O parque público mais antigo da cidade será requalificado com investimento de R$ 20 milhões. O anúncio foi feito pelo prefeito Ricardo Nunes durante as comemorações pelos 200 anos da área.


O Jardim da Luz acaba de completar 200 anos e continua sendo um dos mais atrativos. O parque mais antigo de São Paulo passará por obras de restauro e requalificação promovidas pela Prefeitura de São Paulo. As melhorias incluirão acessibilidade aprimorada, novas entradas, renovação do parquinho e cuidados especiais nas áreas tombadas. Segundo o órgão, irão garantir a preservação da história e a melhoria da experiência dos cidadãos.

Inaugurado em 1825 como um horto botânico, quando a cidade contava com apenas 20 mil habitantes, o Jardim da Luz foi o primeiro espaço dedicado ao lazer público em São Paulo. Hoje, consolidado como um dos principais cartões-postais do centro, recebe anualmente cerca de 2 milhões de visitantes, mantendo-se entre os parques mais movimentados da capital. Em 2025, é o sexto mais frequentado, com 1,5 milhão de visitas registradas até outubro.

A geografia do parque contribui para seu encanto duradouro. Com 76.885 metros quadrados — equivalente a 11 campos de futebol —, o local abriga alamedas históricas, amplas sombras, espelhos d’água, esculturas preservadas e um raro silêncio urbano entre o trem, o museu e o intenso fluxo do Bom Retiro. Destaca-se a imponente Agathis Robusta, árvore que, com cerca de 40 metros de altura e mais de dois séculos de vida, é mais antiga que o próprio parque.

Uma paisagem que conta a História de São Paulo

Poucos lugares guardam tantos marcos do passado paulistano. O Jardim da Luz já foi um horto científico, um jardim público, um laboratório de espécies exóticas, cenário da primeira exibição de luz elétrica da cidade em 1883 e palco da visita do imperador Dom Pedro II em 1846. Também abrigou o primeiro observatório meteorológico da cidade, com sua curiosa torre de 20 metros, apelidada pelos moradores de “Canudo do Dr. João Teodoro”.

O século XX trouxe períodos de decadência, resultado da crise do café, reformas urbanas e falta de manutenção, mas também de renascimento. A grande restauração iniciada em 1999 devolveu vitalidade a estruturas como a gruta, os coretos, o sistema hidráulico e os clássicos espelhos d’água. Nos anos 2000 e 2010, o parque voltou a ser parte do cotidiano dos paulistanos, impulsionado pela centralidade da Pinacoteca e por políticas de zeladoria e segurança.

Atualmente, a Prefeitura mantém um investimento contínuo no espaço. O valor anual destinado à manutenção, pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, aumentou de R$ 1,24 milhão em 2021 para R$ 1,58 milhão em 2025 — recursos essenciais para poda, limpeza, recuperação de canteiros, conservação de equipamentos e vigilância. O parque também recebe exposições, apresentações culturais e ações do terceiro setor ao longo do ano.

 

200 Anos Parque da Luz. Lago Cruz de Malta. Foto: Renato Pinheiro / SECOM

 

Natureza rara em plena Área Central

A flora do Jardim da Luz abriga 192 espécies de árvores vasculares, incluindo andá-açu, pau-brasil, pinheiro-do-paraná e palmito-jussara, todas ameaçadas de extinção. Nas alamedas, convivem palmeiras, gimnospermas, guatambus, alecrins-de-campinas e um tradicional roseiral que colore o caminho em direção ao lago.

A fauna também é surpreendente. Em 2021, foram registradas 98 espécies, sendo 80 de aves, como martim-pescador-grande, socó-dorminhoco, carcarás, irerês, papagaios e diversos beija-flores. Devido à sua localização em uma área densamente urbanizada, o parque funciona como uma verdadeira “ilha verde”, atraindo aves florestais que cruzam a metrópole em busca de descanso, como o tucano-de-bico-verde.

Nos lagos e espelhos d’água, carpas, tilápias, acarás e cágados-pescoço-de-cobra completam um ambiente que mescla natureza tropical, memória europeia e o cotidiano paulistano.

Arquitetura, Arte e Permanências

Entre os símbolos do bicentenário do parque estão a tradicional Casa de Chá, os coretos, a Casa do Administrador, a gruta e um conjunto de esculturas — mais de 30 peças, incluindo a Herma de Garibaldi, inaugurada em 1910 pelo escultor Emilio Gallori, que marca a presença italiana na cidade.

O parque também faz divisa com a Pinacoteca do Estado, um dos museus de arte mais importantes do país, e preserva um traçado que se adaptou, ao longo dos anos, à chegada da Estação da Luz e às instituições que transformaram culturalmente o entorno da região.

 


Destaque – 200 Anos Parque da Luz. Foto de: Renato Pinheiro / SECOM

 


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