Zé do Pedal chega a Manaus. Conheça esta história pela acessibilidade.

Cruzada pela Acessibilidade: Dignidade, Igualdade, Respeito

Depois de caminhar 1.070 km empurrando uma cadeira de rodas, Zé do Pedal chega a Manaus. Ativista começou a caminhada do Caburaí ao Chuí às margens do Rio Uailã, primeiro rio brasileiro no extremo norte.

Zé do Pedal embaixo da maior chuva, empurrando sua cadeira de rodas. Foto: Divulgação/Zé do Pedal

Zé do Pedal embaixo da maior chuva, empurrando sua cadeira de rodas. Foto: Divulgação/Zé do Pedal

Caminhando até 52 km por dia, enfrentando chuvas torrenciais e suportando temperaturas de até 40 graus na constante busca de um mundo mais justo e humano baseado na trilogia dos conceitos de igualdade, dignidade e respeito e tentando eliminar barreiras que dificultam à pessoa com deficiência a participarem ativamente da vida social, o ativista mineiro, José Geraldo de Souza Castro, Zé do Pedal, 56, membro do Lions Clube de Viçosa, chegou a Manaus – AM, em frente ao centenário Teatro Amazonas, depois de percorrer os primeiros 1.070 km do seu projeto: “Extremas Fronteiras – Barreiras Extremas” (Cruzada pela Acessibilidade). Uma caminhada, de 10.700km, empurrando uma cadeira de rodas, saindo de Uiramutã, Fronteira norte com a Venezuela passando por 20 estados brasileiros: Roraima, Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Goiás, Brasília, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Zé do Pedal chega a Manaus e é recebido por amigos em frente ao Teatro Amazonas. Divulgação/Zé do Pedal

Zé do Pedal chega a Manaus e é recebido por amigos em frente ao Teatro Amazonas. Divulgação/Zé do Pedal

Após ser recebido por amigos, membros do Lions Clube e pelo Deputado Estadual Chico Preto, Zé do Pedal fez um breve balanço da primeira etapa do projeto:

“Estou muito feliz de haver chegado a Manaus dentro do cronograma estabelecido. Comecei, dia 10 de fevereiro, a caminhada, com uma cerimônia simples, que contou com a presença de alguns indígenas da Maloca Uiramutã, às margens do Rio Uailã, primeiro rio brasileiro no extremo norte e haver superado, com certa tranqulidade, os primeiros 10% da caminhada, deixando pra traz a parte mais difícil e complicada da caminhada que era cruzar pelo menos 60% da área Indígena Raposa Serra do Sol, em estradas de terra, e o pior, os mais de 700km que separam Boa Vista de Manaus no meio da maior floresta tropical do mundo e enfrentando altas temperaturas que me causou um principio de insolação”.

“Um dos principais objetivos da caminhada, entregar aos poderes público municipais projeto-lei de criação do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência vem sendo cumprido à risca e foram entregues nos seguintes municípios: Uiramutã, Mucajaí, Iracema, Caracaraí, Rorainópolis e Presidente Figueiredo. Em Boa vista participei da reunião da Câmara Municipal e durante minha fala cobrei dos vereadores ações que levem às autoridades executivas daquela capital a destruição das barreiras arquitetônicas que estão espalhadas por toda a cidade. Em uma delas, o maior absurdo: ao final de uma faixa de pedestre existe um muro de quase meio metro de altura”. Finalizou Zé do Pedal, cujo projeto mostrará ao povo brasileiro um erro histórico: o Brasil não vai, como muitos aprenderam na escola, do Oiapoque ao Chui. Senão: do Caburaí ao Chui. “Em algumas escolas que tenho visitado, os professores de geografia ainda ensinam errado às nossas crianças que os pontos extremos do Brasil, em se tratando de Norte e Sul, são Oiapoque e Chui. Até presidentes cometem o erro. Espero que meu projeto contribua um pouco nessa mudança de informação”.

No decorrer da próxima semana o ativista espera poder usar a tribuna da Assembléia Legislativa do Amazonas e expor aos parlamentares do estado os objetivos da caminhada.

Tamanduá-bandeira com seus passos engraçados cruza o caminho do ativista em plena estrada. Foto: Divulgação/Zé do Pedal

Tamanduá-bandeira com seus passos engraçados cruza o caminho do ativista em plena estrada. Foto: Divulgação/Zé do Pedal

Daqui, Zé do Pedal segue até Belém em barco e depois segue sua jornada pelo litoral até Salvador.

Durante a caminhada, que terá um ano de duração e culminará em fevereiro de 2015, na cidade de Chuí, fronteira Sul do Brasil com o Uruguai, serão dados 150 milhões de passos, serão distribuídas cartilhas em formato digital, sobre a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, e, ao mesmo tempo, em parceria com os Lions Clubes do Brasil e ONGs realizar projetos e palestras em escolas nas comunidades visitadas visando atrair a atenção sobre um dos principais problemas que afetam as pessoas com necessidades especiais: as barreiras arquitetônicas.

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Autor: alotatuape

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