Velocidade máxima das marginais será reduzida a partir do dia 20 de julho em SP


Quinta-feira, 9 de julho de 2015, às 19h35


Medida vai ao encontro das experiências de grandes capitais do mundo, como Tóquio, Londres e Paris, onde a velocidade máxima permitida é de 50 km/h.

PMSP | SECOM

A velocidade máxima permitida nas Marginais Pinheiros e Tietê será reduzida a partir do dia 20 de julho. A velocidade nas pistas expressas será reduzida de 90 km/h para 70 km/h, no caso dos carros, e de 70 km/h para 60 km/h no caso dos caminhões. O objetivo é reduzir a quantidade de acidentes nas duas vias, onde 73 pessoas morreram em colisões e atropelamentos somente em 2014.

Coletiva sobre a redução de velocidade nas marginais Tietê e Pinheiros. Foto:  Cesar Ogata / SECOM

Coletiva sobre a redução de velocidade nas marginais Tietê e Pinheiros. Foto:
Cesar Ogata / SECOM

Experiências de redução de velocidade em países europeus demonstram sucesso na redução da fatalidade dos acidentes de trânsito. Na Dinamarca, por exemplo, a diminuição de 60km/h para 50km/h em rodovias em áreas construídas provocou a redução de 24% nos acidentes com morte. O limite máximo de velocidade de 50km/h é atualmente adotado em áreas urbanas de países como Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal, Espanha e Suécia.

Em São Paulo, nas pistas centrais das marginais, a redução será de 70 km/h para 60 km/h e de 60 km/h para 50 km/h nas pistas locais. Em alguns trechos de ambas as vias, onde velocidades mais baixas foram anteriormente adotadas por questões de segurança, elas se manterão. Na Marginal Tietê, por exemplo, no trecho próximo à ponte da Casa Verde, na pista central, no sentido da Rodovia Ayrton Senna, será mantida a velocidade máxima permitida de 50 km/h.

“Esta é uma campanha que tem que ser da cidade. Nós estamos falando de vidas. A velocidade do veículo tem que ser segura”, destacou o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, durante coletiva de imprensa na sede da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), no centro da capital.

As novas placas de sinalização serão instaladas até o dia 20, a partir de quando os veículos que desrespeitarem o limite de velocidade já poderão ser multados. Neste período que antecede a implementação das novas regras, a secretaria trabalhará ainda na divulgação da informação, de modo a conscientizar os cidadãos acerca das mudanças.

Secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, divulgou nesta quarta-feira (08/07) estudo sobre redução de velocidade nas marginais Tietê e Pinheiros com foco na queda do índice de mortes e acidentes graves. Foto Cesar Ogata / SECOM

Secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, divulgou nesta quarta-feira (08/07) estudo sobre redução de velocidade nas marginais Tietê e Pinheiros com foco na queda do índice de mortes e acidentes graves. Foto Cesar Ogata / SECOM

De acordo como o secretário, além dos condutores que se envolvem em acidentes graves de trânsito nas marginais, muitos pedestres acabam se vitimando nestas vias, a maior parte deles pessoas em situação de rua e vendedores ambulantes.

Para combater tais índices, a Secretaria de Transportes tem estudado iniciativas junto às secretarias municipais de Assistência e Desenvolvimento Social, Segurança Urbana e de Coordenação das Subprefeituras. “Não estamos apenas reduzindo a velocidade. É uma ação integrada que envolve outros órgãos da Prefeitura. Nós temos que ser implacáveis nesta ação. Não se trata de fazer opções”, afirmou Tatto.

Durante a apresentação do estudo que motivou a redução da velocidade nas Marginais, o secretário afirmou que a adoção da medida não deve provocar aumento do congestionamento nas vias. Isso porque com a redução da velocidade, a distância segura entre um veículo e outro também é reduzida. Além disso, com uma velocidade mais compatível com as das demais vias da cidade, o trânsito tende a ter maior fluidez.

A partir do dia 3 de agosto, uma redução da velocidade será também adotada nas avenidas Jacu Pêssego e Aricanduva, ambas na zona leste da capital. Nessas vias, a velocidade será reduzida de 60 km/h para 50 km/h.

Acidentes e mortes

Em 2014, nas duas Marginais, ocorreram 1.180 acidentes com vítimas, com 1.399 pessoas feridas e 73 mortes. Na Marginal Tietê, foram registrados 504 acidentes com vítima em 2014, que provocaram ferimentos em 645 pessoas e 40 mortes. Deste total, foram 54 atropelamentos, que feriram 43 pessoas e mataram outras 15. Já na Marginal Pinheiros, no mesmo período, foram 580 acidentes com vítima, com 754 pessoas feridas e 33 mortes. Destes acidentes, foram 42 atropelamentos, que resultaram em 40 vítimas feridas e 10 mortas.

“Acidente é uma coisa que você tem a questão do imponderável: você melhora um ambiente, reduz os acidentes e com isso você pode reduzir a gravidade disso. Nenhum acidente é razoável”, afirma o diretor de Planejamento e Educação no Trânsito da CET, Tadeu Leite Duarte.

 

Vista noturna da cidade de São Paulo. Na foto, a marginal do Rio Tietê, onde a velocidade máxima para os carros deve passar dos atuais 90 km/h para 70 km/h. Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas

Vista noturna da cidade de São Paulo. Na foto, a marginal do Rio Tietê, onde a velocidade máxima para os carros deve passar dos atuais 90 km/h para 70 km/h. Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas

 

A redução nas Marginais integra um programa de ajuste nas velocidades máximas permitidas, que já diminuiu este limite em 26 quilômetros de ruas e avenidas. Até o fim do ano, a meta é chegar a 100 quilômetros de vias da capital.

De acordo com a CET, com a redução para 40 km/h em vias do centro da cidade, a redução do número de mortes em acidentes de trânsito e atropelamentos foi de 71%. Entre agosto de 2012 e setembro de 2013, foram registrados na região 167 acidentes, com 7 mortes. Já entre novembro de 2013 e dezembro de 2014, período posterior à implementação, foram 136 acidentes, com 2 mortes. A redução do número de acidentes foi de 18,5%.

Experiência internacional

Dados da Organização Mundial de Saúde mostram que acidentes de trânsito podem se tornar a 5ª maior causa de mortes em 2030. Em outras grandes capitais do mundo, como Tóquio, Londres e Paris, a velocidade máxima permitida é de 50 km/h, limite que tem impacto direto nos índices de mortes anuais por 100 mil habitantes, que ficam nessas cidades em 1,7, 2,7 e 3,1 óbitos, respectivamente. Em São Paulo, onde as velocidades máximas estão acima de 60 km/h, este índice é de 11,8, cerca de quatro vezes maior.

Na maioria dos acidentes de trânsito, a menor velocidade do veículo poderia ter evitado o acidente ou abrandado os danos físicos e materiais. Segundo estudo da organização WRI Brasil-EMBARQ Brasil, ao atropelar um pedestre a 60 km/h, o risco de morte é de mais de 80%; se o carro estiver a 50 km/h, contudo, a vítima sofre ferimentos, mas o risco de fatalidade é bem menor, inferior a 50%.

Nascer do sol em São Paulo, cidade que debateu arduamente o Plano Diretor e agora terá mais uma jornada de debates sobre a Lei de Zoneamento. Apesar de os cidadãos serem prioritários nessas diretrizes, interesses particulares e difusos permanecem ingerentes nas determinações da Prefeitura e da Câmara Municipal. Foto: Stock Photo / Legenda: Gerson Soares.

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