrou-se. Hoje a entidade não tem tantas atribuições, mas continua fazendo um papel importante na prevenção da hipertensão e é da autoria do vereador a lei que trata do Dia do Hipertenso.

Ao comentarmos sobre os antigos moradores, Paiva lembrou-se de um vereador do bairro, tão antigo quanto Alfredo Martins, que foi Corinto Balduíno. Seu nome está ligado ao Hospital do Tatuapé e a outras obras que beneficiam o bairro até hoje, assim como o próprio Alfredo, que permaneceu durante seis mandatos à frente da CMSP e deixou obras permanentes. Outro tatuapeense de primeira grandeza citado foi Carlos Pinto de Oliveira Sá. “A gente brigava muito, mas eu gostava dele”, falou o vereador. Não é para menos, Carlos era um expoente nas reivindicações pelo bem do bairro. “O Tatuapé é a minha vida”, disse um dia. Carlos está entre os que primeiro reivindicaram uma Administração Regional (nome antigo das atuais subprefeituras) para o Tatuapé.

A conversa prosseguiu e as lembranças também, recordamos Paiva sobre a Bocha e seria impossível falar desse esporte sem citar José Ramos Pereira. Assim como, Ricardo Izar, quando se fala em política e benfeitorias para o bairro. Uma delas o Parque do Piqueri. E quando se pensa em plantas e árvores, atualmente se fala na Dengue. “A cidade está muito suja. A dengue é preocupante. Cabe às autoridades municipais e também estaduais cuidarem para que não se alastre”, observou Paiva.

Mato co C.E.E. Brigadeiro Eduardo Gomes: A pista de cooper foi tomada pelo mato, mas ninguém sabe quem deve cortá-lo se a subprefeitura Mooca ou a SEME. Foto: aloimage

Mato co C.E.E. Brigadeiro Eduardo Gomes: A pista de cooper foi tomada pelo mato, mas ninguém sabe quem deve cortá-lo se a subprefeitura Mooca ou a SEME. Foto: aloimage

E como uma coisa puxa outra, manutenção fica a cargo das subprefeituras. No Tatuapé, temos mostrado a situação de ruas esburacadas, parques onde o mato atinge a copa das árvores, aparelhamentos municipais sucateados, vestiários dos clubes trancados com cadeados para não serem usados ou por não terem condições de uso. O assunto, torna fácil lembrar a subprefeitura Mooca, uma das quais o Tatuapé está subordinado. Aí começa o empurra-empurra. Quando se fala em manutenção dos parques, por exemplo, a subprefeitura se exime de culpa pelo mato alto ou a manutenção inexistente. Para a assessoria da subprefeitura Mooca quem tem obrigação de executar esse tipo de trabalho é a SEME (Secretaria de Esportes, Lazer e Recreação) que por sua vez diz ter parceria com as subprefeituras para o serviço. Resultado: O mato cresce e o mosquito da dengue agradece.

Luminárias do Bom Parto que estão desativadas: Moradores querem a volta delas, pois acreditam que isso irá melhorar as condições de uso. Foto: aloimage

Luminárias do Bom Parto que estão desativadas: Moradores querem a volta delas, pois acreditam que isso irá melhorar as condições de uso. Foto: aloimage

Chegamos ao Largo Nossa Senhora do Bom Parto, onde na semana passada realizamos uma visita e o leitor pode ver os resultados na aba Tatuapé|Bairro. Os frequentadores disseram que o Toninho Paiva havia gasto 200 mil reais em iluminação e aparelhamento da praça, mas ficou pior. “Em 2012, eu gastei lá 151 mil, para fazer o playground, abaixei os postes e colocamos luminárias novas”, corrige. “Vou marcar na semana que vem com o Simão Pedro (Secretário Municipal de Serviços da Prefeitura de São Paulo) e com o Alberto Serra (engenheiro do Departamento de Iluminação Pública – Ilume) para falar do Bom Parto”.

Citamos o uso de drogas e bebidas nessa praça do bairro, no que Paiva rebateu: “É um problema de segurança. Precisaria aumentar o contingente da GCM (Guarda Civil Metropolitana)”. O vereador advertiu ainda que no Bom Parto existe uma EMEI e esta poderia contribuir para pedir o policiamento.

 

 

 

alotatuape

Autor: alotatuape

Share This Post On

Enviar um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*