Torres de apartamentos no Tatuapé X Lei de contrapartida

Gerson Soares
Empreendimento na Rua Marechal Barbacena, início das obras. Este e vários outros provocaram afundamentos permanentes e a via hoje é chamada de tobogã pelos moradores. Foto: aloimage.

Empreendimento na Rua Marechal Barbacena, início das obras. Este e vários outros provocaram afundamentos permanentes e a via hoje é chamada de tobogã pelos moradores. Foto: aloimage.

Quando há um impacto urbanístico, os empreendedores precisam investir em melhoramentos locais, mas cada um dos empreendimentos que pesquisamos está se beneficiando de leis que limitam em 500 ou 600 vagas de estacionamentos os condomínios residenciais, por exemplo, antes de lhes cobrar as devidas contrapartidas.

A Tecnisa, uma das empresas que investem no Tatuapé, constrói na Barra Funda um mega empreendimento e para obter a aprovação deverá fazer melhorias no sistema viário e quanto ao urbanismo devido ao impacto que causará na vizinhança. Assim como esta, outras empresas da construção estão investindo no Tatuapé, um bairro fabril até 50, 60 anos. Portanto, com enormes galpões e terrenos que antes só abrigavam máquinas e operários. Esses galpões, os que ainda restam, estão com os dias contados, como acaba de acontecer com a Morbin na esquina das ruas Azevedo Soares e Francisco Marengo. As instalações da empresa, agora irão abrigar famílias e um número crescente de automóveis.

Stand de vendas também na Rua Marechal Barbacena, obras já devem estar em fase final. Caminhões, máquinas e barulho constante, há uma década. Foto: aloimage.

Stand de vendas também na Rua Marechal Barbacena, obras já devem estar em fase final. Caminhões, máquinas e barulho constante, há uma década. Foto: aloimage.

A Adolpho Lindenberg, com 59 anos de mercado, acaba de lançar o empreendimento Aristo no Tatuapé, na esquina da Rua Cantagalo com a Praça Nicola Antonio Camardo. A área era ocupada por um posto de gasolina e um desses galpões fabris. São 130 apartamentos e 210 vagas daqui há 34 meses. A própria Tecnisa constrói duas torres próximas à Av. Celso Garcia, com 200 vagas.

Numa rápida pesquisa fizemos um cálculo para descobrir quantos automóveis deverão estar circulando pelo Tatuapé diariamente nos próximos anos apenas com alguns dos lançamentos em vigor ou de prédios em obras. Os números devem ser considerados como amostragem, pois a conta exata é muito maior, já que não levamos em consideração todos os empreendimentos em construção ou lançamentos.

A Eztec constrói duas torres, 108 apartamentos, com 3 a 4 vagas, num total de 400 carros. Na Rua Ulisses Cruz, outra construtora, tem 270 unidades em construção com 2 vagas cada, 540 carros. Três edifícios em construção, um deles comercial com 255 unidades, a Gafisa trará para o Tatuapé e Jardim Anália Franco, aproximadamente 750 carros. Só os lançamentos da Construtora Hernandez em construção irão gerar 1.732 vagas de veículos entre prédios residenciais e comerciais. É a líder no número de automóveis desta amostragem, seguida pela Porte que com os lançamentos a serem construídos ou em obras trará 952 carros para seus empreendimentos residenciais e comerciais, sem contar os anunciados residenciais na Rua Itapeti e comerciais na Rua Vilela. A Balbás anuncia cinco construções em pré-lançamentos, às duas obras em andamento da empresa irão somar mais 312 carros para as vagas anunciadas. A Pontual, outra construtora lança um prédio com 6 vagas de garagem por apartamento, o que deve chegar a aproximadamente 180 carros, pela média de um apartamento por andar, se forem dois esse número dobra e vai para 360 veículos.

Rua Maria Otília: Ondulações e abandono há anos. A rua está desfigurada. Uma forma de pressionar antigos moradores a venderem seus imóveis? Foto: aloimage.

Rua Maria Otília: Ondulações e abandono há anos. A rua está desfigurada. Uma forma de pressionar antigos moradores a venderem seus imóveis? Foto: aloimage.

Somente esta pequena amostragem, demonstra que entre 2014 e 2017, estimando o tempo de três anos para a construção, o Tatuapé e Jardim Anália Franco terão mais 5.000 carros nas ruas. Se representar 50% dos prédios em obras nesses bairros, o que avaliamos como um número modesto serão mais 10.000 carros circulando daqui um ou dois anos no local.

Para uma Prefeitura que elegeu o carro como vilão, este é um número que deve ser avaliado. Ou será que já foi?

Máquinas e caminhões betoneiras na Rua da Meação. O entorno é um verdadeiro canteiro de obras. Até quando? Foto: aloimage/2010.

Máquinas e caminhões betoneiras na Rua da Meação. O entorno é um verdadeiro canteiro de obras. Até quando? Foto: aloimage/2010.

A questão não é diminuir a velocidade do bólido do progresso segurando o ponteiro do velocímetro, ou seja, tentar impedir o livre comércio ou as livres escolhas de onde morar e que tipo de trânsito enfrentar, mas pensar a cidade e os bairros de uma forma diferente. As demandas existem, caso contrário os empreendimentos encalhariam e não é o que acontece, cabe aos dirigentes verificarem se o Tatuapé continuará comportando esse boom imobiliário.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Autor: alotatuape

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