A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para assumir papel estratégico na transformação das empresas. A avaliação foi feita por executivos durante a 200ª edição do DoTheMATH, que debateu o tema “Da adaptação à ruptura: a nova era dos negócios”.


Participaram do episódio André Boger (CEO), Fabiana Korte do Amaral (Executive Director Brand and Culture), Marcel Ghiraldini (CSO) e Sérgio Larentis (COO) da Math Group. O consenso entre os executivos é que o mercado vive não apenas um período de mudanças, mas uma mudança de era.

“Não falamos mais em adaptação. A tecnologia alterou a própria estrutura do trabalho, a forma como as empresas se organizam e como o valor é gerado”, afirmou Ghiraldini durante a conversa.

IA generativa acelera transformação

Segundo os executivos, um dos principais motores dessa transformação é a IA generativa, que passou a operar em linguagem natural e se tornou acessível a diferentes áreas das organizações.

“Antes, as pessoas precisavam aprender a linguagem das máquinas. Agora, a máquina fala a nossa língua. Isso muda completamente a relação com a tecnologia e acelera a adoção”, destacou Boger.

Com isso, a IA deixa de ser apenas suporte operacional e passa a integrar ativamente os projetos. Larentis relatou experiências em que sistemas de IA participaram da organização de dados que posteriormente seriam utilizados por outras aplicações baseadas na mesma tecnologia.

“Quando vimos a IA ajudando a estruturar os dados para alimentar outra IA, ficou claro que a esteira de trabalho mudou. Ela virou parte do processo de criação”, afirmou.

Fim dos silos e foco no cliente

A incorporação da IA também pressiona o fim dos silos organizacionais. Departamentos isolados, como tecnologia, marketing e operações, tendem a se tornar entraves em um ambiente que exige respostas rápidas e integradas ao mercado.

De acordo com os executivos, empresas que operam de forma transversal, com foco no problema do cliente e não na divisão interna por áreas, apresentam maior capacidade de adaptação.

Velocidade e novos modelos de contratação

Outro ponto destacado foi a velocidade. Projetos que antes levavam anos para serem concluídos agora podem ser executados em semanas ou dias.

“A relação entre a velocidade do mercado e a velocidade da tecnologia é direta. Quem não acompanha esse ritmo perde competitividade”, alertou Boger.

O novo cenário também desafia modelos tradicionais de contratação baseados em horas trabalhadas, licenças ou número de profissionais alocados. Com ganhos significativos de produtividade proporcionados pela IA, a tendência é migrar para contratos baseados em resultados e impacto gerado.

“Quando o incentivo muda para resolver o problema mais rápido e melhor, a relação entre cliente e fornecedor passa a ser baseada em impacto, não em volume de pessoas”, explicou Ghiraldini.

Empresas como ecossistemas

Na avaliação dos participantes, as companhias tendem a funcionar cada vez mais como ecossistemas interdependentes, e menos como estruturas hierárquicas rígidas. Decisões passam a considerar o impacto sistêmico e não apenas efeitos pontuais em áreas específicas.

A IA também contribui para a descentralização do conhecimento, permitindo que profissionais acessem informações de diferentes setores com mais facilidade. Isso favorece equipes multidisciplinares e processos decisórios mais ágeis.

Para Fabiana Korte do Amaral, o foco deve permanecer no problema a ser resolvido. “Antes de qualquer tecnologia, a pergunta é: qual impacto vamos gerar? A IA é um meio, não um fim”, afirmou. Ela ressaltou ainda a importância de antecipar tendências e construir hoje soluções que se tornarão padrão no futuro.

Reconhecimento no mercado

O podcast DoTheMATH, voltado ao público C-Level e dedicado a debates sobre negócios e tecnologia, conquistou o primeiro lugar na categoria Comunicação, Marketing e Vendas no Prêmio Melhores Podcasts do Brasil em 2024 e o segundo lugar na mesma categoria em 2025.

Para os executivos, a mensagem central é clara: prosperarão as empresas que integrarem áreas, revisarem seus modelos operacionais e utilizarem a Inteligência Artificial como aliada estratégica na construção do futuro.


Destaque – Imagem: aloart / G.I.


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