Especialistas alertam: perda de audição está começando cada vez mais cedo.

Defensor Público alerta para a necessidade de uma campanha de conscientização direcionada aos jovens para evitar a surdez precoce.


Comemorado todos os anos na última quarta-feira de abril, o Dia Internacional da Conscientização sobre o Ruído é uma data importante para refletirmos sobre a agitação e o barulho que, cada vez mais, fazem parte de nosso cotidiano. Os especialistas advertem: o ruído em excesso faz mal à saúde e pode ser a causa de diversos distúrbios, entre eles problemas auditivos precoces nas novas gerações.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) regulamenta que o ruído em áreas residenciais não ultrapasse os limites de 55 decibéis para o período diurno, das 7h às 20 h; e 50 decibéis para o período noturno, das 20h às 7h da manhã. De acordo com critérios da Organização Mundial de Saúde (OMS), ruídos constantes acima de 55 decibéis são nocivos. Muitas vezes eles causam, de imediato, incômodo e irritação, mas as consequências podem vir mais tarde, em forma de estresse, problemas cardíacos e perda auditiva.

“A data serve como alerta sobre a responsabilidade que cada indivíduo tem de reduzir a emissão de ruídos em suas atividades diárias. Segundo os médicos, o barulho intenso e prolongado pode causar danos cada vez maiores à audição ao longo da vida. A perda auditiva precoce é um problema sério que pode acarretar muitos prejuízos ao indivíduo, como preconceito, discriminação, inclusive no mercado de trabalho”, diz o Defensor Público Federal André Naves, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social.

O barulho está por todo lado. Por isso, é importante fazermos a nossa parte. A qualquer hora do dia são obras, trânsito, carros de som, buzinas, sirenes de ambulância, ronco de caminhões, gritos e algazarra em prédios e condomínios, música alta em casa ou no vizinho, TV em alto volume, uso do aspirador de pó e outras incontáveis formas de ruído. Na maioria das vezes, não percebemos o risco. É o que acontece quando aumentamos o volume da música que ouvimos nos fones de ouvido durante a caminhada ou no trajeto para o trabalho.

E a ideia de que nos acostumamos com o barulho é um mito. Mesmo quando acreditamos que ele não incomoda, biologicamente continua a nos fazer mal. “Infelizmente a poluição sonora ainda não é percebida como um mal à saúde. O ruído é um poluente invisível que, lentamente, agride as pessoas. Por isso, defendo a necessidade de campanhas de esclarecimento e conscientização”, afirma André Naves.

A Sociedade Brasileira de Otologia estima que entre 30% e 35% das perdas de audição são consequências da exposição a ruídos comuns do dia a dia. A juventude deve ter mais consciência quanto aos riscos do som alto e proteger a audição, sob pena de ter dificuldades para ouvir bem antes de envelhecer. Sem consciência do perigo, essa geração da tecnologia, que não larga os smartphones e videogames, dependerá mais de aparelhos auditivos no futuro.


Destaque – Imagem: aloart / G I


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