Tecnologia ajuda a explicar recordes quebrados no Rio 2016


Sexta-feira, 19 de agosto de 2016, às 20h17


Talento e muito treino são fundamentais, mas atletas têm nas pistas e na piscina fortes aliados na busca pela melhor performance.

Por Denise Mirás | Rio 2016

Atletas de alta performance têm na tecnologia uma importante aliada. Não só a tecnologia dos equipamentos esportivos, mas também do campo de jogo. Isso é fundamental para ajudar na performance dos atletas e, consequentemente, na quebra de recordes.

 

Pista de ciclismo do Velódromo teve a quebra de 19 recordes Olímpicos durante os Jogos Rio 2016. Foto: Getty Images/Bryn Lennon

Pista de ciclismo do Velódromo teve a quebra de 19 recordes Olímpicos durante os Jogos Rio 2016. Foto: Getty Images/Bryn Lennon

 

“Claro que toda equipe que organiza Jogos Olímpicos procura os melhores fornecedores, tecnicamente falando. E os fornecedores também apresentam o que têm de mais avançado, porque nada melhor que resultados de atletas em Jogos Olímpicos para validar a qualidade de seus equipamentos”, observa Agberto Guimarães, diretor-executivo de esportes do Comitê Rio 2016.

 

Dupla britânica comemora recorde no Velódromo. Foto: Getty images/Bryn Lennon

Dupla britânica comemora recorde no Velódromo. Foto: Getty images/Bryn Lennon

 

Direto da Sibéria

O Velódromo do Rio é um ótimo exemplo. Em quatro dias, 19 recordes Olímpicos foram quebrados, 7 deles recordes mundiais.

A superfície usada na pista de cciclismo foi a mesma de Londres 2012, com pinho siberiano, que é muito resistente, mas também maleável para que sejam moldadas as curvas com precisão. Também é a madeira que oferece a superfície mais lisa, o que torna a pista muito rápida.

O projeto foi de Ralph Schurmann, da empresa alemã que leva o nome da família e atuou em sete Jogos Olímpicos (o último havia sido Pequim 2008).

Os velódromos exigem toda uma equipe de carpinteiros especializados para a instalação da pista. São instalações mais abafadas, já que nem a madeira pode ser afetada pela umidade do ar condicionado, nem os ciclistas podem ter a performance prejudicada por algum duto que jogue vento sobre a pista.

Gilles Peruzzi, diretor de pista da União Ciclística Internacional (UCI), lembra que por trás dos recordes estão vários elementos, não apenas a pista. “São cientistas que trabalham com os atletas por quatro anos, com relação a performance, bicicletas, claro, e também roupas. São os atletas que treinam duramente por quatro anos para atingir seu máximo nos Jogos Olímpicos. A pista tem sua parte nos recordes, mas não é o elemento responsável por eles. Não sei precisar em termos de classificação, mas a pista do Rio está entre as top do mundo.”

 

Pista mais dura ajuda na impulsão dos atletas. Foto: Getty Images/Matthias Hangst

Pista mais dura ajuda na impulsão dos atletas. Foto: Getty Images/Matthias Hangst

 

Sem “moleza”

No caso do atletismo, Agberto, ele mesmo um dos maiores atletas brasileiros nos 1.500m e 800m, diz que a pista é muito rápida. “Claro que se a pista é mais macia fica mais gostoso correr. Mas ela precisa ter seu grau de dureza para ser mais rápida”, observa, destacando a superfície instalada pela empresa italiana Mondo no Estádio Olímpico (Engenhão).

A pista, depois de instalada, passa por testes de tempo de resposta, feitos por toda a superfície, porque essa “reação” do piso também ajuda na performance, servindo para impulsionar o atleta à frente.

O atletismo no Estádio Olímpico, em seis dias de competição, teve dois recordes mundiais quebrados na pista: nos 400m, com o sul-africano Wayde van Niekerk (43s03), e nos 10.000m, com a etíope Ayana Almaz (29min17s45). Ainda saiu um recorde Olímpico, nos 3000m com obstáculos (8min03s24), do queniano Conseslus Kipruto.

 

Água translúcida ajuda sobretudo nas viradas, evitando erros. Foto: Getty Images/Al Bello

Água translúcida ajuda sobretudo nas viradas, evitando erros. Foto: Getty Images/Al Bello

 

Transparência

Também nas piscinas, descontado o “efeito Michael Phelps” (que, se não bate recorde, estimula os atletas a tentar), o Rio 2016 contou com um número bem expressivo de recordes. Em oito dias, foram estabelecidos 24 recordes Olímpicos. Desses, sete foram também recordes mundiais.

A piscina Myrtha – que é desmontável – é moldada em aço, já que a construção em concreto pode dar diferenças milimétricas nas medidas. Ela também tem características fundamentais para que seja rápida e, assim, ajude com os recordes.

Primeiro, o sistema de circulação de água. São de 6 a 8 mil litros por minuto, que saem e voltam à piscina. O transbordamento contínuo, nas 24 horas do dia, faz com que a água ‘respire”, porque a água é viva. Cada nadador que entra na água faz transbordarem de 70 a 100 litros. E, tendo mais água do que a piscina comporta, as ondas são diluídas.

Também ajuda o sistema de jatos, para que as ondas não interfiram nas provas. “Essa interferência, da superfície aos 30 centímetros de profundidade, é reduzida a zero”, diz Agberto. Outro fator importante: “A água é muito limpa e, assim, ajuda os nadadores a não errar as viradas. Para eles, a visão é importantíssima.”

A norte-americana Katie Ledecky bateu os recordes mundiais dos 800m (8min04min79s) e 400m livre (3min56s46); a sueca Sarah Sjostrom estabeleceu nova marca para os 100m borboleta (55s48); a húngara Katinka Hozssu, para os 400m medley (4mins26s36), e as australianas bateram o recorde mundial do revezamento 4x100m livre (3min30s65). Pelos homens, o britânico Adam Peaty fez 57s55 nos 100m peito, e o americano Ryan Murphy, 51s85 nos 100m costas.

Em um dos vídeos, Rafael Portugal é um atleta com dificuldade para fazer o exame antidoping. Foto: Divulgação

Em um dos vídeos, Rafael Portugal é um atleta com dificuldade para fazer o exame antidoping. Foto: Divulgação

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