Vereadores mudam nomes de ruas e munícipes arcam com os custos


Quarta-feira, 22 de outubro de 2014 às 11h19
A Comissão da Verdade da Câmara Municipal de São Paulo (CMSP) pretende mudar o nome de 13 logradouros e para isso fez um levantamento das ruas, praças e avenidas, cujos nomes homenageiam torturadores da Ditadura Militar ou seus colaboradores.

Treze logradouros poderão mudar de nomes, entre eles um no Tatuapé e outro no Belenzinho. Imagem: Google Maps

Treze logradouros poderão mudar de nomes, entre eles um no Tatuapé e outro no Belenzinho. Caso o projeto seja aprovado, moradores é que deverão arcar com os custos das mudanças. Imagem: Google Maps

O assunto já cria polêmica no ambiente da CMSP, já que alguns vereadores não concordam com a medida, no que são contestados pelos proponentes. Contrariedades a parte, o município pretende cobrar dos moradores as taxas pela mudança, que segundo a informação da CMSP, ficaria em torno de R$ 38,48 reais gastos em cartório. Quanto à dor de cabeça e às mudanças subsequentes que o ato acarretará – alterações de todos os endereços de prestadores de serviços, como água, luz, telefone, gás, TV a cabo, entre outros – também ficará por conta do munícipe.

“Eu vi uma reportagem sobre uma rua que mudou de nome e as pessoas tiveram um monte de problemas, as correspondências não chegavam, vinha tudo errado. Acho que o Brasil tem muitas outras coisas para se preocupar antes disso”, reclama uma das moradoras da Rua Sérgio Paranhos Fleury. Além disso, no caso da venda do imóvel, a alteração também poderá acarretar custos de escritura, bem maiores.

Autor do projeto que propõe a mudança do nome da Rua Sérgio Fleury, o ex-vereador Orlando Silva (PCdoB) – que nas eleições deste mês conseguiu uma cadeira na Assembleia Legislativa – acredita que as preocupações dos moradores são válidas, mas acha essencial combater as heranças do regime militar, entre elas as homenagens a seus apoiadores.

“A rua pertence à cidade, não ao morador que está nela”, afirmou Orlando Silva, autor do Projeto de Lei (PL) na Câmara Municipal. Eleito deputado estadual, ocupará uma cadeira na Assembleia Legislativa e só poderá acompanhar seu projeto à distância.

Veja os logradouros que poderão mudar de nomes, caso o PL seja aprovado, inclusive um deles localizado no Tatuapé e outro no Belenzinho:

– R. Tomaz Paulino de Almeida – Vila Hebe
– R. Dr. Sérgio Fleury – Vila Leopoldina
– R. Henning Boilesen – Jaguaré
– R. Dr. Otávio Gonçalves Moreira Júnior – Jardim Esmeralda
– R. Gen. Syzeno Sarmento – Jardim Esmeralda
– Av. General Ênio Pimentel da Silveira – Taboão da Serra
– Praça Augusto Rademaker Grunewald – Vila Olímpia
– Praça Min. Alfredo Buzaid – Vila Nova Conceição
– Via Elevado Pres. Artur da Costa e Silva – Vila Buarque
– Av. Pres. Castelo Branco, São Paulo
– R. Gen. Silvio Corrêa de Andrade – Vila Industrial
– Praça Gen. Humberto de Souza Mello – Belenzinho
– R. Hely Lopes Meirelles – Tatuapé

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Autor: alotatuape

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