Todos arcarão com a vitória do atual governo


Terça-feira, 28 de outubro de 2014, às 08h45 – atualizado às 13h20

Assim é a democracia, onde a maioria vence, mesmo que por pouco.

Gerson Soares

Quem votou a favor de Dilma Roussef, concorda com a pior educação e a maior desvalorização dos professores do ensino público em todos os tempos, onde os alunos brasileiros ficam entre os piores colocados da América Latina, sem citar Europa, América do Norte e Ásia. Concorda com a situação dos hospitais públicos, com os investimentos pífios em saúde perante as estatísticas mundiais.

Presidente eleita do Brasil, Dilma Roussef (PT). Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Presidente eleita do Brasil, Dilma Roussef (PT). Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A falta de segurança nos remete a uma das propostas do candidato Aécio Neves, da qual não abriu mão nem mesmo para ter o apoio de Marina Silva, a de mudar a maioridade legal. Essa mudança – que terá no Senado o apoio do eleito José Serra – vai de encontro aos crimes absurdos, como o que foi cometido no bairro do Belém em São Paulo, onde um menor matou um jovem na porta de casa para roubar um celular. E o de outro menor, que disse abertamente à imprensa ter matado a namorada, por motivo fútil, a poucos dias de completar 18 anos, por saber que não seria punido com o rigor que sua frieza merece.

Hoje, a população e a polícia temem os bandidos, não por serem covardes, sim porque as leis conferem mais direitos de proteção e defesa aos criminosos, do que aos que procuram ter uma vida dentro daquilo que se espera ser normal, como trabalhar, estudar, construir uma família, ver os filhos e os netos crescerem e um dia morrer em paz.

Quem votou a favor da continuidade, concorda que a maior potência da América Latina, que oscila na 7ª posição entre as economias mundiais, permita haver pessoas que sobrevivam da comida e daquilo que recolhem dos lixões nas grandes cidades.

Aqueles que não quiseram trocar a presidência concordam que a corrupção é um costume e deve continuar, apesar de todo o empenho da Justiça em desmontar esquemas que beneficiam empresas, partidos e políticos ligados ao atual governo, como vem sendo mostrado e divulgado pela imprensa mundial. Os bilhões desviados, certamente serviriam para melhorar o desenvolvimento do país, justamente nas regiões que apoiaram a continuidade.

Que nos perdoem a sinceridade, mas se em doze anos, tudo o que foi descrito aqui não mudou, esperar que nos próximos quatro anos um milagre aconteça é muita ingenuidade. O Rio São Francisco, que assiste a construção de um curso artificial para suas águas, sendo construído há anos sob o pretexto de levar água ao Nordeste e que já consumiu muito mais dinheiro e extrapolou os prazos previstos, que o diga.

Se a imprensa nacional não for o bastante para alertar sobre tudo o que foi escrito, veja o que disseram algumas das maiores redes de notícias do mundo, nesta segunda-feira (27), um dia após a reeleição de Dilma Roussef:

The New York Times – EUA
“Economia estagnada, programas sociais generosos (dito em tom jocoso), déficit orçamentário, denúncias de corrupção.

BBC – Reino Unido
“Desconfiança do mercado financeiro: queda da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) de 2,77%. Aumento da cotação do dólar em 2,5% – fechando em R$ 2,52. Queda de 12% das ações da Petrobras – a maior desde 2008.

Le Monde – França
“Reforma institucional, corrupção, recuperar a economia. Dilma recebeu o país com um crescimento de 7,5% e deve terminar o primeiro mandato com 0,7% de aumento no PIB – ou 0,3% de acordo com a OCDE. Em 2015, é esperado um crescimento de 1,7%. Segundo as projeções mais otimistas, uma estimativa abaixo da média mundial e longe do clube emergente dos Brics”.

Corriere della Sera – Itália
“Dilma e Lula foram eleitos como um exército de eleitores leais do pobre Nordeste, onde milhões de famílias comem e consomem graças à ajuda jogada pelos seus governos”.

alotatuape

Autor: alotatuape

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